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Câmara de Mogi pede suspensão de despejo dos moradores do Hospital Dr Arnaldo

A Câmara de Mogi das Cruzes aprovou durante a sessão desta terça-feira (16), uma moção de apelo ao governador João Doria (PSDB) para tentar impedir que o Estado leve adiante o processo de despejo das famílias que residem no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, localizado no distrito de Jundiapeba. O documento elaborado pela vereadora Fernanda […]

Por O Diário
16/03/2021 17h15, Atualizado há 65 meses

A Câmara de Mogi das Cruzes aprovou durante a sessão desta terça-feira (16), uma moção de apelo ao governador João Doria (PSDB) para tentar impedir que o Estado leve adiante o processo de despejo das famílias que residem no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, localizado no distrito de Jundiapeba.

O documento elaborado pela vereadora Fernanda Moreno (MDB), com aval de toda a Casa, pede ao governador que promova a suspensão da ordem de despejo das famílias que residem na antiga colônia, construída nas imediações do Hospital Dr. Arnaldo.

O espaço foi construído em 1928, e se tornou o primeiro hospital do Brasil para pacientes com hanseníase – uma colônia afastada das cidades onde eles eram internados à força por tempo indeterminado. Na época, não havia cura e nem remédio para conter a doença, infecto contagiosa, e para tentar evitar a sua proliferação, saída encontrada pelo governo da época foi a segregação dos doentes.

Assim, durante décadas, funcionários, pacientes e familiares dessas pessoas moraram nas casas construídas no local, formando uma espécie de vila erguida aos arredores do hospital, chamado leprosário Santo Ângelo, isolando os moradores, marginalizadas pela extinta “Política de Profilaxia da Lepra do governo brasileiro.

Na verdade, o local se transformou uma espécie de cidade, onde foram construídos equipamentos como teatro, igreja, hospital e áreas de convivência entre as famílias que não podiam ultrapassar os limites. Muitos deles acabaram se casando e tiveram filhos, que forma permanecendo no local.

Porém, neste ano, as famílias daquela região começaram a ser notificadas pelo Governo do Estado a desocupar as casas onde residem a décadas, sem qualquer outra opção de moradia ou programa de reintegração social.

O assunto gerou muitos debates entre os vereadores, que consideram uma “injustiça”. Fernanda Moreno, alega que o Estado não pode simplesmente determinar a retirada desses moradores sem oferecer outras opções para moradias, porque a maioria não tem para onde ir.

Outros vereadores também criticam a medida principalmente nesse momento de pandemia, causada pelo coronavírus (Covid-19), em um de seus momentos mais críticos da saúde do nosso país, com elevados índices de vítimas e mortes.

Além do apelo ao governador do Estado de São Paulo para que determine ao setor competente, a moção será encaminhada também ao Secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Fernando José da Costa, e ao secretário de Estado da Habitação, Flávio Amaury; dando-lhes ciência do inteiro teor do trabalho legislativo e que, diante disto, adotem providências necessárias e urgentes para o caso citado.

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