Enfermeiro Davi Chaves, primeiro imunizado em Mogi, destaca esperança da vacina
O enfermeiro Davi Chaves de Oliveira, que atua na linha de frente do combate à pandemia no Hospital Municipal, foi o primeiro a receber a vacina contra a Covid-19 em Mogi. Grato por ter sido escolhido, ele segue determinado em continuar atendendo pacientes e destaca histórias de fé e superação. Além de alertar para a […]
19/02/2021 14h04, Atualizado há 66 meses
O enfermeiro Davi Chaves de Oliveira, que atua na linha de frente do combate à pandemia no Hospital Municipal, foi o primeiro a receber a vacina contra a Covid-19 em Mogi. Grato por ter sido escolhido, ele segue determinado em continuar atendendo pacientes e destaca histórias de fé e superação. Além de alertar para a necessidade dos cuidados preventivos, as palavras do primeiro imunizado pedem calma e paciência à população e também enviam uma mensagem de esperança, de vitória sobre o novo coronavírus e de “luz no fim do túnel”. A imunização contra o novo coronavírus em Mogi das Cruzes teve início em 20 de janeiro último.
Como se sentiu ao receber a notícia de que seria o primeiro vacinado em Mogi?
Fiquei muito lisonjeado, eu não esperava essa notícia. Recebi como uma benção de Deus. Sou diabético, hipertenso, tenho problemas respiratórios e me considero a prova de um milagre, pois em 2019 fiquei intubado 10 dias no próprio Hospital Municipal de Braz Cubas, onde fui bem cuidado pelos colegas, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e hoje estou aqui, sem nenhuma sequela. Por isso, digo que é preciso servir para ser servido. Sempre falo que temos que fazer o melhor para receber, quando precisar, receber o melhor. Quando meus amigos ficaram sabendo que eu seria o primeiro e que a imunização emfim começaria aos prrofissionais de saúde, foi como a chegada de uma luz no fim do túnel, para todos nós. Enxergamos como o começo do fim.
Eu acredito muito nessa vacina que estamos tomando e peço para todos acreditarem.
Quando recebeu a primeira dose da vacina, o senhor usou a palavra “gratidão”. Ainda prevalece essa sensação?
A palavra gratidão ainda prevalece. O trabalho na pandemia tem sido muito estressante, massante, um clima pesado. Vemos muitas pessoas internadas, conversamos com elas, tentamos dar um pensamento positivo e depois de um ou dois plantões ficamos sabendo que tal pessoa foi intubada ou foi a óbito. É difícil. O clima se torna muito pesado, mas nós, enfermeiros e técnicos de enfermagem tentamos passar para a população o sentimento de que vai dar certo. Por isso sou muito grato por ter sido o primeiro mogiano a tomar a vacina e saber que dias melhores virão.
Teve alguma reação após a vacina?
A vacina não me deu nenhuma reação, graças a Deus. Não senti dor. Até hoje trabalho na linha de frente, no pronto socorro, na triagem, observação e emergência e não havia sido contaminado, diferente de outros colegas de profissão.
Qual foi o momento mais difícil de seu trabalho como profissional da Saúde no último ano? E o mais gratificante?
Nesse tempo de aumento de internações houve muitos casos que nos deixaram bem abatidos. Um deles, no Hospital Municipal de Braz Cubas, foi sobre um pai e uma mãe que estavam em quarentena, certinhos, usando máscara e álcool em gel, e o filho saiu para a balada junto com a namorada, para curtir. Só que a namorada já estava infectada com o corovírus e passou para ele. De manhã, o filho foi para casa e passou o vírus para a mãe. Com sintomas, os dois foram até o hospital, já com a respiração bem prejudicada, e precisaram ser internados, sendo que mãe se agravou, foi entubada e veio a falecer. Foi uma situação muito triste. O filho não seguiu as orientações de não sair para a noitada e se prevenir. Do outro lado, os pais cumpriam a quarentena rigorosamente. Ele perdeu alguém para o resto da vida e isso foi muito triste para todos nós. Ele gritou muito quando ficou sabendo, se jogou no chão… Já os momentos de gratidão são quando os pacientes recebem alta, além da chegada da vacina aos meus colegas de profissão.
Mais de 14 mil pessoas já iniciaram a imunização contra a Covid-19 no município. Qual a importância de não esquecer de tomar a segunda dose? Aliás, o senhor já recebeu a segunda dose?
Não podemos esquecer de tomar a segunda dose, porque não adianta tomar só a primeira. Sem o cumprimento (das duas etapas) não sabemos se a imunização é igual. Depois de 20 dias é fundamental. Dia 11 de fevereiro, exatamente às 17h20, recebi a segunda dose da vacina. É muito gratificante, mas, mesmo depois de tomar, é preciso continuar a prevenção, até acabarmos de vez com a pandemia.
Quando o novo coronavírus não for mais uma ameaça, quais seus planos de carreira? Pretende continuar atendendo?
Quando terminar a pandemia, vou continuar no Hospital Municipal, pois gosto muito de trabalhar lá e da minha profissão, sempre dando o meu melhor. Só a vida social que eu gostaria de mudar. Sair um pouco mais com meus filhos e minha esposa. Hoje, vivo para eles e a família é tudo. Nessa pandemia, percebemos a importância de preservar quem se ama.
De modo geral, como enxerga o combate à pandemia na cidade?
Mogi está de parabéns e trabalhando muito bem contra a Covid-19. Eu digo isso pelo o que vejo no Hospital Municipal, que dá toda cobertura à população, com exames, internações e outros procedimentos. As pessoas são bem tratadas e acolhidas. Elas já chegam frágeis ao hospital, então precisam ser bem acolhidas. É preciso conversar e não deixar os pacientes mais nervosos, pois chegam estressados e com medo sobre o que vai acontecer depois da internação. Não se sabe se vão melhorar ou não, por isso o diálogo é essencial.
Quais os demais aprendizados deixados pela pandemia?
Perdemos tanto tempo na vida, com medo de sorrir, conversar com as pessoas… É preciso dar risada, brincar… Isso faz bem para a vida. Isso é muito importante também dentro do hospital ou em qualquer outro lugar que a gente esteja. Meu conselho é: ‘Tenha calma, não se precipite, não abuse, não é hora de aglomeração, mesmo com o início da vacinação’. Essa doença existe e mata. Temos que nos prevenir, sem ficar indo para noitadas, pois quando a doença bate à porta, a gente vê que ela não está para brincadeira.