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Gafes, pedidos de oração e até de casamento marcaram a posse na Câmara de Mogi

De um inusitado pedido de casamento até a transformação do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, falecido em 2001, em deputado e presidente do PL, assim como evocações e agradecimentos a Deus e pedidos de orações ao bispo e a um pastor presentes à solenidade, a posse do prefeito, vice, novos vereadores e a escolha da nova […]

Por O Diário
02/01/2021 10h59, Atualizado há 67 meses

De um inusitado pedido de casamento até a transformação do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, falecido em 2001, em deputado e presidente do PL, assim como evocações e agradecimentos a Deus e pedidos de orações ao bispo e a um pastor presentes à solenidade, a posse do prefeito, vice, novos vereadores e a escolha da nova Mesa Diretora da Câmara foram marcadas por fatos inusitados e gafes que, certamente, arrancariam manifestações das galerias, caso elas não estivessem vazias, por conta da pandemia do novo coronavírus e da Covid-19.

A mais inesperada de todas foi protagonizada pelo prefeito Caio Cunha (PODE), em seu discurso de posse. Após enaltecer o papel da família em sua vida política, Caio contou que a sua relação com a mulher, Simone Margeneth Cunha, era “tão maluca”, que mesmo estando juntos há 21anos, a serem completados neste mês, ele nunca a pedira em casamento, fato lembrado numa recente conversa íntima, em sua casa. “A gente namorou, decidiu e casou”, contou ele, que prosseguiu o discurso falando da relação positiva com Marcus Melo (PSDB), a quem agradeceu muito. Falou da vice, Priscila Yamagami, e agradeceu a Deus, já que “depois da Simone, foi a melhor escolha que pude fazer”.

E, de repente, Caio surpreendeu a todos, quando, voltando-se para Simone, da tribuna onde discursava, disse que “gostaria de aproveitar o momento para te pedir em casamento”. E, diante do espanto da mulher, suplicou, bem-humorado: “Pelo amor de Deus, diga que sim! Não vá me deixar passar vergonha!”. Os presentes aplaudiram.

Mas alguns outros momentos do evento da tarde de sexta-feira merecem ser lembrados. A seguir, alguns deles:

Ex-prefeito

Primeiro a discursar na solenidade, o prefeito que deixava o cargo, Marcus Melo (PSDB), repetiu o que havia dito em entrevista a O Diário: que entregava para Caio Cunha “uma cidade muito melhor do que aquela que recebi em 2017”. Estava perpetrada a discreta alfinetada em seu antecessor o ex-prefeito e atual deputado federal, Marco Bertaiolli (PSD).

E após um rápido balanço de governo, pediu a Deus “sabedoria e discernimento” à futura equipe de Caio para que Mogi continue “bem cuidada e com dias melhores”. E que “sejamos, cada um, a luz dos novos tempos”.

Vice-prefeita

Priscila Yamagami Kähler, a vice ou “co-prefeita”, como é chamada por Caio Cunha, lembrou-se da Santa Irmã Dulce dos Pobres, como modelo a ser seguido por ela em sua vida e na política. E após exaltar a participação feminina no futuro governo, ela destacou as propostas de governo, sonhando para que, no futuro, “por onde passarmos, que o povo diga: “Eu sou feliz”, conclui o discurso desejando um “feliz ano novo e feliz vida a todos nós”.

Protocolo

Muita coisa foi alterada de última hora, no protocolo da solenidade inicialmente divulgado para a imprensa. Como convidado, constava apenas o bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini. Mas acabou convidado também o pastor Márcio Betini, da Igreja Evangélica Adoração e Vida, aliás, um ex-vocalista da Banda Barak, cujo baixista era um jovem parceiro do religioso, de nome Caio Cunha. Também foram incluídos no protocolo os discursos dos vereadores líderes das diversas bancadas do Legislativo, que acabaram fazendo com que a sessão se estendesse por muito mais tempo além do inicialmente previsto.

