Festa do Divino: mensagem é de esperança
Para tempos extraordinários, uma devoção extraordinária. É esse pensamento que o padre João Paulo da Silva, mogiano que assumiu em agosto passado o cargo de orientador espiritual da Festa do Divino, criado para representar a presença da Diocese de Mogi das Cruzes na Associação Pró-Festa do Divino. A Diocese e a Associação são parcerias na […]
15/05/2021 08h13, Atualizado há 63 meses
Para tempos extraordinários, uma devoção extraordinária. É esse pensamento que o padre João Paulo da Silva, mogiano que assumiu em agosto passado o cargo de orientador espiritual da Festa do Divino, criado para representar a presença da Diocese de Mogi das Cruzes na Associação Pró-Festa do Divino.
A Diocese e a Associação são parcerias na realização e co-respondem pela organização do festival que chegava a reunir, mais de 300 mil pessoas, segundo os coordenadores, em todas as etapas da programação religiosa, folclórica e social.
Neste ano, por dia, cerca de 450 pessoas, entre devotos, festeiros e o pessoal de retaguarda, que irá transmitir, pelas redes sociais, as celebrações, vão se reunir presencialmente.
Assim como tem acontecido nos templos religiosos, o Plano SP estipula a máxima lotação dos templos em 30% da capacidade.
Apesar disso, o padre Paulo acredita que a participação será garantida pela acompanhamento virtual. Nas missas, na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, compara ele, houve uma fidelização do espectador online. “O mesmo esperamos com as transmissões das alvoradas e novenas”, conta.
“Vamos respeitar tudo o que for pedido, os 30% da capacidade exigida”, porém, acrescenta, a mensagem da festa de Pentecostes será preservada, assim como ocorreu com os preparativos, feitos por reuniões remotas.
Na orientação aos festeiros e aos paroquianos, comentou ele, apesar do quadro de perdas, com as mortes de vitimas da Covid, ele tem defendido que a pandemia pode ser um exemplo do renovação, “da perspectiva, para o bem, para que a gente tenha esperança”.
Ele usa como figura de linguagem, como explica, a possibilidade de se adotar dois tipos de caminhos: “a pessoa pode ser o cristão urubu, que vai atrás da ‘carniça’, das notícias ruins e que não agregam, que pensa apenas em si próprio e não vai (reflete) sobre o interior do que está acontecendo com o mundo. Ou a pessoa pode ser o cristão águia, aquele que bate as asas, tem a segurança no ar e voa, que faz a sua parte e acredita em Deus, na possibilidade de mudança”, afirma, argumentando que “na história da humanidade, Deus nunca se fez indiferente, à realidade do mundo, Ele não está se fazendo indiferente, mesmo agora”.
Apesar de citar as notícias ruins, o religioso afirma que não se trata, aqui, de negar as informações, mas de apenas se “alimentar das más informações, nós devemos estar cientes, da realidade, do que está acontecendo, não maquiar o que não é real, ou se alimentar, pelas redes sociais, apenas sobre o que é ruim, e não cuidar da vida interior, do que me faz bem, é nessa que eu falo. Até hoje (quando as missas voltam a ter parte do público presencial), quando eu vou despedir da missa, fica em casa, e se cuida”.
A festa, para o padre, precisa alimentar os dons divinais – a sabedoria, caridade e outros. E cita que o aumento da procura por cestas básicas mais do que dobrou na paróquia da Vila Industrial. “A distribuição do alimento será ainda mais nePercessária”, comentou, lembrando que a resposta à campanha solidária lançada pela Festa do Divino, que arrecadou mais de 7 toneladas de comida nas carreatas, faz parte desse sentido de renovação, que a pandemia pode inspirar.
Dádivas recebidas levam famílias a manter tradição
A devoção ao Divino Espírito Santo marca a história de famílias, que cultivam essa tradição de geração a geração. Breno Tomaz Sousa, de 10 anos, é um desses exemplos. Desde bebê participa das celebrações, com as mesas vestes preparadas para os dias da festa mogiana. Ele sempre atrai as atenções dos padres e festeiros. Foi assim, na noite de quintafeira, na cerimônia do levantamento do mastro e abertura do Império Drive Thru, ao lado da Catedral de Sanana. “É importante manter a fé, porque o Divino tem o poder de ajudar a todos que precisam”, disse ele. Dom Pedro Luiz Stringhini conta que Breno é presença constante em missas e eventos da igreja.
