Bertaiolli diz que Artesp “traiu” Mogi ao propor pedágio na Mogi-Dutra
O edital para a concessão das rodovias litorâneas lançado pelo Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e o Governo do Estado, prevendo a instalação de dois pedágios na Mogi-Dutra e na Mogi-Bertioga, foi considerado “uma traição” pelo deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), que não economiza críticas ao órgão por não ter sequer […]
16/05/2021 15h12, Atualizado há 63 meses
O edital para a concessão das rodovias litorâneas lançado pelo Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e o Governo do Estado, prevendo a instalação de dois pedágios na Mogi-Dutra e na Mogi-Bertioga, foi considerado “uma traição” pelo deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), que não economiza críticas ao órgão por não ter sequer consultado as lideranças do município antes de lançar esse projeto que pode comprometer o desenvolvimento econômico e social regional, na avaliação de especialistas e gestores.
Ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Bertaiolli quer tratar do caso diretamente com o vice-governador Rodrigo Garcia e com o governador João Doria.
“Tínhamos um compromisso com a Artesp e a palavra empenhada pela Secretaria de Transportes do Estado, de que nada seria feito sem antes apresentar e conversar com o município de Mogi. Mas fomos traídos com aquela audiência vergonhosa, que demonstrou que nem mesmo o diretor da Artesp sabia o que estava apresentando”, enfatizou Bertaiolli, referindo-se à coletiva de imprensa concedida na sexta-feira (14) pelo diretor do órgão, Milton Persoli, à imprensa regional.
No passado, Bertaiolli chegou a dizer que a proposta do pedágio na Mogi-Dutra não se sustentaria e nem iria ser colocada em prática.
Por isso, desde sexta-feira, ele reage à decisão. Em entrevista, durante mais de uma hora, na sexta-feira (14), o diretor afirmava que o pedágio seria na Mogi-Bertioga. Mas indagado pelos jornalistas, ele não conseguia apontar a localização dos quilômetros indicados para receber os pedágios, e a coletiva foi suspensa. Apenas após questionamentos dos repórteres, é que a Artesp confirmou que o pedágio da Mogi-Dutra havia sido mantido.
As críticas ao plano de concessão de estradas litorâneas que prevê os dois pedágios foram feitas pelo deputado durante o ato realizado na manhã deste domingo (17), organizado pelo prefeito Caio Cunha (PODE), na própria rodovia.
O evento político reuniu deputados, prefeitos, vereadores e representantes de diversas entidades, entre outras lideranças do município no km 45 da Mogi-Dutra, local inicialmente indicado para instalar o pedágio.
Agora, o projeto apresentado prevê a construção de uma das praças nas proximidades do km 40 da mesma via, e uma outra cobrança na Mogi-Bertioga. O projeto de concessão terá uma concorrência internacional e prevê, investimentos, segundo a Artesp, de R$ 3 bilhões. A concessão à iniciativa privada será por um período de 30 anos.
Bertaiolli disse ainda que a nova frente “Todos contra o pedágio”, criada pelo prefeito, deve entrar com uma “enxurrada” de ações judiciais contra a Artesp, ´para barrar o projeto que ele considera “um lixo”.
Segundo conta, o deputado entrou em contato com o vice-governador, Rodrigo Garcia, e espera agendar para a próxima semana um encontro entre ele, prefeito, deputados estaduais e lideranças locais para tratar do assunto. A ideia é solicitar uma agenda também com o governador João Doria, a quem tem sido endereçada uma série de cartas publicas por O Diário, desde a semana passada, mostrando a contrariedade da cidade (veja aqui).
“Se ficarmos quietos, eles vão tirar a soberania de Mogi das Cruzes”, reforça o deputado federal, que cita ainda o fato de não haver obras previstas para a Mogi-Dutra e nem mesmo a duplicação da Mogi-Bertioga, o que poderia justificar a cobrança para os usuarios das rodovias.
“Quando um município recebe pedágio, recebe me troca melhorias, obras, serviços, ambulâncias, guinchos na estrada e outros benefícios que não temos por aqui. Querem colocar caça níquel em Mogi para financiar a obra da Rio Santos”, enfatiza.