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Casos de Covid-19 em crianças aumentam em Mogi, apontam dados da Saúde

A contaminação por Covid-19 em crianças e adolescentes no Estado de São Paulo registrou alta de 61% nos últimos dois meses, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde. Nesta sexta-feira (28), Mogi das Cruzes tinha três crianças internadas (0 a 11 anos) por Covid na rede pública e ao menos duas na […]

Por O Diário
30/01/2022 16h49, Atualizado há 53 meses

A contaminação por Covid-19 em crianças e adolescentes no Estado de São Paulo registrou alta de 61% nos últimos dois meses, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde.

Nesta sexta-feira (28), Mogi das Cruzes tinha três crianças internadas (0 a 11 anos) por Covid na rede pública e ao menos duas na rede particular. A cidade acaba de ampliar a campanha de vacinação contra o coronavírus nesta faixa etária.

Diferente do Estado, o número de internações de crianças na cidade é estável. Durante todo o mês de janeiro foram registradas 12 hospitalizações em Mogi. Em dezembro de 2021 houve 13, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

No entanto, chama a atenção a alta de casos positivos da doença nas crianças, possivelmente atrelados ao avanço da variante Ômicron do coronavírus, mesmo não havendo óbitos atrelados à doença nessa faixa etária, de acordo com a pasta.

O número de crianças de 0 a 11 anos de idade que testaram positivo para a Covid-19 em Mogi, nas primeiras três semanas de janeiro deste ano, já é 61% maior na comparação com todos os dias do mesmo mês em 2021. O número subiu de 54 para 87 nos dois períodos.

Já no mês anterior, em dezembro de 2021, 19 crianças haviam sido diagnosticadas com a doença.

A cidade, assim como o restante do país, passa por alta geral de casos, mas tem atenção especial voltada para a população menor de 12 anos de idade, que só agora começou a receber a imunização contra a Covid-19 após polêmicas na esfera nacional. Até a manhã desta sexta-feira (28), a cidade já havia imunizado 1.707 crianças de 5 a 11 anos.

Balanço divulgado nesta semana pela Secretaria Municipal de Saúde a O Diário aponta que, em 2020, houve 437 casos de Covid-19 entre os pequenos de 0 a 11 anos. O número subiu para 1.023 em 2021 – alta de 134%. Até hoje, a cidade não confirmou óbitos relacionados à doença nesta faixa etária.

A Secretaria reforça que a imunização das crianças é muito importante para conter o avanço da pandemia. Apesar de geralmente apresentarem quadros mais leves do que os adultos, as crianças também são vítimas do novo coronavírus e podem adoecer.

A pasta conta que os cuidados preventivos são os mesmos: distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos. É fundamental, ainda, evitar contato com pessoas que estejam com sintomas gripais. 
Mogi das Cruzes já aplicou, até o momento, 832.728 doses contra a Covid-19. 

A Secretaria Municipal de Saúde liberou agendamento online no www.cliquevacina.com.br para crianças a partir de 5 anos nesta sexta-feira (28).

Para receber a dose, além de efetuar o agendamento, todas as crianças precisam estar acompanhadas por um responsável maior de 18 anos e apresentar documento de identificação (preferencialmente CPF), comprovante de residência e carteirinha de vacinação.

O site oficial da Prefeitura de Mogi das Cruzes mantém vagas disponíveis para aplicação de primeira dose, segunda e terceira doses para adultos e crianças de todos os imunizantes. Até o momento, 840.651 doses já foram aplicadas na cidade. Mais informações pelo SIS 160.

A técnica de enfermagem Camila Teixeira viveu nesta semana uma experiência de grande sufoco para qualquer mãe. Precisou acompanhar a internação de sua bebê, agora com cinco meses, em um hospital particular de Mogi. A criança, que não tem comorbidades, apresentou falta de ar e hoje, para o alívio da família, reage melhor ao tratamento. Ela foi internada no último dia 24 e havia recebido alta na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta sexta-feira (28). Em entrevista a O Diário, Camila informou que o diagnóstico da Covid-19 foi um choque.

A família de Camila já havia tido Covid-19 em 2020. Em meados de janeiro, voltou a apresentar sintomas. Na semana passada, ela notou que sua bebê, até então bem, começou a ter coriza. A situação piorou rapidamente e a técnica de enfermagem logo procurou atendimento. Uma médica de confiança contou para a mãe ter 90% de certeza de que a bebê estava com Covid-19.