O decano

Pedro Komura, do PSDB, o mais antigo integrante da atual Câmara, discursou primeiro e lembrou que Caio era o sétimo prefeito que ele viu tomar posse em sua longa carreira de vereador. O comedido Pedro causou surpresa ao apontar Marcus Melo como o prefeito que lhe proporcionou maior facilidade para trabalhar. Fez questão de agradecer Melo por isso e desejar “ótima gestão” a Caio.

Improviso fatal

Representando o PL, o vereador Clodoaldo Aparecido de Moraes cumprimento Marcus Melo e agradeceu por ter sido seu secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, mesmo admitindo haver sido indicado pelo partido. E acabou se confundindo quando, de improviso, evocou o comando do partido para dizer que o PL apoiaria os bons projetos e ideias do governo Caio Cunha para Mogi. Ao ressaltar a unidade de seu partido, ele acabou citando Waldemar Costa Filho, como sempre deputado e presidente nacional da legenda. O ex-prefeito Waldemar Costa Filho, além de governar Mogi por quartro mandatos, nunca foi deputado e, muito menos, presidente nacional do PL. Quem já ocupou esse cargo é o seu filho Valdemar Costa Neto, que não é mais presidente e nem deputado federal. Hoje, o partido é dirigido nacionalmente pelo mogiano Tadeu Candelária e tem como presidente de honra o ex-ministro Alfredo Nascimento. Depois se estender no discurso, ele encerrou agradecendo aos eleitores pela reeleição após uma campanha muito difícil e exaltando a presença de mais mulheres na Câmara Municipal.

Orações

O vereador Edson Santos, do PSD, depois de exaltar a presença feminina no futuro mandato, foi o primeiro a solicitar a intercessão do bispo dom Pedro Luiz Stringhini e ao pastor Márcio Betini Madonado Filho, “pois vamos precisar muito de suas orações”. Também fez questão de dizer que conheceu Marcus Melo “desde os tempos do Banco do Brasil”, onde prestou serviços antes de se eleger vereador, elogiou o trabalho do prefeito que deixava o cargo e cravou um bordão que, a partir daquele momento, seria repetido por vários outros políticos em seus discursos: “Uma vez prefeito, sempre prefeito”.

VOC

Eduardo Ota, do Podemos, foi curto e objetivo, ao ressaltar “como é gostoso ver amigos, integrantes do movimento Vamos Ocupar a Cidade (VOC), criado por Caio Cunha, que conseguiram se eleger. “Gente nova, com novos projetos e que possamos colocar em prática para termos uma cidade melhor”.

Comprando brigas

Depois de confessar estar sentindo o “frio na barriga” que marcou a emoção de sua primeira sessão, quatro anos atrás, Fernanda Moreno (MDB) lembrou seu trabalho pela causa animal (“eu represento seres que não têm voz), os tempos em que foi companheira de Caio Cunha no PV – cuja votação ajudou a elegê-la – e até “as brigas que ele comprou ao meu lado”. Também pediu orações ao bispo e o pastor e se mostrou satisfeita por ter recebido mais duas companheiras – Inês Paz (PR) e Malu Fernandes (Solidariedade) – para comporem a bancada feminina da Câmara nos próximos quatro anos. Agradou a ponto de já ser citada como virtual candidata a presidente da Câmara nos próximos anos.

Auto elogios

Carlos Lucarefski, do PV, depois de agradecer a Deus e a Romildo Campello (presidente do seu partido), familiares e até pastores que teriam ajudado na sua eleição, ele lembrou um mandato anterior de vereador, encerrado com um discurso onde prometia voltar para dar continuidade ao trabalho que havia começado. E garante que voltou “mais forte, mais experiente e com mais vontade de trabalhar.” Prometeu que não será oposição, nem situação, mas adotará uma posição crítica em relação ao futuro governo.

