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Entenda a “fase crítica” que passa a valer em Mogi na segunda

A partir de segunda-feira (22) passam a vigorar em Mogi das Cruzes medidas ainda mais restritivas no combate à pandemia de Covid-19. Embora não seja chamada de “lockdown”, a “fase crítica”, que valerá por pelo menos 10 dias, vai restringir a circulação de pessoas durante 24 horas e reduzir o acesso aos supermercados. O anúncio […]

Por O Diário
19/03/2021 19h16, Atualizado há 65 meses

A partir de segunda-feira (22) passam a vigorar em Mogi das Cruzes medidas ainda mais restritivas no combate à pandemia de Covid-19. Embora não seja chamada de “lockdown”, a “fase crítica”, que valerá por pelo menos 10 dias, vai restringir a circulação de pessoas durante 24 horas e reduzir o acesso aos supermercados. O anúncio foi feito pelo prefeito Caio Cunha (PODE) – que fará uma live explicativa agora às 20 horas – e pelo secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (19).

Ou seja, a cidade ainda não terá um fechamento total, embora isso já tenha sido solicitado por Naufel. “Após uma semana com mais de 100% de internação intensiva e com o agravamento da falta de kits de intubação que se avizinha, solicitamos ao prefeito que endurecesse as medidas”, disse. 

Aliás, para o secretário, o pior ainda está por vir. “A gente aguarda uma piora da situação nos próximos dias”, disse ele, ao reforçar que a cidade já estava há oito dias com mais de 100% de ocupação nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Naufel citou que o Hospital Municipal de Braz Cubas tinha, recentemente, 159 pacientes internados, sendo que podia receber no máximo até 124. E mostrou que a situação de 2021 é pior que a do ano passado. “Antes tínhamos 77 leitos de UTI habilitados, e o máximo que alcançamos foi 87% de ocupação no pico. Hoje nós dobramos o número de leitos e estamos com mais de 100%. Naquela época demoramos cinco meses para chegar a nesse número, e agora alcançamos 100% em 50 dias, sendo que o número de leitos dobrou”, disse.

Para o prefeito, a prioridade é “dar fôlego tanto para atendimentos quanto para evitar que a falta de espaço possa prejudicar vidas”. Apesar disso, cravou: “Mogi não vai entrar no tal do lockdown”. Para Cunha, de nada adianta o município se tornar uma “ilha”, e esta medida só seria interessante quando toda a região a adotasse (leia mais na página 10).

“Nossa cidade é muito conectada com o Alto Tietê. E quase 30% da população de Mogi trabalha em São Paulo, então não adianta fazer isso sozinho. Mas vamos sim aumentar restrições”, destacou.

O foco dele está, neste momento, em “salvar vidas”, garante. “Eu prefiro que muitas pessoas fiquem chateadas comigo, que muitas pessoas continuem a me criticar, do que ter a infelicidade da notícia de que uma pessoa não conseguiu ser atendida em um hospital em Mogi. A solução não está em leitos de UTI. A solução é vacina e distanciamento social. Precisamos brecar o contágio dessa maldita doença”.

De acordo com Cunha, a principal diferença da “fase crítica” para o fechamento total está relacionada a três fatores: transporte, supermercados e postos de combustíveis, que por enquanto seguem operando normalmente.

“Nosso maior gargalo hoje é a circulação de pessoas. Tem muita gente ainda circulando pela cidade, muita gente indo para as praças, para as pistas de caminhadas, se amontoando e aglomerando em supermercados”.

Na visão dele, “as pessoas perderam o medo que tinham há um ano” e é por isso que terão que lidar, a partir de segunda-feira (22), com as medidas que estão listadas a seguir.

Entenda as principais mudanças

– Diferente da “fase emergencial”, quando a restrição de circulação é das 20 às 5 horas, na fase crítica essa regra vale “em todos os horários do dia”. Segundo o prefeito, são “24 horas de restrição”, e só devem sair de casa as pessoas que “de fato precisarem ir ao supermercado, à farmácia, ao hospital ou fazer alguma coisa muito necessária e importante”.

– Supermercados podem abrir por 24 horas, mas com restrição no “acesso das pessoas”. Além de não poder entrar mais de um membro por família, os estabelecimentos podem receber um cliente a cada 20 metros quadrados, ou seja, 50% a menos de quando a cidade estava na “fase emergencial”

– Drive thru será permitido apenas para serviços essenciais. Portanto, ficam cancelados, até segunda ordem, os “bolsões de drive thru” criados nesta semana para o comércio, nas ruas centrais e também em Braz Cubas

– Estão suspensos os cortes de água e luz em Mogi das Cruzes

– A prefeitura promete aumentar “o reforço na fiscalização e na segurança” e diz já ter encaminhado um ofício ao Governo do Estado para seja disponibilizado “mais efetivo para Mogi”, de modo que “junto das Polícias Militar e Civil” a cidade possa “criar a sensação e a presença efetiva de segurança nas ruas”, onde há registro de “aumento de assaltos e roubos”

– Ainda sobre fiscalização, embora a prefeitura “prefira o diálogo” a ações “mais rígidas”, as pessoas que saírem de casa “serão abordadas e questionadas”. Se for necessário, “terão que provar para onde estão indo”

 

Para Cunha, “falta iniciativa” para lockdown

“Não vamos dar lockdown porque o mogiano não pode mais uma vez ser prejudicado por falta de iniciativa do estado e de outras cidades. (Isso) só faz sentido a medida outras cidades decretem”, disse o Prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE) em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (19) para justificar a “fase crítica” que passa a valer na segunda-feira (22). 

Por que então a cidade não lança essa campanha e inicia o movimento? Essa foi a pergunta feita pela reportagem de O Diário para o chefe do Executivo, que disse que “não pode obrigar” qualquer ação de outras administrações municipais. “Eles decidiram fazer algo mais brando, que é simplesmente antecipar os feriados para a próxima semana”, lamenta. 

Aliás, os feriados não serão antecipados em Mogi das Cruzes, como foram na capital paulista. “Não podemos pensar no que A ou B vão fazer”, cravou Cunha, que promete avaliações constantes da situação da cidade, que se necessário “pode vir a lockdown”. Ele, aliás, pede uma posição do Governo do Estado sobre a situação regional. 

Hospital de campanha

Uma das ações mais pedidas nas redes sociais é a instalação de um novo hospital de campanha na cidade. Em um post recente no Facebook, Caio Cunha disse estar estudando o assunto, o que foi confirmado na coletiva de imprensa por Naufel. 

“Realmente fizemos uma visita lá. As obras estão bem adiantadas por dentro, mas temos problema de entrega de material. Seria inviável antes de uns dois meses, mas não é algo totalmente descartado”, disse o secretário. 

Já o prefeito, que “espera não precisar” recorrer a este tipo de medida, disse que já há “equipamento sendo construído” no Ginásio Municipal. “Obviamente falta algumas coisas mas há tubulação dos gases”, disse, mas não deu prazos ou outras informações. 

 

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