Esse ano eles terão Natal
Após um ano marcado pelo avanço da vacinação da população mundial, o Natal de 2021 se torna uma data simbólica para renovar as esperanças sobre o fim da pandemia do coronavírus. Até o último dia 20, já foram 326.441 pessoas vacinadas com as duas doses em Mogi das Cruzes, segundo dados da Secretaria Municipal de […]
24/12/2021 09h48, Atualizado há 56 meses
Após um ano marcado pelo avanço da vacinação da população mundial, o Natal de 2021 se torna uma data simbólica para renovar as esperanças sobre o fim da pandemia do coronavírus. Até o último dia 20, já foram 326.441 pessoas vacinadas com as duas doses em Mogi das Cruzes, segundo dados da Secretaria
Municipal de Saúde, fato que tem possibilitado os reencontros neste final de ano para as comemorações, mas não dispensando os cuidados preventivos que continuam necessários.
Com a chegada da pandemia em março de 2020, muitos hábitos precisaram ser reformulados, buscando diminuir cada vez mais o contágio pelo coronavírus. Os novos costumes incorporados à rotina – como uso de álcool gel, máscaras, distanciamento social, entre outros -, seguem inclusos na sociedade, demonstrando não ter previsão de serem eliminados das práticas cotidianas.
Durante o primeiro ano de pandemia, apenas na região foram registrados cerca de 560 óbitos, de acordo com a pasta, provando a gravidade da doença e relembrando que muitas famílias irão passar este Natal e Ano Novo sentindo a ausência de um ente querido. A realidade marca até aqueles que, felizmente, não perderam familiares ou amigos, reforçando o sentimento de união e valor de estarem uns com os outros.
Em dezembro do último ano, embora o Estado de São Paulo estivesse com as fases de restrições um pouco menos endurecidas, os dados sobre os casos de infectados em Mogi e internações causadas pela doença no Hospital Municipal, em Braz Cubas – referência no tratamento da Covid na região -, ainda registrava números preocupantes, mas comparados com os dados deste mês já é possível perceber a eficácia da vacinação.
Durante este período, muitas famílias enfrentaram um Natal fora do comum por terem um parente internado ou em isolamento contra a proliferação do vírus. Entre os dias 21 e 27 de dezembro de 2020, conforme dados da secretaria, a cidade registrava 469 casos de mogianos infectados. Apesar das recentes informações que continuam a circular sobre a variante do vírus, a Ômicron, Mogi segue registrando baixos índices de casos. Entre os dias 13 a 19 deste mês foram somente três notificações.
Não dispensando os cuidados, para um Natal de união e mais seguro, ainda são necessários o distanciamento, controle de pessoas para evitar aglomerações e uso do álcool gel e máscara.
Natal de recomeços
Especialmente para a família de Marcelo de Lima Mendonça, de 61 anos, as festas foram bem diferentes do habitual, quase passando despercebidas em 2020 em razão do coronavírus. Atuando como músico em eventos, Marcelo conta que após o término de um trabalho percebeu os primeiros sintomas, necessitando ir ao médico no dia 23 de dezembro, já com a suspeita de Covid.
“Na época, o resultado do teste PCR demorava pelo menos dez dias para sair, só que neste intervalo eu piorei a ponto de mal conseguir andar. Tinha certeza de que era a Covid. Voltei ao hospital e imediatamente já fui encaminhado para uma tomografia”, conta Marcelo, sobre as primeiras semanas com a doença, acrescentando que o primeiro exame já mostrava 50% do pulmão comprometidos, exigindo internação imediata.
Logo após os primeiros dias de sintomas do esposo, Elisangela Aparecida Mendonça, 58, também percebeu ter contraído a doença e a tradicional ceia de Natal da família – que inclui o filho adolescente de 16 anos -, na casa de parentes, precisou ser substituída por uma refeição a três com esforço extra para manter o distanciamento do filho.
“Nos primeiros dias, ainda sobrava um pouco de disposição, então consegui preparar uma ceia para nós três em casa, mas precisei avisar minha irmã que não poderia passar o Natal com ela como de costume. Não poderia arriscar”, relata Elisangela. Com dois dias de diferença do marido, foi no dia 25 de dezembro, no Natal, que a balconista descobriu a suspeita de Covid depois de ir ao hospital.
Enfrentando a doença durante as últimas semanas de 2020, o início do ano seguinte prosseguiu exigindo muito do casal, mas felizmente ambos tiveram um final feliz vencendo a Covid. No total, Marcelo ficou 22 dias em internação, chegando a ter 75% dos pulmões comprometidos, mas impossibilitado de ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal, em Braz Cubas, por falta de leito disponível.
“Foram essenciais o método e os tratamentos que os médicos escolheram para recuperar meus pulmões e me ajudar a passar por aquele sofrimento”, ressalta o músico, elogiando os cuidados que teve durante o tempo em que ficou internado.
Assim como Marcelo, Elisangela precisou ser internada, mas passou 7 dias no hospital, voltando para casa, ainda com muita expectativa e preocupação com o esposo, que seguia em tratamento.
Depois da experiência, o músico enfatiza a importância de se respeitar a ciência no atual contexto. “Meu conselho é para que nunca desdenhem de uma doença, a Covid é realmente horrível. Cientistas estão dedicando a vida pesquisando esse vírus para encontrar soluções para a população. O coronavírus não é brincadeira”, conclui Marcelo.
Um ano depois do início da difícil trajetória que o casal enfrentou no Natal de 2020, esse ano, Marcelo e Elisangela estão esperançosos e se alegram em poder celebrar a vida junto dos familiares.