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João do Prado, que liderou a gráfica de O Diário, morre aos 82 anos em Mogi

Faleceu aos 82 anos, João Batista do Prado, ou João Cachorro, como era conhecido nas rodas do futebol e pelos companheiros de trabalho em O Diário. Ele foi encontrado sem vida pelos familiares, na manhã desta quarta-feira (29) na casa onde residia, no bairro do Socorro, desde a década de 1980. O velório acontecerá nesta […]

Por O Diário
29/12/2021 15h42, Atualizado há 56 meses

Faleceu aos 82 anos, João Batista do Prado, ou João Cachorro, como era conhecido nas rodas do futebol e pelos companheiros de trabalho em O Diário. Ele foi encontrado sem vida pelos familiares, na manhã desta quarta-feira (29) na casa onde residia, no bairro do Socorro, desde a década de 1980.

O velório acontecerá nesta quinta-feira (30), das 6 às 11 horas, no Velório Municipal Cristo Redentor, de onde o corpo será levado para o sepultamento no Cemitério São Salvador, ambos no Parque Monte Líbano, na cidade. Como o aposentado faleceu em casa, exames foram realizados no Instituto Médico Legal (IML) de Mogi das Cruzes para apontar a causa da morte. Ele teve um infarto agudo do miocárdio. Aparentemente, enquanto dormia.

Nascido em Paraibuna, aos 6 anos, ele ficou órfão de pai. Ele e a irmã, Maria, vieram com a mãe, Antônia, morar em Mogi das Cruzes, onde foram criados por ela.

Os dois sustentados pelo trabalho da mãe, empregada doméstica de famílias como a do educador Marcio Alvarenga. A família residiu durante anos na rua Barão de Jaceguai, mesmo endereço da antiga sede do jornal O Diário de Mogi, onde João do Prado começou a atuar como ajudante geral – um ano após Neid e Tirreno Da San Biagio lançarem a primeira edição do jornal. Ele avançou na carreira, foi linotipista e chegou a ser o responsável pela gráfica. Foram 41 anos trabalhando no local.

A impressão e a composição dos jornais, décadas antes dos processos de offset e digitais, eram produzidas por uma máquina que se chama linotipo. Os caracteres para a impressão eram fundidos após serem digitados em um teclado como o de uma máquina de escrever. 

Esse processo artesanal que garantia a impressão era conduzido pelo linotipista, após receber as reportagens e anúncios produzidos para a edição.. 

João Cachorro sempre manteve um bem cuidado bigode, o que ajudava a compor a fama de durão.

Antes do chão da gráfica, ele foi lanterninha, no primeiro emprego que conquistou, no Cine Odeon. Graças ao ofício, conheceu Mirna, com quem se casaria em 1967.

Aposentou-se como chefe e responsável pela gráfica que funcionava no prédio de O Diário, na rua Dr. Ricardo Vilela.

Era uma pessoa exigente, rigorosa. Mas tinha só mesmo a fama de durão. Ao longo da vida, João colecionou amigos que até pouco tempo antes da pandemia se reuniam duas vezes por mês na casa dele.

A turma mantinha a Confraria Amigos para Sempre, com integrantes como o ex-vereador Norberto Camargo Engelender, além de outros nomes, como Erasmo da Picanha. Os encontros eram regados a conversas, boa comida e cervejinhas. Companheiros que cresceram na região do centro antigo de Mogi e se encontravam nas partidas de futebol do Clube Comercial, onde João do Prado tinha cadeira cativa.

Aos 81 anos, no ano passado, ele precisou ser hospitalizado após contrair uma bactéria. Recuperado, voltou a fazer, recentemente, o que mais gostava: caminhadas entre o Socorro e o Centro, com paradas para dois dedos de prosa com os conhecidos em pontos como a Praça 18 de Junho, em frente à Igreja Nossa Senhora do Socorro.

Viúvo de Mirna, que faleceu em 2003, e pai do fotógrafo Anderson Prado e Elaine, João deixa saudades e boas memórias aos netos Cinthya, Cleber, Crygor e Camila.  

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