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Câmara de Mogi aprova moções em repúdio às declarações do deputado Arthur do Val

A Câmara de Mogi das Cruzes aprovou, na sessão desta terça-feira (8), duas moções em repúdio às declarações do deputado estadual Arthur do Val, conhecido como ‘Mamãe Falei’, sobre as mulheres ucranianas, que ganharam grande repercussão internacional. Durante viagem à Ucrânia, o parlamentar enviou um áudio para amigos em que afirmava que as mulheres ucranianas […]

Por O Diário
08/03/2022 17h16, Atualizado há 53 meses

A Câmara de Mogi das Cruzes aprovou, na sessão desta terça-feira (8), duas moções em repúdio às declarações do deputado estadual Arthur do Val, conhecido como ‘Mamãe Falei’, sobre as mulheres ucranianas, que ganharam grande repercussão internacional.

Durante viagem à Ucrânia, o parlamentar enviou um áudio para amigos em que afirmava que as mulheres ucranianas “são fáceis, porque são pobres”, além de outras afirmações que ganharam repercussão negativa.

Os dois documentos têm praticamente o mesmo teor e fazem críticas ao conteúdo do áudio que se tornou público na última sexta-feira (4). O PODEMOS, partido ao qual Arthur do Val era filiado, aceitou o seu pedido de desfiliação nesta terça-feira (8).

A primeira moção aprovada tem as assinaturas de todos os 23 vereadores da Casa e a segunda é de iniciativa da bancada do PODEMOS na Casa, formada pelos vereadores Maurino José da Silva, Eduardo Hiroshi Ota e Johnross Jones Lima, que também assinaram o primeiro documento ao lado dos demais parlamentares.

O assunto gerou longas discussões no plenário durante a sessão desta terça-feira (8), com posicionamentos de vários vereadores, lamentando as declarações feitas pelo parlamentar consideradas um desrespeito não apenas às mulheres ucranianas, mas a todas, de modo geral, como destacou a vereadora Inês Paz (PSOL). “A fala reflete o pensamento dele e agrediu todas as mulheres. Precisa ser cassado”, frisou a parlamentar.

A mesma opinião foi compartilhada pela vereadora Malu Fernandes (PODEMOS). “Realmente, este é o pensamento dele mesmo. O deputado tentou se justificar depois, mas a situação ficou ainda”, avalia.

A terceira parlamentar na Câmara, Fernanda Moreno (MDB) disse que está indignada com as declarações. “É muito triste porque reflete o pensamento, a forma de enxergar as coisas”, lamentou.

A bancada masculina também se manifestou contrária às declarações. O vereador Juliano Botelho (PSB) disse que quando um político se comporta desta maneira, todos são julgados. “É vergonhoso para a classe. Gostaria que ele fosse expulso do partido”, disse.

Diante da repercussão do caso, Edson Santos lembrou que, com as declarações, o deputado conseguiu que a maioria das câmaras municipais do país fizesse moções para repudiar sua atitude. “Ele foi eleito pelas redes sociais. Não tem um eleitorado que realmente o conheça”, completou.

A moção de repúdio, assinada pela totalidade de vereadores, segue posição anunciada pela 17ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
 
A bancada do PODEMOS, partido ao qual o deputado era filiado até esta terça-feira (8), também criticou a postura do parlamentar. A moção proposta pelo grupo e aprovada na sessão afirma que “…tais atos não representam os princípios do partido. O fato se torna ainda mais gravoso diante do conflito bélico, que intensifica a vulnerabilidade de milhares de pessoas, principalmente mulheres, crianças e idosos”.
 
Líder do partido na Câmara, Maurino classificou a situação envolvendo o deputado como uma barbárie. “Ele não representa a grandiosidade nem os ideais do partido”, disse. Eduardo Ota também lamentou o ocorrido. “A postura do deputado não representa nosso partido”, considerou. Johnross foi outro que desaprovou a atitude de Arthur do Val. “Esse pensamento de coisificação da mulher, infelizmente, está na sociedade. Deixo minha solidariedade a todas as mulheres que se sentiram ofendidas”, finalizou.

 

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