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Bispo de Mogi entrega ao papa denúncias de ameaças e pressões eleitorais no Brasil

O presidente da Regional Sul 1 da CNBB e bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, foi o portador de um documento da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns solicitando o apoio do papa Francisco para que a sociedade brasileira possa exercer o direito fundamental “de escolher um […]

Por O Diário
23/09/2022 15h12, Atualizado há 47 meses

O presidente da Regional Sul 1 da CNBB e bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, foi o portador de um documento da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns solicitando o apoio do papa Francisco para que a sociedade brasileira possa exercer o direito fundamental “de escolher um futuro melhor e mais decente para si mesma”, nas próximas eleições

O documento entregue pelo bispo ao papa, na manhã desta sexta-feira (23), no Vaticano, durante a etapa final da Visita Ad Limina, que dom Pedro Stringhini realiza ao lado de outros bispos paulistas, faz referência às eleições do dia 2 de outubro próximo e denuncia que “os eleitores brasileiros irão às urnas pressionados não só pelas vicissitudes da vida, mas pelas ameaças de ruptura da ordem democrática”.

Segundo a Comissão Arns, “são ameaças que partem de quem parece não aceitar um resultado eleitoral que não lhe favoreça; e que são diuturnamente inflamadas pelo discurso de ódio propagado a partir de gabinetes oficiais, para dividir os brasileiros, jogando uns contra os outros. Que estigmatizam mulheres, afrodescendentes, indígenas, fiéis de distintas religiões, promovendo, sobretudo, o extermínio da juventude negra e pobre, no contexto de um projeto criminoso de armar a população”.

Ao historiar a situação brasileira, o documento da Comissão mostra um Brasil marcado por profundas injustiças, “mas aquinhoado pelo encontro de diferentes raças”, que enfrenta momentos difíceis, com o desemprego alcançando milhões de pessoas, a fome voltando aos lares, 690 mil vidas perdidas para a Covid-19, além da violência explodindo no campo ou na cidade. “Nossas florestas continua a ser consumidas pelas queimadas, pelo contrabando de madeira, mineração desenfreada que contamina os rios, mata os peixes, envenena as pessoas”, diz o documento, onde afirma que “o Brasil teria tudo para abraçar um projeto de futuro promissor, voltado ao bem comum, com inclusão, justiça social e solidariedade”.

Assinado pelo presidente da Comissão Arns, advogado José Carlos Dias, pela presidente de honra, Margarida Genevois,  o documento conclui, fazendo referência às palavras ditas pelo papa Francisco, durante visita a Aparecida, no Vale do Paraíba, quando  ele exortou aos brasileiros “a importância de manter a coragem, de viver a fé quando o desânimo nos abate e de impedir que a esperança se apague nos corações. Vossa mensagem segue viva entre nós, e nos dando forças para ir adiante na luta pelos direitos humanos de todos e, em particular, dos injustiçados e vulneráveis.”

 

Apresentação

No encontro, em que o bispo de Mogi sentou-se à direita do papa Francisco, dom Pedro Stringhini falou em nome de 42 dioceses do Estado de São Paulo, localizadas em seis províncias eclesiásticas, três delas representadas na reunião – São Paulo, Aparecida e Sorocaba.

Conforme este jornal já havia antecipado, o religioso inicialmente agradeceu a maneira com que o papa vem conduzindo os destinos da Igreja Católica, na condição de principal autoridade do Catolicismo em todo o mundo, “com seu olhar atento de pastor, preocupado com os rumos da Igreja e da humanidade”.

“Vossa Santidade tem sido fonte de inspiração e de motivação espiritual para os senhores bispos, o clero, e todo o povo de Deus, nas nossas dioceses, muito nos edificando e entusiasmando a predileção e a preocupação de Vossa Santidade para com os pobres, a defesa da nossa casa comum, o planeta Terra, assim como o seu esforço incessante de diálogo para a construção de um mundo de paz”, disse dom Pedro, ressaltando “o quanto somos encorajados pelo paternal estímulo e orientação provindos das mensagens, exortações apostólicas e encíclicas emanadas do magistério de Vossa Santidade”.

O bispo, em seguida, faz uma apresentação de cada uma das províncias eclesiásticas representadas no encontro, buscando mostrar os contrastes  sociais e humanos existentes em todas elas, especialmente em São Paulo.

“Aqui, há um grande paradoxo, pois a realidade atraente e fascinante, grandiosa e economicamente pujante das áreas abastadas contrasta com situações degradantes de extrema pobreza e exclusão das periferias: favelas, moradores de rua, sem teto, desempregados, poluição, violência, falta de saneamento básico e outros serviços essenciais, etc”, disse o bispo, evidenciando que “para a Igreja, aqui está o grande desafio de implementar a pastoral urbana e promover a evangelização na grande metrópole”. 

 

Desafios

Dom Pedro Stringhini revelou ao papa que “nós, bispos, enfrentamos desafios, tais como: a cultura urbana e a evangelização na cidade, a transmissão dos valores cristãos num mundo secularizado, a pluralidade cultural e o trânsito religioso, causado pelos fieis católicos que deixam nossa Igreja” e garantiu que os bispos estão “preocupados e empenhados no cuidado com a formação do clero, das consagradas/os e de um laicato consciente e comprometido. O Sínodo de 2023, na perspectiva de uma Igreja Sinodal, com vistas à comunhão, participação e missão, veio em auxílio de nossas Dioceses e seus planos pastorais”.

Conforme havia antecipado a O Diário, o bispo demonstrou ao papa a preocupação com o trabalho das dioceses paulistas em favor da Amazônia e África do Sul, para onde têm sido enviados representantes para o trabalho pastoral e de apoio social à população mais carente.

Dom Pedro denunciou que na Diocese de Pemba, que fica na região de Cabo Delgado, em Moçambique, o povo e os missionários vivem uma situação de extremo perigo, correndo grande risco de vida, devido a incessantes e violentos ataques terroristas”.

Ao afirmar que o papa era conhecedor da situação por conta do apelo público feito por ele em favor da paz naquela região, “tanto na Páscoa do ano passado quanto, recentemente, por ocasião do triste assassinato, no último dia 6 de setembro, da religiosa comboniana italiana, Maria De Coppi, na missão católica de Chipene”, o representante dos bispos agradeceu ao papa e pediu que ele continuasse a olhar para aquela região conflagrada pela presença de radicais islâmicos;

E, por fim, dom Pedro também falou das eleições brasileiras:

“Invocando a proteção e intercessão de Nossa Senhora Aparecida, contamos também com suas orações pelo Brasil, especialmente neste momento em que se aproximam as eleições. Almejamos que elas decorram em paz, que os resultados sejam reconhecidos e que a democracia seja preservada, na esperança de um futuro melhor para os pobres do Brasil”, concluiu ele.

 

 

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