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Marcus Melo fala de traição, governo e futuro

Logo após deixar o comando da Prefeitura de Mogi, no início do próximo ano, o prefeito Marcus Melo (PSDB) pretende lançar um balanço de seus quatro de anos de governo. Na prestação de contas dirigida à população da cidade, o prefeito deverá mostrar as obras em andamento, a serem concluídas pelo seu substituto no cargo, […]

Por O Diário
25/12/2020 21h17, Atualizado há 66 meses

Logo após deixar o comando da Prefeitura de Mogi, no início do próximo ano, o prefeito Marcus Melo (PSDB) pretende lançar um balanço de seus quatro de anos de governo. Na prestação de contas dirigida à população da cidade, o prefeito deverá mostrar as obras em andamento, a serem concluídas pelo seu substituto no cargo, as condições financeiras em se encontra o município, assim como um balanço geral das obras realizadas durante a sua administração, melhorias implantadas nos setores de serviços e seu legado para as futuras gerações de mogianos e demais moradores de Mogi das Cruzes.

O anúncio sobre a prestação de contas foi feito por Melo, durante entrevista concedida a este jornal, a primeira desde o segundo turno das eleições municipais, quando ele perdeu a reeleição para Caio Cunha (PODE). Também pela primeira vez, o prefeito fez uma avaliação mais detalhada sobre os motivos da derrota que, em sua opinião, foi resultante de uma série de fatores, agravados por três deles, em especial: a traição de “amigos”, prisão de vereadores e o sentimento de mudança que tomou conta de toda a população

O primeiro, e que mais o incomoda, teria sido a “traição”  de políticos com quem conviveu durante quatro anos de mandato, ou até antes disso, que apesar de fazerem parte de sua coligação, ficaram indiferentes à campanha. E, pior de tudo, em alguns casos, jogaram deliberadamente contra, beneficiando claramente seus adversários mais próximos, no caso Caio Cunha e Rodrigo Valverde (PT). Melo evita falar em nomes, mas pessoas ligadas a ele dizem que o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) encabeça a lista.

Mesmo evitando, de todas as formas, citar nominalmente tais pessoas, é certo que Melo coleciona santinhos de candidatos a vereador por partidos que integravam a sua coligação, que deixavam em branco os dois dígitos do candidato a prefeito, como que deixando para o eleitor decidir em qual dos concorrentes votaria. Melo garante que houve casos de candidatos a vereador de sua coligação que chegaram a colocar o número 19, de Caio Cunha, junto com os seus nas propagandas distribuídas aos eleitores.

Uma análise mais detalhada da campanha confirma que a “traição” ou a falta de empenho dos candidatos a vereador em relação ao prefeiturável da coligação realmente existiu. Basta verificar os números. Mesmo com a coligação tendo elegido 17 dos 23 vereadores da Câmara, e recebendo, no total, 138.342 votos para as vagas no Legislativo, o candidato a prefeito obteve somente 81.555, uma perda de 56.787 eleitores, ou 41,05% a menos de votos, números que poderiam ter ajudado a decidir a eleição já no primeiro turno, em favor de Marcus Melo. O estudo é muito mais detalhado e mostra como a eleição poderia ter sido definida no primeiro turno, conforme indicavam as pesquisas, se não tivesse ocorrido aquilo que Melo classifica como “traição.

Outro fator que, segundo o prefeito, colaborou para sua má performance nas urnas, foi a prisão de um grupo de vereadores que integravam a sua bancada de sustentação na Câmara. “Mesmo não tendo absolutamente nada a ver com o que aconteceu com os vereadores, o fato foi fartamente explorado pelos meus adversários e nós tivemos dificuldades para explicar isso a uma parcela do eleitorado que acabou acreditando naquilo que era dito, principalmente nas redes sociais”, disse Melo.

O terceiro e último fator que mais contribuiu para a derrota teria sido, na avaliação do prefeito, o “sentimento de mudança” que tomou conta da maioria dos mogianos, principalmente após a eleição ter sido levada para o segundo turno. “As pessoas admitiam que a cidade estava bem cuidada, que havia obras em andamento, mas também diziam que era hora de mudar”, lembra Melo, que perdeu a eleição em locais onde a Prefeitura investiu maciçamente em obras de grande importância, como foi o caso dos distritos de Jundiapeba e de Sabaúna, por exemplo.

