Incêndio na Suzano reforça a importância e eficiência do PAM Alto Tietê
O incêndio ocorrido numa central de aparas de papel da Suzano, por volta de 23 horas da véspera deste Natal, serviu para colocar à prova, mais uma vez, a rapidez e eficiência do trabalho do PAM Alto Tietê. O Programa de Auxílio Mútuo foi criado por iniciativa de algumas das principais empresas da região com […]
07/01/2023 07h15, Atualizado há 43 meses
O incêndio ocorrido numa central de aparas de papel da Suzano, por volta de 23 horas da véspera deste Natal, serviu para colocar à prova, mais uma vez, a rapidez e eficiência do trabalho do PAM Alto Tietê. O Programa de Auxílio Mútuo foi criado por iniciativa de algumas das principais empresas da região com objetivo de disponibilizar recursos humanos e materiais necessários, para assegurar maior eficiência na prevenção e no atendimento a situações de emergências, como incêndios, vazamentos de substâncias químicas ou qualquer outro evento que possa acarretar danos às pessoas, ao patrimônio e ao meio ambiente.
No caso envolvendo a empresa fabricante de papel e celulose, logo que acionado via rádio e WhatsApp, o PAM conseguiu mobilizar 14 pessoas de quatro diferentes empresas que, mesmo a poucos minutos da ceia de Natal, deixaram as comemorações de lado e partiram para o trabalho de apoio às unidades do Corpo de Bombeiros que efetuavam os primeiros combates às chamas concentradas em um depósito de papel, combustível mais que suficiente para se propagar rápida e intensamente.
Mobilizando os primeiros veículos de atendimento a emergências, os integrantes do PAM, todos já conhecidos dos bombeiros em razão de constantes treinamentos conjuntos, logo se integraram ao trabalho, lado a lado com a equipe de brigadistas da própria empresa, para que o incêndio fosse controlado antes de se expandir para outros pontos da fábrica. E o mais importante: impedindo que o fogo produzisse vítimas humanas.
O roteiro da participação dos integrantes do PAM no atendimento às empresas e também à sociedade civil, em casos de emergência, é mais ou menos parecido.
Constatada a ocorrência, o grupo que é integrado por representantes de 17 das mais importantes indústrias da região, além de 13 entidades, como Defesa Civil, hospitais, Samu, EDP e Ciesp, é acionado pelas próprias empresas ou pelo Corpo de Bombeiros. Logo em seguida, o próprio PAM passa a mobilizar os seus integrantes.
Cada empresa associada tem três colaboradores cadastrados junto ao programa, que assinam um termo de atuação e passam a participar como seus representantes legais, ficando encarregados de acionar o grupo de brigadistas via rádio e informar o grau de risco de cada ocorrência, já recebido dos bombeiros, para que seja possível disponibilizar o número correto de pessoas e viaturas que serão deslocados até o local da emergência.
O esquema de acionamento é aparentemente simples, porém eficiente: na portaria de cada indústria associada ao PAM existe um rádio que se comunica diretamente com o Corpo de Bombeiros e com as demais empresas participantes.
Duas vezes a cada dia, religiosamente, esses equipamentos são testados para avaliar as condições técnicas da comunicação. Não bastassem os rádios, existe ainda a possibilidade de comunicação telefônica e, mais recentemente, por um grupo de WhatsApp.
“Todo esse esquema é coordenado pelo Corpo de Bombeiros que, ao receber o chamado para a ocorrência, já informa ao PAM quais as suas principais necessidades, que tanto podem ser ambulâncias e outros veículos, como até produtos químicos e pessoal especializado, dependendo do caso a ser enfrentado”, afirma o atual coordenador do PAM, Cristiano Meirelles, 42 anos, que integra o grupo desde os primeiros tempos de suas atividades na região.
O PAM não se limita a auxiliar somente o setor empresarial. São comuns os chamados para auxiliar os bombeiros em combates a fogo em matas da região, ou a prestar socorro a vítimas de enchentes, entre outros.
Em casos desse tipo, as indústrias oferecem material, equipamentos e pessoal para auxílio direto à comunidade da região onde estão localizadas.
