Claudio de Faria Rodrigues assina carta de número 64 contra o pedágio
Funcionário de carreira da Prefeitura de Mogi das Cruzes, o engenheiro e urbanista Claudio de Faria Rodrigues assina a carta de número 64 endereçada ao governador João Doria, na série iniciada em maio passado por O Diário e apoiada por lideranças de diversificadas áreas sobre a luta de Mogi das Cruzes contra o projeto de […]
16/08/2021 08h36, Atualizado há 60 meses
Funcionário de carreira da Prefeitura de Mogi das Cruzes, o engenheiro e urbanista Claudio de Faria Rodrigues assina a carta de número 64 endereçada ao governador João Doria, na série iniciada em maio passado por O Diário e apoiada por lideranças de diversificadas áreas sobre a luta de Mogi das Cruzes contra o projeto de concessão litorânea, que prevê um pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Claudio dirige a Secretaria de Planejamento e Urbanismo desde 2017 e liderou processos como a discussão e formulação do novo Plano Diretor de Mogi das Cruzes. Ele defende conceitos como o de bairros sustentáveis e conectados e recorre à expressão inglesa Not in my Back Yard, “não no meu quintal”, para defender o fim da proposta que não é de interesse da cidade e nem dos mogianos. Confira a carta:
Excelentíssimo governador João Doria,
Todos nós temos enfrentado grandes desafios com a pandemia do Covid-19 e estamos próximos de alcançar 565 mil mortes em nosso país. Sem dúvida nenhuma o senhor desde o início esteve presente na proposição de novos caminhos para enfrentar o coronavírus e bravamente buscou propor soluções através do Instituto Butantan.
Ocorre que a cidade de Mogi das Cruzes, além de enfrentar a pandemia e superar a dor da ausência dos aproximadamente 1550 mogianos que até o momento nos deixaram, também está tendo que concentrar suas forças contra a implantação de um pedágio na Rodovia Mogi-Dutra e a construção de uma série de obras rodoviaristas propostas pela Artesp a título de “contrapartida”, ao longo do sistema viário municipal e que afrontam todo o plano de d esenvolvimento urbano sustentável de nossa cidade.
Ao convite do jornal O Diário, assino a carta de número 64 – reforçando o lema “Pedágio-Não”, dando continuidade e fortalecendo um movimento que é de cada mogiano, que é encabeçado pelo nosso prefeito Caio Cunha e demais autoridades políticas, e seguido por todas as pessoas que vivem e respeitam a cidade de Mogi das Cruzes.
Seremos contra esta proposta até o fim, e demonstraremos nossa capacidade de articulação, cidadania, colaboração, comunicação, criatividade, pensamento crítico – qualidades que demonstram que a comunidade mogiana tem uma profunda compreensão de seus valores e que se sobrepõe a qualquer interesse diverso. Estaremos juntos colaborando uns com os outros para que asseguremos o equilíbrio de nosso território, sua prosperidade e bem-estar.
Somos uma cidade bem orquestrada, que sob o ponto de vista do Urbanismo busca equilibrar prosperidade e bem estar com eficiência e igualdade. Não queremos uma cidade que esteja sujeita a pagar pela necessidade de ir ou vir dentro de seu próprio limite, ou que esteja sujeita a ser cortada por uma via expressa que afeta a sustentabilidade humana e ambiental.
Mogi das Cruzes está um passo à frente. Buscamos o metabolismo das cidades sustentáveis, com bairros mais fortes e conectados, com a vitalidade e espaços urbanos que gerem múltiplos benefícios ambientais, econômicos, sociais e sanitários – aspectos que são bem-vindos em todas as cidades que buscam seu franco desenvolvimento.
Pensamos de modo diferente e reforçamos que somos uma comunidade coerente, que respeita a escala local e que conecta suas pessoas em busca das melhores decisões que assegurem o seu bem-estar. Neste sentido, utilizarei uma expressão da língua inglesa que é usada para descrever a oposição a projetos polêmicos ou que possam ser prejudiciais ao entorno – que é: “NIMBY – Not in my Back Yard”, que significa “não no meu quintal”.
Portanto, somos agradecidos por todos aqueles que se mobilizaram para enfrentar a pandemia e colaboraram de alguma forma para termos uma “luz” com a vinda da vacina. Mas, em Mogi das Cruzes sabemos defender nossos interesses e na era pós-pandemia as cidades precisarão ser cidades equilibradas e dinâmicas, o oposto da aberração proposta pela Artesp. Portanto, todos nós mogianos nesse momento somos “NIMBY” – “Pedágio-Não!!!”
Claudio de Faria Rodrigues é arquiteto e urbanista, funcionário da Prefeitura de Mogi das Cruzes desde o ano de 2001 e secretário municipal de Planejamento e Urbanismo desde 2017.