Câmara de Mogi aprova moção de repúdio a filme de Danilo Gentili e Fábio Porchat
A polêmica envolvendo o filme “Como se tornar o pior aluno da escola”, com Danilo Gentili e Fábio Porchat, chegou à Câmara de Mogi das Cruzes e rendeu discussões na sessão desta terça-feira (15). O Legislativo mogiano aprovou moção de repúdio, apresentada pelo vereador Maurino José da Silva (PODE), o policial Maurino, ao longa metragem […]
15/03/2022 17h44, Atualizado há 53 meses
A polêmica envolvendo o filme “Como se tornar o pior aluno da escola”, com Danilo Gentili e Fábio Porchat, chegou à Câmara de Mogi das Cruzes e rendeu discussões na sessão desta terça-feira (15). O Legislativo mogiano aprovou moção de repúdio, apresentada pelo vereador Maurino José da Silva (PODE), o policial Maurino, ao longa metragem produzido em 2017, mas que entrou para o catálogo da Netflix em fevereiro deste ano.
Também hoje (15), o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou, em caráter tutelar, a suspensão imediata da exibição do filme. A multa em caso de descumprimento ao parecer da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), em cinco dias, é de multa diária de R$ 50 mil. A suspensão foi aplicada “tendo em vista a necessária proteção à criança e ao adolescente consumerista”. Para embasar a decisão, a pasta citou o Código de Defesa do Consumidor e a Constituição Federal
A controvérsia em torno do filme tem origem na cena em que o personagem Cristiano, interpretado pelo ator Fábio Porchat, assedia sexualmente dois meninos. Nas imagens, ele abre o zíper da calça e, em seguida, sugere que um dos garotos toque em suas partes íntimas. No filme, o personagem pedófilo é dono do caderno que o ex-colega, interpretado por Danilo Gentili, roubou para escrever o “guia do pior aluno” e que vai parar nas mãos dos protagonistas.
Na avaliação do autor da moção de repúdio na Câmara de Mogi, o vereador policial Maurino, a sociedade vive momentos distorcidos, em que se perdem os valores das famílias. “Enquanto os pais lutam para ensinar os filhos pelo exemplo, surge um filme com essa situação. Até mesmo o título vai contra ao que esperamos da educação. A faixa etária da obra é liberada para menores. É repugnante”, destacou.
A opinião é compartilhada pelo vereador Osvaldo Silva (Republicanos), que alerta para o perigo do envolvimento de adolescentes em várias questões. “O caráter deles está se formando. Existe essa apologia à pedofilia. Em época que estamos na luta contra o abuso sexual, aparece uma cena dessas. Não podemos aceitar”, lamenta.
A vereadora Malu Fernandes (SD) lembrou que a cada 14 horas, 320 crianças e adolescentes são vítimas de abuso sexual no Brasil e da importância da luta para contra o problema, assim como da denúncia por parte dos menores. “Nosso país é o segundo em exploração sexual de crianças e adolescentes. Estamos construindo a importância das denúncias, sensibilizando a rede pública para identificar esses casos. Uma empresa de repercussão mundial tratar esse problema sério como uma brincadeira é terrível”, considera.
Após a aprovação em plenário, o documento será encaminahdo à secretária municipal de Cultural, Kelen Chacon, e à empresa Netflix Entretenimento Brasil Ltda.
Prefeito
Em suas redes sociais, o prefeito Caio Cunha (PODE) também se posicionou sobre a polêmica envolvendo o filme. Confira abaixo a publicação na íntegra:
“Existem filmes bons. Existem filmes ruins. Existem filmes péssimos. E existem aqueles que, de tão tremendamente péssimos, passam despercebidos nos catálogos dos streamings. De tão irrelevantes, sequer têm seu nome lembrado ou indicado.
Eu nunca assisti ao filme do Danilo Gentili e do Fábio Porchat que está sendo tão criticado. Fiquei sabendo da existência desse filme de 2017 por causa de toda polêmica que começou ontem. Até pensei que fosse um filme novo. Disseram que é de comédia. Mas não dá pra fazer ou achar graça em uma cena que retrata um crime.
A gente sabe que quando algo é criticado, aquilo tem potencial de ganhar mais proporção, por mexer com a curiosidade das pessoas. Esse péssimo conteúdo precisa ser desprezado e condenado? Óbvio! Mas e se a gente aproveitasse toda essa polêmica e energia para conscientizar e ajudar a combater o crime que atinge nossas crianças e que não deve de forma alguma ser normalizado?
Segundo dados do IBGE, um em cada sete adolescentes já sofreu abuso no Brasil. Meninas e meninos do país todo são obrigados, na maioria dos casos, a conviver com os abusadores que, em 90% dos casos, são alguém próximo ou da família. Infelizmente, o abuso de crianças e adolescentes é real. Então, precisamos protegê-los.
É por isso que se faz tão necessário – e valoroso – o trabalho das nossas assistentes sociais e dos zelosos conselheiros tutelares. São eles os verdadeiros guardiões dos direitos das crianças e adolescentes da nossa Mogi. São eles quem lutam cotidianamente contra essa rotina de abusos e maus-tratos.
Como pais, nosso principal dever é zelar pelos nossos filhos. Começa em casa a educação necessária para que as crianças consigam distinguir o que é afeto e o que é maldade. E tudo isso se faz com base na conversa e na confiança.
Desde pequenos, é possível educar nossos filhos para que saibam quem pode ou não tocá-los, e para avisar caso alguém mal-intencionado chegue perto. Enquanto crescem, nossas crianças precisam ser conscientizadas sobre o tipo de conteúdo a que têm acesso quando estão sozinhas. Além disso, a confiança e certeza de acolhimento são fundamentais: seu filho ou filha precisa confiar em você o suficiente para te contar que foi vítima de abuso.
Quanto mais conscientização, mais nossas crianças poderão ser protegidas. Quanto mais cedo um abusador for denunciado, mais poderemos combater esse absurdo.
Um filme ruim não merece ganhar palco. Mas a proteção de nossas crianças e adolescentes precisa estar sempre nos holofotes, como uma prioridade”.