A mãe do garoto, Sandra Cristina Tomaz, devota há muitos anos, lembra que quando estava grávida do garoto, o médico disse que ele corria risco de ter sérios problemas de saúde. Foi então que ela prometeu ao Divino que se o filho nascesse bem, o levaria para a festa vestido com roupas de anjo
Conseguiu a graça e seguiu esse rito por quatro anos, até que Breno começou a pedir para usar as roupas parecidas com trajes de coroinhas. “Nada é forçado, pelo contrário, é o próprio Breno que faz questão de sair assim. Ele tem fé e quer participar de tudo. Fico muito feliz por ele seguir essa tradição de fé”, relata.
Outras crianças também participaram do cortejo ao lado dos pais e avós. Alguns carregavam a própria bandeira. Muitos devotos acompanharam a programação para agradecer bênções como a de Breno. Neste ano, a participação do público será restrita. Na abertura, convidados acompanharam os festeiros e dom Pedro. No dia a dia, uma opção será a visita ao Império Drive Thru, por onde os devotos passarão de carro, instalado em frente ao Centro Cultural, na Praça Coronel Almeida. Ali, poderão deixar seus pedidos.
Um forte símbolo da “morada do Divino”, o espaço não ficará aberto 24 horas por dia, porque o Plano SP mantém o toque de recolher à noite.
Visita à folia e aos doentes
Um encontro entre os festeiros Alecxandra e Mauro de Assis Margarido e os integrantes da Folia do Divno, de Biritiba Ussu, revisitou o passado. Os preparativos para a Festado Divino eram marcados pelas idas dos organizadores aos sítios e casas mais afastadas da região central de Mogi das Cruzes para o recebimeto de doações, como os ingredientes para fazer os doces servidos aos devotos, de graça.
Esse ritual ainda persiste, de alguma maneira, com as passeatas noturnas, que foram eliminadas, provisoriamente, por causa da pandemia.
A folia e os violeiros sempre acompanharam os festeiros nas alvoradas, na quermesse, na Entrada dos Palmitos. Uma outra visita que será repetida este ano, com a presença do Santíssimo, será em frente aos hospitais, que estão atendendo pacientes com a Covid-19. Levar a bandeira e bênçãos aos doentes é um dos símbolos desta celebração.
Programação
5 horas
Alvorada – De hoje até o dia 23 (domingo), com lugares agendados, na Catedral de Sanana
19 horas
Novena – Todas as noites, com lugares agendados, na Catedral de Santana
Carreata dos palmitos
Será simbólica, segundo os organizadores, uma carreata programada para ocorrer no próximo sábado, quando anteriormente acontecia a Entrada dos Palmitos, um cortejo que lembrava a chegada dos moradores da região da Serra do Itapeti ao núcleo central da Mogi das Cruzes de antigamente, com fardos de alimentos produzidos na roça.
A Entrada dos Palmitos era o ápice do aspecto popular, com a concentração festeiros, devotos, estudantes, carrros de bois e cavaleiros, além de grupos de congada e moçambique.
A concentração dos carros será na rua Ricardo Vilela. Os participantes percorrerão ruas centrais, até a Catedral de Santana, onde o bispo, dom Pedro Luiz Stringhini, receberá os fiéis. “Será simbólico e com poucas pessoas”, informa o festeiro Mauro de Assis Margarido.
Questionado se a alternativa não irá promover aglomeração, o que não é recomendado na atual fase do Plano SP, ele diz que a Guarda Municipal será acionada para orientar o público.
Será feito o “afogado do povo”, que será distribuído aos assistidos pela Abomoras e o Instituto Pró+Vida São Sebastião, mesmas entidades que receberão os alimentos e produtos de higiene doados nas carreatas que percorreram as ruas nas últimas semanas.