CEI da Corrupção interroga vereadores de Mogi denunciados pelo MP
Os vereadores investigados pelo Ministério Público no âmbito da operação Legis Easy começaram a ser interrogados nesta terça-feira (01) pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Corrupção, que analisa as acusações sobre indícios de organização criminosa, favorecimento em contratos e lavagem de dinheiro. A Promotoria do Patrimônio Público de Mogi descobriu repasses de mais de […]
01/12/2020 20h52, Atualizado há 68 meses
Os vereadores investigados pelo Ministério Público no âmbito da operação Legis Easy começaram a ser interrogados nesta terça-feira (01) pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Corrupção, que analisa as acusações sobre indícios de organização criminosa, favorecimento em contratos e lavagem de dinheiro.
A Promotoria do Patrimônio Público de Mogi descobriu repasses de mais de R$ 1,2 milhão a empresas suspeitas de lavar dinheiro para parlamentares, que estariam recebendo recursos para aprovação de leis. São investigados também empresários e ex-assessores.
A primeira reunião da CEI desta terça-feira contou com a presença de três envolvidos – Antônio Lino (PSD), Carlos Evaristo (PSB) e Diego de Amorim Martins (MDB) -. Os três alegaram inocência e disseram que apenas contrataram “empréstimos” da empresas financeiras do colega Mauro Araújo (MDB), apontado pelo MP como principal articulador do esquema.
Os outros três investigados: Francisco Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB) serão ouvidos na quinta-feira (3).
Esta é a primeira vez que eles entram na Câmara após a operação deflagrada em setembro, que culminou em mandatos de busca, apreensão e prisão de agentes políticos e empresários.
Os seis vereadores denunciados tiveram autorização da Justiça para responder ao processo em liberdade na condição de que permanecessem afastados de seus cargos, proibidos de acessar prédios públicos e de manter contato entre eles.
Para participar do interrogatório, o presidente da CEI, vereador Pedro Komura (PSDB) teve que solicitar a autorização judicial. Além dessa, tem ainda a Comissão Processante (CP), que avalia o pedido de cassação de mandatos dos parlamentares.
Empréstimos
Ao serem questionados nesta terça-feira pela CEI sobre os motivos do repasse de recursos em suas contas por empresas financeiras de propriedade de vereador Araújo, os três voltaram a dizer que os repasses em suas contas “são empréstimos”.
Eles reclamaram que nem sequer tiveram a oportunidade de se defenderem antes da prisão, alegam que foram condenados antes de serem julgados e que estavam tendo a primeira oportunidade de se explicar pessoalmente sobre o caso.
O vereador Antônio Lino (PSD) disse que passou por dificuldades e precisou fazer empréstimos para pagar a faculdade da filha que estava com mensalidades atrasadas.
O MP constatou que a empresa M.A. Assessoria Financeira Ltda fez a primeira transferência para a conta de Lino em 06/2018 e a última em 11/2019. No total foram 5 transações que somaram R$ 23 mil. No dia 31 de janeiro de 2019, ainda foi verificada uma transação de R$ 5 mil para a conta da filha dele.
“Fiz empréstimo com uma empresa que atua nessa área financeira, que foi pago, com tudo documentado”, argumenta, alegando que está tudo registrado, “sem nada para esconder”.
O vereador Diego confirmou também que pediu o dinheiro emprestado ao amigo vereador, reforçando ainda que nem sabia do que se tratava quando foi detido, “sem poder sequer me defender”.
No caso dele, a empresa M.L.C. de Araújo ME fez a primeira transferência em 03/2018 e a última em 08/2019. No total foram 2 transações que somaram R$ 19,5 mil.
O mesmo argumento foi usado pelo Pastor Carlos Evaristo. Ele explicou que precisou fazer “os empréstimos para cobrir compromissos”, pagar financiamentos que estavam atrasados no banco, e ainda arcar com despesas de advogado que o defendeu em outros processos.
Para conta dele, a M.A. Assessoria Financeira Ltda fez a primeira transferência em 06/2018 e a última em 11/2019. No total foram 15 transações que somaram R$ 110,8 mil.
Relatório
Assim que concluir os interrogatórios dos outros três vereadores na quinta-feira, Komura afirma que os membros da CEI, integrada também por Rodrigo Valverde (PT) e Clodoado de Moraes (PL), “vão se debruçar em cima” de documentos e análisar os diversos depoimentos feitos pelos envolvidos no caso para concluir o relatório final dessa investigação até 15 de dezembro.
A CEI investigou contratos públicos do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) e da Saúde. Até o momento, Komura explica que não foram encontradas irregularidades nos contratos, mas prefere não fazer nenhuma avaliação sobre condutas dos vereadores envolvidos.
Após a votação do relatório que será apresentado em plenário por Rodrigo Valverde, o processo da CEI será encaminhado ao Ministério Público.