Ciente de que os sintomas são mais leves em crianças, ela acreditava que o resultado seria negativo. Mas a bebê estava mesmo com a doença e, apenas dois dias depois, os médicos apontaram necessidade de internação.

“Eu não acreditava que ela estaria com Covid-19. No outro dia, ela amanheceu ruim e eu retornei ao hospital. Atenderam minha filha e fizeram todos os procedimentos, mas ela continuou piorando e chegou uma hora que não conseguia respirar. Puxava muito o ar”, conta.

No último domingo (23), a família aguardava uma vaga em um hospital da cidade. No dia seguinte, conseguiu o quarto, onde a bebê estava até esta sexta feira (28).

A bebê completou cinco meses de vida enquanto estava na UTI. “Como mãe, não imaginava viver este tipo de situação”, diz, acrescentando que levará os filhos – a bebê de cinco meses e o irmão dela de três anos, que também teve a Covid-19, para receber a vacina caso seja liberada a aplicação nestas idades. Mas, em sua opinião, as doses não são suficientemente eficazes para proteger as crianças da doença.

“Gostaria de deixar um alerta para que as mães olhem seus filhos atentamente. Se perceberem que algo não está legal ou diferente, procurem um hospital. Um alerta para os pais é que o estado de saúde pode piorar rápido”, aconselha.

Especialistas ainda apontam que a imunização é o melhor caminho para garantir a segurança dos pequenos. Pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai destaca que a segurança da vacina é comprovada não apenas por estudos clínicos, mas também por dados de países que já imunizam as crianças. “Até dezembro, os Estados Unidos tinham aplicado quase 9 milhões de doses e relatado apenas 4,8 mil casos de efeitos adversos (cerca de 0,05% do total de aplicações). Desses casos, 97% foram de efeitos leves, como dor no braço ou na cabeça”, conta.

Após a vacina, que efeitos podem ser esperados?
Os mesmos observados nos adultos: dor no local, inchaço, vermelhidão, febre e dor de cabeça. No entanto, geralmente, as reações nas crianças são mais brandas do que nos adultos.

Além do Brasil, outros países já estão vacinando menores de 11 anos, como Estados Unidos, China, Chile, Equador, Israel, Canadá, Alemanha e Espanha.

A liberação da Anvisa para as doses pediátricas da Pfizer ocorreu no último dia 16 de dezembro. O Ministério da Saúde, por sua vez, só incluiu a faixa etária no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 (PNO) em 5 de janeiro deste ano, depois de 20 dias marcados por imbróglio político e por uma consulta pública inédita, não adotada para o público adulto. 

 

Estado abrirá mais leitos para Covid no Alto Tietê

O Governo do Estado confirmou nesta semana a abertura de novos leitos específicos para o tratamento de Covid-19 nos próximos 10 dias. O Estado havia confirmado a abertura de 120 leitos em três hospitais de gestão estadual da região.

O pedido foi reforçado na última terça-feira (24) pelos prefeitos durante reunião com o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, em Guarulhos.

A ampliação da capacidade de atendimento hospitalar na rede de saúde pública do Alto Tietê vem sendo solicitada pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, o Condemat, desde o início do ano, para dar vazão à demanda de novos casos Covid-19 e de pacientes com sintomas gripais e síndromes respiratórias.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, na última terça, a taxa de ocupação na região era de 55% nos leitos de UTI e 76,7% nos leitos de Enfermaria, com registros de 100% de ocupação nos hospitais Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba, e Luzia de Pinho Melo, de Mogi.

Na última terça-feira (25), durante reunião com o Conselho de Prefeitos do Condemat, o secretário destacou que, neste momento, a prioridade está no monitoramento dos dados da pandemia. “Teremos nas próximas semanas uma elevação no número de casos de Covid-19. Estamos monitorando esta situação em conjunto com o Comitê Científico para adotarmos as medidas necessárias para conter o avanço da doença”, disse.

O anúncio oficial da abertura de leitos em todo o Estado foi feito durante coletiva de imprensa do governador João Doria. Segundo o Estado, os leitos serão abertos até o próximo dia 6 de fevereiro. “Estamos em um momento novo da pandemia, enfrentando o aumento nos casos e nas internações”, avaliou Gustavo Henric Costa, o Guti, presidente do Condemat e prefeito de Guarulhos.

 

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