“Aumento de imposto mata o comércio”, diz vice-presidente da ACMC
Em um momento de grande fragilidade na saúde financeira do comércio, o aumento do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deverá complicar ainda mais a atividade dos pequenos e médios negócios, segundo a vice-presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), Fádua Sleiman. “Muitas lojas já fecharam e outras migraram para […]
04/01/2021 18h21, Atualizado há 67 meses
Em um momento de grande fragilidade na saúde financeira do comércio, o aumento do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deverá complicar ainda mais a atividade dos pequenos e médios negócios, segundo a vice-presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), Fádua Sleiman. “Muitas lojas já fecharam e outras migraram para outros endereços, trabalhando em espaço conjunto com outros comerciantes, para reduzir o impacto provocado pela pandemia. O aumento do imposto irá prejudicar ainda mais o setor, que estava começando a se recuperar”, afirma ela.
A entidade mogiana assinou o ofício encaminhado pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e demais entidades representativas do empreendedorismo ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O documento solicita a suspensão do aumento que começa a ser cobrado no próximo dia 15. Em alguns casos, o reajuste chega a 13,3%.
Para Fádua, que assumirá a presidência da entidade no final deste mês. “aumentar impostos é uma forma de matar o comércio”. Ele espera que o movimento contrário ao reajuste aprovado no final do ano passado sensibilize o governador João Doria (PSDB).
No documento, o presidente da Facesp, Alfredo Cotait Neto, destaca que “a retomada das atividades, indispensável para a volta dos empregos e criação de renda, depende de estímulos por parte do governo” e acrescenta que “o aumento da arrecadação fiscal, por sua vez, depende do crescimento das vendas das empresas, o que será prejudicado pelo aumento dos preços resultante da maior tributação e pode anular o objetivo visado pelos decretos que elevam as alíquotas do ICMS”.
Outro pedido pontual é o parcelamento do ICMS de janeiro para o comércio, como tem ocorrido há mais de uma década.
Sobre isso, Fádua Sleiman lembra que além de as vendas terem sido abaladas pela pandemia, em muitos setores, em janeiro, o comerciante trabalha sem caixa porque ele parcela a compra as mercadorias, para a próxima estação, e começa a refazer os estoques, para as vendas no início do ano.
A vice-presidente lembra que o aumento afetará todos os setores do comércio, mas pesará ainda mais na vida financeira do pequeno e do médio lojista e prestador de serviços, que não tem reserva financeira, ainda mais, durante a pandemia.
Balanço
Fádua Sleiman conta que não há um balanço oficial sobre o fechamento de empresas durante o comércio, mas afirma que o número de associados à entidade reduziu entre 2 e 3%. A ACMC tem 1,8 mil associados e representa 10 mil estabelecimentos comerciais, 10 mil prestadores de serviços e 8 mil microempreendedores da cidade. Segundo ela, muitos fecharam os endereços físicos e se associaram para manter a atividade em outros endereços. Houve também uma mudança no perfil de venda, com os investimentos e capacitação no e-commerce e na entrega por delivery.