Famílias enfrentam mais períodos sem luz e EDP detalha investimentos em Mogi
Na semana passada, o morador na Estrada do Sato, na Vila Moraes, o aposentado João Evangelista de Oliveira, de 72 anos, teve de deixar a casa onde reside durante os 4 dias de espera pela volta da energia elétrica, porque um dos netos tem problemas de saúde. A alternativa foi ir para a casa de […]
18/08/2022 09h22, Atualizado há 48 meses
Na semana passada, o morador na Estrada do Sato, na Vila Moraes, o aposentado João Evangelista de Oliveira, de 72 anos, teve de deixar a casa onde reside durante os 4 dias de espera pela volta da energia elétrica, porque um dos netos tem problemas de saúde. A alternativa foi ir para a casa de parentes, em Poá, e amargar perdas, como os alimentos congelados que não serão consumidos. Nesta mesma região, conta, residem cerca de 25 famílias, que estão acostumadas com o desabastecimento em períodos de chuva ou ventania. “Sempre que chove, falta energia, vem a manutenção, mas não há um reforço para que a queda de árvores na fiação e os ventos não causem tantos problemas”, reclama João, contando que após o sábado (13), quando “a luz voltou”, na noite de segunda-feira (15), novamente, a energia acabou, embora, felizmente, o retorno tenha sido mais rápido.
Entre os dias 10 e 12 passado, situação parecida foi enfrentada por moradores de mil pontos de Mogi das Cruzes que ficaram sem energia. A diferença foi que durante esse período a responsabilidade recaiu sobre os ventos fortes provocados pelo ciclone extratropical, que afetou a distribuição da energia elétrica em diversas cidades brasileiras. Na área de concessão da EDP, a empresa somou cerca de 5 mil ocorrências. Ao todo, 390 equipes, garante a concessionária, atuaram sanar os problemas.
O retorno do abastecimento foi feito aos poucos – e moradores de áreas mais afastadas, como o senhor João Evangelista, ficaram até 72 horas às escuras, o que concorre para engrossar prejuízos sociais e econômicos diversificados.
A EDP, por meio de sua assessoria de comunicação, informa que tem realizado investimentos pontuais, em áreas onde as ocorrências são sentidas há tempos, como a Vila Moraes, onde, segundo a empresa, apenas neste ano serão investidos R$ 360 mil na rede de alimentação da energia. “Esses investimentos visam reforçar a rede de energia elétrica para reduzir a probabilidade de desligamentos provocados pelos fenômenos naturais, como chuvas e vegetação, deixando a rede mais robusta, resiliente e automatizada”, trouxe nota.
Já em toda a cidade, os investimentos anunciados para este ano ultrapassam a casa dos R$ 3,3 milhões, de acordo com a concessionária. Esses recursos buscam atender “regiões que sofrem com interrupções de fornecimento de energia elétrica, incluindo as áreas rurais”.
O Diário questionou sobre os planos para conter situações como a do ciclone extratropical, situação que pode estar relacionada a algo maior, o aquecimento climático. Na resposta, a EDP destacou os investimentos feitos em alta tecnoclogia e treinamento de pessoal. Um dos aliados para reduzir o impacto de chuvas mais intensos no verão, acresenta a resposta, é o Centro de Operações Integrado (COI) que monitora, à distância, a rede de geração, transmissão e distribuição de energia, 24 horas por dia e 07 dias por semana. Para esse polo que busca reduzir a espera pelo restabelecimento da energia foram drenados R$ 30 milhões.
Com atendimento em 28 cidades de sua área concessão do Estado de São Paulo, a empresa soma 80 subestações de transmissão e distribuições de energia elétrica – uma rede, segundo a EDP, “suficiente para suportar o consumo de energia atual e para futuras expansões da cidade”, e caracterizadas pela “tecnologia moderna e sistemas de automação e telecomunicações que permitem monitoramento remoto, agilidade no atendimento e manobras automatizadas para recomposição do sistema elétrico”.
Apesar desse panorama, a pergunta do senhor João Evangelista terá resposta apenas no futuro: “Quando é que energia não vai acabar tantas vezes no ano?”, indagou ele à reportagem, lamentando outra exclusão registrada nessas áreas que registram o adensamento urbano em Mogi das Cruzes: “com o sinal fraco de internet, até para reclamar é difícil”.