Câmara alerta para aumento de crianças e adolescentes nas ruas e semáforos de Mogi
A presença de crianças e adolescentes em alguns cruzamentos movimentados da cidade começa a ser observada com maior frequência nas últimas semanas. Eles ficam próximos a semáforos na área central e em outros pontos estratégicos para pedir dinheiro aos motoristas. Muitos vendem balas, biscoitos, chocolates, água e outros produtos e dizem que precisam desse reforço […]
15/03/2021 17h55, Atualizado há 64 meses
A presença de crianças e adolescentes em alguns cruzamentos movimentados da cidade começa a ser observada com maior frequência nas últimas semanas. Eles ficam próximos a semáforos na área central e em outros pontos estratégicos para pedir dinheiro aos motoristas. Muitos vendem balas, biscoitos, chocolates, água e outros produtos e dizem que precisam desse reforço para ajudar a alimentar as famílias.
Os pontos onde esses menores são vistos com maior frequência é na região do Mogi Shopping, na avenida Narciso Yague Guimarães, no Mogilar, centro e locais movimentados aos finais de semana, como na Avenida Perimetral, na altura de Braz Cubas, expondo-as a riscos e vulnerabilidade social.
Tem um deles que sempre é visto perto do Terminal Rodoviário, no Mogilar, com uma placa no pescoço escrita “Tenho Fome”.
A presença deles em locais próximos da Câmara Municipal chamou atenção dos vereadores, como no caso do presidente da Comissão Permanente de Assistência Social, Edson Santos (PSD), que decidiu pedir providências à Secretaria Municipal de Assistência Social para que retirem essas crianças desses locais.
A solicitação, apresentada por meio de uma indicação aprovada na semana passada, foi encaminhada também ao prefeito Caio Cunha (PODE).
“Temos observado o aumento do número de menores nos semáforos da cidade. Isso é um perigo para as crianças que estão expostas e ficam mais vulneráveis, além de questões que envolvem a exploração do trabalho infantil. A Prefeitura tem que ter um olhar de atenção para essa situação”, argumenta Santos.
Na avaliação dele, o Município precisa investir em políticas públicas e desenvolver programas específicos para esse público. “Não adianta apenas levar para casa, porque se estão nas ruas é porque não têm o que fazer no bairro, e estão com problemas nas famílias, que muitas vezes usam os menores para o trabalho infantil”, reforça.
Ele disse ainda o que mais chama atenção “e incomoda” é o tamanho das crianças sozinhas nas ruas. “Algumas são muito pequenas e não devem ter nem 10 anos ainda”, observa Santos.
No documento encaminhado à secretária municipal de Assistência Social, Celeste Xavier Gomes, o vereador reforça a necessidade de intensificação do serviço de abordagem nesses cruzamentos e a intensificação de Programas e campanha preventivas de conscientização
Ele alega ainda que esse quadro é reflexo do crescimento do desemprego em virtude da pandemia, o que impacta na situação de vulnerabilidade sócio econômica das famílias e por consequência proporciona efeitos negativos no crescimento do trabalho infantil, e além da exposição física tem também a exposição sanitária.
A Prefeitura de Mogi, por usa vez, esclarece que realiza busca ativa e campanhas permanentes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que integra a Política Nacional de Assistência Social, com objetivo de promover ações de proteção às crianças e adolescentes para divulgar e combater o trabalho infantil.
“Diariamente, equipes de abordagem percorrem os principais pontos da cidade, em diferentes horários, para prestar atendimento e encaminhamento necessários às crianças e adolescentes, o que inclui o contato com as famílias”, enfatiza a pasta em nota encaminhada a reportagem de O Diário.
O Serviço de Abordagem Social Especializado em Crianças e Adolescentes pode ser acionado pelo telefone 9 7185-0076.