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Câmara de Mogi quer investigar a morte de garoto por picada de cobra

A Câmara de Mogi das Cruzes decidiu convidar o secretário municipal de Saúde, Zeno Morrone, para ir até lá explicar o episódio que envolve a morte do garoto de 11 anos, João Victor Delfino Laurentino, que na avaliação dos parlamentares poderia ser evitada se ele tivesse recebido um atendimento rápido. O menino, vítima de mordida de […]

Por O Diário
18/10/2022 17h42, Atualizado há 46 meses

A Câmara de Mogi das Cruzes decidiu convidar o secretário municipal de Saúde, Zeno Morrone, para ir até lá explicar o episódio que envolve a morte do garoto de 11 anos, João Victor Delfino Laurentino, que na avaliação dos parlamentares poderia ser evitada se ele tivesse recebido um atendimento rápido.

O menino, vítima de mordida de cobra chegou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rodeio por volta das 19h40 no dia 6 de outubro. Foi encaminhado às 22h26 ao Luzia de Pinho Melo, hospital referência nesse tipo de caso, e só recebeu o soro antídoto às 3 h. Ele  morreu nesta segunda-feira (17), após 11 dias de internação na unidade hospitalar.

O requerimento que solicita a ida do titular da Saúde à Câmara foi feito verbalmente pelo vereador Otto Rezende, presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, Otto Rezende (PSD). Ele tomou a decisão durante a sessão realizada na tarde desta terça-feira (18), após manifestações de “indignação e revolta” dos parlamentares diante da morte do garoto pela demora para receber o antídoto contra o veneno da cobra.

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Além de esclarecimentos sobre esse caso, eles cobram providências para agilizar o atendimento e as transferências de pacientes que ficam em macas nas UPAs, esperando horas pelas vagas solicitas a Central de Regulação de Serviço Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS).

Durante as manifestações que aconteceram no pequeno expediente e também na sessão – os vereadores questionaram o atendimento feito na UPA, a demora para conseguir a vaga no hospital, onde ele chegou com a pulseira amarela – que indica caso de média complexidade -, a omissão do município que poderia ter interferido no processo para conseguir a vaga ou o soro para evitar a morte, e a demora de quase cinco horas para o garoto receber o antídoto no hospital.

“Estamos sempre apagando fogo na base de reclamação, por isso temos que ter conversa com a Saúde toda de Mogi sobre isso. Em situações na UPA que precisam de urgência, tem que ter alguém no comando com pulso firme para resolver, porque não dá para ficar esperando, como nesse caso de João Vitor. Vejo que as coisas estão soltas na cidade. Falta pulso firma e médicos que tenham poder de decisão, senão vamos estar sempre patinando. O João poderia ter sobrevivo se tivesse alguém para ir para onde tinha o soro e tomasse as providências”, destacou Otto Rezende.

Na avaliação de alguns dos parlamentares, como é o caso Fernanda Moreno (MDB), a responsabilidade é do Município e do Estado, por entender que essa situação poderia ser evitada se o Pronto Socorro (PS) do Hospital Luzia estivesse aberto para a população. Desde 2021, o equipamento só recebe pacientes encaminhados por outras unidades que chegam ao hospital em ambulâncias.

“Fui ao velório ontem (17) e não tem coisa mais triste do que a cena de ver uma mãe com filho com 11 anos no caixão por negligência do município e do Estado. O PS do Luiza tem que ser aberto para impedir que muitas vidas sejam perdidas. Deve ter muitos outros casos que nem temos conhecimento, por isso a Câmara não pode ser omissa e nem ficar calada diante desse fato”, reforçou.

O vereador Iduigues Martins (PT), também demonstrou sia “indignação” com o caso do garoto. “Fato lamentável e triste. O caso de João Vitor é um profundo descaso com a saúde da nossa população e precisa ser investigado. Não pode ser visto como resolvido, apesar de que não existe qualquer tipo de reparação que vai trazer de volta a vida da criança”, reforma. Ele alega ainda que essa questão de demora para conseguir vagas não deveria acontecer em uma cidade dispõe de vários hospitais – Luzia, Santa Casa, Dr Arnaldo Pezzutti e Hospital Municipal. 

A vereadora Inês Paz (PSOL) conta que foi até a UPA do Rodeio para entender o que aconteceu e promete ir também ao Luzia cobrar satisfação, lembrando que o hospital é referência em picada de cobra e de animais peçonhentos. Ela conta que esteve na UPA para conversar e falar com o gerente geral e o que ele informou é que a unidade fez todos os procedimentos corretos. Só que hoje leu no noticiário pela imprensa que o próprio secretário de Saúde de Mogi disse que o falecimento dele tem a ver com a demora do Cross, “o que nos deixa indignados”, declarou.

“Mas, onde foi a demora: no Cross, na Upa ou no Luzia?”, questiona a vereadora, que defende uma investigação. “Quantas vítimas estão morrendo em consequência da irresponsabilidade do Cross. A Prefeitura de Mogi também tem responsabilidade. Fiquei sabendo que não precisava esperar o Cross. Era só receber o soro, mas a UPA não tem soro. Será que não tem nenhum protocolo para que o soro viesse o amais rápido possível ou a burocracia está à frente da vida? Como Mogi com tantos equipamentos de saúde em deixa morrer uma criança por falta de atendimento. Não podemos deixar isso assim”, declarou Inês.

Outro vereador que se manifestou foi Edson Santos (PSD), que também cobra informações sobre o que aconteceu. Ele contou que no final de semana, um paciente teve infarto em Sabaúna e morreu depois da demora do socorro do Samu.

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