Politizado

O vereador do PT, Iduigues Martins, foi o que mais politizou seu discurso, mas antes foi além do bordão relativo ao prefeito Marcus Melo e garantiu que “uma vez vereador, sempre vereador”, referindo-se ao prefeito Caio Cunha. Primeiro elogiou a TV Câmara por “democratizar a informação”, e não se esqueceu do ex-colega de Câmara, Rodrigo Valverde, que se sacrificou pelo partido “candidatando-se a prefeito e conseguindo a melhor performance da história do PT na cidade”. Comentou sobre a necessidade de se entender o significado da renovação de 70% da Câmara, segundo ele, “um recado da sociedade que está cobrando por mudanças”. Ressaltou a importância da Câmara para o futuro governo e ressaltou os desafios com a pandemia e seus reflexos, como mortes e o aumento do desemprego. Tudo isso traz frutos como o caos social, violência e previu dias ainda mais difíceis com o fim do auxílio emergencial do governo federal, algo que exigirá maior responsabilidade do Executivo e Legislativo.

Dificuldades

Inês Paz, do PSOL, deu continuidade ao discurso politizado, afirmando que ao voltar à Câmara, após 12 anos, vê pela frente um momento muito mais difícil que em 2008. Destacou a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Mulher, ao lado das outras duas vereadoras, falou das dificuldades decorrentes da pandemia e criticou o “negacionismo da Ciência por parte de autoridades autoritárias do País”. E defendeu o diálogo como forma de buscar saídas para crise valorizando as periferias e setores discriminados da sociedade, como o movimento LGBTI e negros.Defendeu a independência do Legislativo, e depois de cobrar solução para o caso da transexual desaparecida, parabenizou o povo argentino pela vacinação contra a Covid e aprovação do aborto. Disse isso sem citar a palavra aborto, mas recitando o bordão feminista: “Nossos corpo, nossa regra”.

Emoção

Visivelmente emocionada, Malu Fernandes, do Solidariedade, falou das muitas dificuldades enfrentadas por ela até chegar à Câmara Municipal, “sem padrinhos ou recursos”. “A minha história não é diferente de outros jovens”, disse ela, ao ressaltar sua disposição de “servir à cidade”, deixando de lado os interesses pessoais em favor do comunitário”. Foi a única a lembrar que a cidade não quer mais “casos de corrupção”, mas melhoria nos indicadores sociais, com mais educação. Pediu mais proteção e liberdade para as mulheres e assumiu publicamente o compromisso de um mandato “aberto e participativo”, voltado para a cidade, seus jovens, a educação e mais justiça social.

Compromissos

Osvaldo Silva, do Republicanos, lembrou sua chegada à cidade, em 2013, como pastor evangélico; sua primeira experiência política, em 2016, como suplente que chegou à Câmara; até sua recente eleição. Prometeu honrar cada voto recebido e seus compromissos. “Juntos poderemos promover uma nova história para Mogi”.

Botujuru

O vereador Juliano Botelhho (PSB), que chegou a ser chamado de “Juliano Abe” durante a sessão, agradeceu inicialmente a Deus “que ouviu as orações de minha mãe”, lembrou de sua cidade, no interior de Minas Gerais, e fez questão de lembrar ao apoio recebido do vereador Maurinho do Despachante”, durante o período em que esteve desempregado, no início do ano passado. Agradeceu à TV Câmara, ao pessoal que trabalha na copa da Câmara “deixando o ambiente agradável” e, em nome do Dr. Chico (ex-vereador Chico Bezerra, presidente do PSB), agradeceu também aos candidatos do PSB que ajudaram na sua eleição. Lembrou do Botujuru que, em 1995, acolheu sua família, “que desceu do ônibus com seis sacolinhas de roupas e com a roupa do corpo, um bairro que era pura terra batida e que chegou à excelência de hoje. Recitou um versículo bíblico e encerrou: “Fiquem com Deus e tamo junto!”

 

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