Câmara defende mais ambulâncias para Mogi
A falta de ambulância para atender com maior agilidade os pacientes da cidade e as reclamações a respeito do sistema operacional do Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) foram os principais assuntos tratados pelos vereadores em sessão realizada na tarde desta terça-feira (13). Os temas foram discutidos em plenário com a […]
13/06/2023 18h17, Atualizado há 37 meses
A falta de ambulância para atender com maior agilidade os pacientes da cidade e as reclamações a respeito do sistema operacional do Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) foram os principais assuntos tratados pelos vereadores em sessão realizada na tarde desta terça-feira (13).
Os temas foram discutidos em plenário com a aprovação de duas moções encaminhadas à Prefeitura de Mogi, solicitando mais investimentos em novas ambulâncias, e ao governo do Estado para se manifestar ao projeto de regionalização da Cross, como forma de “humanizar e reorganizar o atendimento hospitalar no Alto Tietê”.
O pedido de ampliação do número de ambulância foi feito pelo vereador Edson Alexandre Pereira – Edinho do Salão (MDB), que falou sobre a angústia de pacientes e familiares que precisam esperar horas para serem atendidos.
Ele disse que vem recebendo reclamações de diversas pessoas sobre a “excessiva demora” no atendimento dos pacientes que solicitam ambulâncias, com atraso de até cinco horas.
“Muitas vezes, isso traz o agravamento do estado de saúde do paciente. Uma amiga da minha mãe esperou cinco horas até a chegada da ambulância por esses dias. A celeridade do transporte aumenta as possibilidades de cura e êxito no tratamento”, argumenta. Edinho relatou também a demora do equipamento para atender a vítima de acidente que aconteceu no fim de semana, no Santo Ângelo.
Inês Paz (PSOL) pediu mais ambulâncias para as regiões de Mogi mais afastadas. Ela citou o caso de um morador do bairro da Divisa, que a família chamou a ambulância mas demorou muito e o paciente acabou morrendo. “É a vida humana que está em jogo. Não se pode deixar de lado e tratar com descaso. Precisamos de uma atenção especial para os bairros mais distantes”, disse.
O documento será encaminhado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), ao secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, ao prefeito de Mogi, Caio Cesar Machado da Cunha (PODE), e ao secretário Municipal de Saúde, William Harada.
Regionalização
A segunda moção, de autoria do vereador Edson Santos (PSD), assinada por outros parlamentares da Casa, manifesta apoio ao projeto defendido pelo deputado estadual e presidente da Alesp, André do Prado (PL), que pede a regionalização da Cross. No mesmo documento, o parlamentar também pede a volta dos Departamentos Regionais de Saúde (DRSs) em Mogi para fortalecer a integração regional dos serviços de saúde pública.
O Cross é um sistema informatizado que visa distribuir os pacientes que precisam de atendimento nas áreas hospitalar e ambulatorial, de acordo com a disponibilidade de vagas e a gravidade dos casos. Funciona por meio de solicitações feitas por unidades de saúde, como UPAs e prontos-socorros, que são analisadas por médicos reguladores que definem o melhor recurso e o local mais adequado para cada paciente.
Porém, Edson Santos alega que esse atendimento tem sido alvo de muitas críticas da população do Alto Tietê, que reclama da falta de equidade na distribuição das vagas e que, muitas vezes, os pacientes são encaminhados a unidades de saúde muito distantes de sua cidade de origem, gerando transtornos e dificuldades de acesso.
“Muitos pacientes têm que esperar muito tempo pelas vagas, que demoram dois, três e até cinco dias para conseguir, e o problema é que os pacientes de nossa cidade muitas vezes são transferidos para locais distantes por falta de vagas”, disse.
Além disso, o vereador alega que “o atendimento da Cross apresenta dados estatísticos insatisfatórios”, como o baixo número de vagas disponíveis para a região, o longo tempo de espera e a alta taxa de desistência dos pacientes.
“Esses dados mostram que o atendimento está ineficiente e prejudicial para a saúde da população local, sendo necessária a regionalização”, afirma ele, acrescentando que isso, auxiliaria a diminuir as desigualdades, aumentaria a eficiência do gasto público e a oferta de serviços, além de reduzir as filas e a distância que as pessoas precisam percorrer para conseguir atendimento em outros municípios distantes.
Para justiçar a regionalização, Santos observa ainda que a região do Alto Tietê é uma área geográfica que abrange mais de 10 municípios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a população estimada da região é de 1.723.526 habitantes, com um aumento de 35,5 mil pessoas desde 2021.
“Esse crescimento populacional exponencial traz alguns pontos positivos para o desenvolvimento da região. Isso mostra a necessidade da Regionalização da Cross e a Recriação da Diretoria Regional de Saúde”, justifica.
O documento, aprovado por unanimidade, foi assinado pelos vereadores Milton Lins da Silva – Bi Gêmeos (PSD), Otto Rezende (PSD), Osvaldo Silva (REP), Vitor Emori (PL), Mauro Yokoyama (PL), Francimário Vieira -Farofa (PL) e Clodoaldo de Moraes (PL). Os parlamentares também se manifestaram para reforçar o apoio e relatar problemas com a Cross.
O documento será remetido ao deputado André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ao governador do Estado, Tarcísio de Freitas, e a Eleuses Paiva, secretário de Estado da Saúde.