A estrutura do programa sobrevive graças a uma contribuição mensal correspondente a um salário mínimo de cada empresa associada, verba que é aplicada na manutenção de uma estrutura mínima e, principalmente, em constantes treinamentos.
Toda terceira quinta-feira de cada mês, as equipes do PAM se reúnem para trocar informações e realizar vários exercícios de enfrentamento a situações de emergência dentro das empresas ou junto às unidades dos bombeiros de Mogi e Suzano, com participação do pessoal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Nestas oportunidades são treinadas técnicas especiais para diferentes tipos ação, assim como o uso de hidrantes e outros equipamentos de proteção autônoma, como roupas especiais para proteger o brigadista no contato com produtos químicos, por exemplo.
O elevado número de empresas químicas, papeleiras e metalúrgicas na região exige esse tipo de preparação.
“O PAM consegue dar apoio de qualidade com equipamentos e materiais de última geração, além de equipes em permanente prontidão”, garante o coordenador Meirelles, lembrando que os treinamentos nas empresas, com simulados e outras técnicas, permitem que os grupos se integrem e também conheçam as instalações internas e os equipamentos que cada uma delas possui. “Numa emergência, todos já sabem o que aquela empresa dispõe e sua localização, assim como os pontos críticos a serem protegidos prioritariamente”, ensina o coordenador.
Como parte desse programa, a cada ano também são feitos pelo menos 12 simulados de emergência, eventos que podem ocorrer de surpresa, também para testar o poder de reação e o tempo de resposta dos convocados.
O dirigente do PAM evita falar de casos específicos. Prefere afirmar que “cada ocorrência tem sua particularidade, mas todos estão preparados para atender a qualquer tipo de emergência, por pior que possa acontecer”.
Por mais discreto que seja, o coordenador admite que a participação do PAM no combate ao incêndio na Suzano despertou o interesse de outras empresas de se filiarem ao grupo.
“Convidamos, aliás, as empresas da região que ainda não pertencem ao PAM que venham nos conhecer e integrar o grupo, unindo e compartilhando conhecimentos para a preservação da vida, pois emergência não se programa e não tem dia para acontecer. Precisamos estar sempre atentos e com equipes preparadas para qualquer tipo de atendimento, a fim de preservar a vida e o meio ambiente, com um atendimento rápido e eficaz”, assegura Meirelles.
Para isso, basta fazer contato pelo site: pamaltotiete.com.br.
Aos 29 anos, PAM é integrado por 17 empresas e 14 entidades
Criado como uma entidade sem fins lucrativos, em 23 de setembro de 1993, por um grupo de empresas privadas do Alto Tietê, o PAM já foi testado nas inúmeras oportunidades em que foi acionado pelos bombeiros para prestar auxílio a empresas ou até mesmo à comunidade da região, em casos de emergência, como incêndios, vazamentos de gases e enchentes, entre tantos outros.
A sinergia entre as empresas e entidades participantes é apontada como o benefício mais relevante da atuação do PAM para com as empresas e entidades que contam com um sistema de segurança já estruturado “dentro de casa”, o que significa possuir equipes intensamente treinadas e recursos técnicos à disposição.
Mas a grande vantagem – reconhece a entidade – está na soma de experiências e apoio para potencializar os recursos individuais de cada empresa ou entidade.
Atualmente integram o PAM as seguintes empresas: Air Products Brasil Ltda, Brenntag Química Brasil Ltda, Cia. Nitroquímica Brasileira, Comil Cover Sand, Clariant S.A., General Motors do Brasil Ltda, Gerdau Aços Especiais Ltda, Kimberly Clark Brasil (Mogi), KC do Brasil (Suzano), Nadir Figueiredo Indústria e Comércio S.A., Ecoab Química Ltda, Sanofi Aventis Farmacêutica Ltda, Suzano S.A.(papel e celulose), e Susanlog.
Na condição de entidades, também fazem parte do PAM: Ciesp, Bombeiros de Mogi e de Suzano, Defesas Civis de Itaquaquecetuba, Poá, São Miguel Paulista e Suzano, EDP, Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, Petrobrás Transporte S.A., Samu de Mogi das Cruzes e de Suzano, Santa Casa de Mogi e TRS Rádio Ltda.