Sono tranquilo

Com uma avaliação muito boa de seu governo – 60% de aprovação, segundo pesquisas, feitas durante o processo eleitoral -, Melo diz que deixa a Prefeitura “de cabeça erguida”, com muitas obras em andamento. “A Prefeitura não tem uma obra sequer parada, as contas estão em dia, sem compromissos em atraso, e podemos dizer que Mogi avançou em todas as áreas”, afirma.

“A Mogi das Cruzes que eu deixarei em 2021 é muito melhor que a Mogi que recebi em 2016”, afirmou ele, lembrando que não houve um grande problema que sua administração deixou de enfrentar. Mesmo com a pandemia, disse Melo, “Mogi foi a única cidade da região que continuou a promover grandes investimentos, a maioria delas com recursos próprios, já que o combate à pandemia concentrou os recursos dos governos estadual e federal”.

Entre as obras, ele cita os cuidados com a cidade, o novo ginásio de esportes do Mogilar, a Maternidade Municipal de Braz Cubas, a Central de Inteligência da Guarda Municipal no Socorro, e, principalmente, o projeto + Mogi Ecotietê, com financiamento internacional já garantido, que deverá mudar radicalmente as condições de vida na região de César de Souza, Botujuru e Sabaúna.

“Fizemos o maior investimento da história de Mogi em segurança”, lembra Melo, citando aquisição de novas câmeras de vigilância e a criação de uma unidade da Guarda Municipal no distrito de Jundiapeba, na antiga sede da Polícia Rodoviária. O armamento para a Guarda também será concluído antes do final do governo.

E o que fará Marcus Melo a partir do dia 1º de janeiro, após transferir o cargo para o prefeito eleito Caio Cunha?

Ele diz que pretende ajudar nas empresas da família – que atuam nas áreas de educação e construção civil –, ficar mais tempo com a mulher e filhos, e voltar a fazer muitas coisas que gostava, das quais abriu mão para cuidar da cidade como prefeito. Passear de moto e pescar são algumas delas. Voltar a participar de ralis, como já aconteceu no passado, está fora de seus planos. Além de estar próximo dos 50 (na verdade, 48), ele perdeu seu grande companheiro de aventuras, o irmão Renê Melo, que faleceu no mês de maio deste ano, após lutar bravamente contra um câncer.

“Mesmo não tendo nada a ver com o caso dos vereadores, o fato foi fartamente explorado pelos meus adversários  nas redes sociais”

Uma coisa, no entanto, é absolutamente certa: ele pretende continuar atuando em favor da cidade, ajudando pessoas. “Não pretendo me ausentar da vida da cidade; também não vou ficar me lamentando no Facebook ou WhatsApp. Estarei à disposição da cidade”, garante ele, que já dispensou convites para trabalhar em prefeituras de outras regiões do Estado, assim como propostas para mudar de partido.

“Estou muito tranquilo com o que consegui fazer como prefeito, num período de muitas atribulações, como a crise econômica e pandemia. À noite, coloco a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo”, garantiu.

Felicidade

Mesmo que aborrecido com a derrota nas urnas, o prefeito Marcus Melo garante que deixa a Prefeitura de Mogi “muito feliz”.

“Estou feliz por ter sido prefeito e ter realizado muita coisa boa pela cidade. Mudamos a vida de muita gente para melhor. E estou à disposição para continuar ajudando a cidade. O que Mogi precisar, pode contar com Marcus Melo”.

E quanto ao seu futuro político? A princípio, Melo diz que é muito cedo para falar sobre isso. Por fim, após algum tempo de conversa, deixa escapar que pode até sair candidato a deputado estadual ou federal daqui a dois anos, nas eleições de 2022. Mas assessores e amigos mais próximos garantem que o legislativo não é o seu forte. 

“A Mogi que deixarei  em 2021, é muito melhor que aquela Mogi  que recebi, em 2016”

Assim, é bem provável que Marcus Melo permaneça na política, dentro do PSDB, partido que ele preside na cidade, preparando o caminho de volta para novamente disputar a Prefeitura, no pleito de 2024.

Sobre o eleito Caio Cunha

Quanto ao futuro governo de Caio Cunha, o atual prefeito alega que precisa conhecer primeiro todo o seu quadro de assessores para poder analisar melhor. “A Prefeitura tem muita gente boa e eu faço votos que ele aproveite. Desejo muito sucesso a ele”. Questionado quais seriam os melhores secretários entre os indicados até o último final de semana, Melo não titubeou ao responder, com um grande sorriso no rosto: o arquiteto Claudio de Faria Rodrigues e o médico Henrique Naufel, titulares de sua administração que estarão presentes na próxima.

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