Especialistas reforçam a importância da 2° dose da vacina
O biomédico Gustavo Pacca defende maior investimento em campanhas de informação para alertar a população sobre a necessidade de tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19 e completar a imunização. Ele acredita que essa é uma forma de estimular as pessoas a retornarem para completar o processo e não pôr tudo a perder. […]
11/06/2021 12h14, Atualizado há 60 meses
O biomédico Gustavo Pacca defende maior investimento em campanhas de informação para alertar a população sobre a necessidade de tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19 e completar a imunização. Ele acredita que essa é uma forma de estimular as pessoas a retornarem para completar o processo e não pôr tudo a perder.
O quadro de faltoso é preocupante. O biomédico entende que, além de reforçar a divulgação, é importante que os municípios façam o rastreio dos atrasados, que na região atinge cerca de seis pessoas (veja nas páginas 8 e 9).
No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que 1,5 milhão de pessoas não retornaram para a 2ª dose no intervalo estabelecido para as vacinas, que é de 84 dias para a Astrazeneca, e de 14 a 28 dias para a Coronavac.
Dentro do perfil dos grupos vacinados até agora, a maior parte dos que não completou o ciclo é idoso, e mais vulnerável ao coronavírus porque quanto maior a idade, menor a resposta do sistema imunológico, deixando pessoa mais predisposta a ter complicações com a doença.
“A segunda dose é fundamental para que os anticorpos fiquem mais estáveis, e mesmo com as duas doses, é preciso que todos saibam que a vacinação não é blindagem contra o vírus. A vacina é um estímulo ao nosso sistema imunológico para produzir anticorpos, mas não significa que a pessoa está fora de perigo. A grande maioria que adquire a imunidade pode entrar em contato com o vírus e ficar com alguns sintomas. A vantagem é que terá chance menor de internação ou de intubação”, esclarece.
Há pesquisas e estudos que continuam sendo realizados por cientistas, que não descartam a necessidade, inclusive, de uma terceira dose para manter a imunização. Pacca cita o exemplo da gripe H1N1, que também envolve um vírus respiratório, cuja vacina só garante a proteção temporária, motivo pelo qual a pessoas tem que repetir o processo todos os anos.
As orientações sobre a necessidade de reforço de vacinas contra a Covid-19, segundo o biomédico, são baseadas em pesquisas feitas antes de ser avaliado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que só aprovou a aplicação das vacinas na população após confirmar a realização de várias etapas de testes, para medir os anticorpos que demonstraram como o organismo reage a cada dose do medicamento
Ele observa também que os riscos são maiores ainda diante dos baixos índices de imunizantes aplicados até agora na população no Brasil.
O profissional reafirma que não é o momento de baixar a guarda e orienta as pessoas a não abdicar de uso de máscara, distanciamento social e uso do álcool gel.
5,9 mil pessoas não tomaram a 2ª dose
Região faz busca ativa para completar imunização em cidades como Mogi, onde 1,3 mil moradores não retornaram aos postos para concluir processo considerado fundamental para conter vírus
Os dados consolidados até quinta-feira (10) demonstram que um total de 328.763 pessoas já tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19 nos municípios do Alto Tietê, o que representa 19,67% da população de uma região com 1.670.646 habitantes, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2020. A segunda dose foi aplicada em 145.600 moradores (8,71%).
Porém, até agora, mais de 5.984 mil pessoas que já passaram pelo primeiro procedimento, ainda não retornaram para a segunda dose nas nove cidades da região. Só não estão contabilizados os dados da prefeitura de Santa Isabel, que não divulgou a informação.
A quantidade de faltosos é motivo de preocupação para especialistas da área, que alertam sobre os riscos de infecção para quem não cumprir o intervalo entre as duas aplicações da vacina: Astrazeneca, 84 dias, e de 15 a 28 para a Coronavac.
Para garantir a imunização completa, as prefeituras informam que as unidades de saúde estão entrando em contato com os atrasados para orientá-los a procurar os postos.
Guararema não registra faltosos porque a gestão afirma manter um controle da lista daqueles que precisam do reforço, e quando não comparecem, os moradores são procurados em casa para reagendar nova data.
Em Mogi das Cruzes, cidade com 450.785 habitantes, 102.257 pessoas tomaram a primeira dose de vacina, o que representa 22,68% da população.
O complemento final foi aplicado em 47.875 indivíduos (10,6%), sendo que 1.300 (0,28%) não retornaram para fechar o ciclo. Esse número de faltas tem sido o mesmo há algumas semanas, segundo informações repassadas a O Diário, o que indica a dificuldade em se convencer esse pública a tomar a dose completa, e reduzir esse número.
A Secretaria Municipal de Saúde alega que os motivos das faltas são diversos e envolvem idosos em situações pontuais, como por exemplo, problemas de saúde.
A Pasta esclarece ainda que abre novas vagas diariamente e quem tiver dificuldade no acesso on-line, on Clqiue Vacina, o cidadão pode ligar no 160, que terá a agendamento concluído.
.A ausência no público na última etapa da vacinação – que tem a eficácia potencializada apenas com as duas aplicações, tem despertado a preocupação das autoridades, sobretudo porque as primeiras pesquisas mostram uma considerável queda no número de casos graves e de internações entre os idosos que foram os primeiros a receberam a imunização.
Pesquisas ainda estão sendo feitas, mas estima-se que a proteção imunológica pode reduzir em até 95% as mortes por Covid, como indica o estudo feito na cidade paulista de Serrana, onde toda a população já recebeu as duas doses da CoronaVac, a vacina produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo.
Segundo balanço do Ministério da Saúde, mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram aos postos de saúde para concluir a imunização.
Conselho alerta idosos
A vice-presidente do Conselho do Idoso, Juraci Fernandes (foto), informou que o órgão não tem como identificar as pessoas que não retornaram para recebe a segunda dose do imunizante, porque nesse período de pandemia, os serviços públicos voltados à população idosa estão suspensos, exceto os de abrigamento. Nos abrigos, todos já foram vacinados com as duas doses. “Sabemos que muitos tiveram reação da vacina e isso acabou assustando. Nossa orientação é para que todos, sem a dose final, procurem um posto de saúde e complemente sua vacinação para garantir a efetividade esperada.
Cuidados são mantidos
A professora aposentada Amair de Campos Padgurschi tomou as duas doses do imunizante e entende que é importante completar o ciclo para reduzir a circulação do vírus. “Com essa redução, menos pessoas doentes, menos mortes, menos possibilidades de surgirem novas variantes, às vezes mais agressivas. Não podemos tomar uma dose e sair por aí sem ‘lenço e sem documento’ e depois dizer que a vacina não vale para nada. Não é assim que funciona!”, afirma. Mesmo com após a segunda dose, ela segue os protocolos de segurança: uso de máscara, distanciamento social, lavar as mãos e usar álcool em gel, já que ainda existe o contrair a doença e transmiti-la aos não vacinados.Amair aconselha as pessoas faltosas a procurar os locais de vacinação o quanto antes para receber o reforço. “A Prefeitura de Mogi indica os locais onde as vacinas estão disponíveis. Vá o mais rápido possível. Não ouça mentiras espalhadas para apavorar a população. Se vacinamos as crianças, não podemos dar maus exemplos e fugir da vacina!”, alerta.