Medidas restritivas para controlar a pandemia podem impactar o setor industrial
As medidas restritivas anunciadas para controlar a Covid-19 no Estado neste período de final de ano, quando muitas empresas começam a passar por um período de recuperação econômica, preocupam o setor industrial de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê. A mudança da fase verde para a vermelha nesse período de Natal e Ano-Novo deve […]
24/12/2020 16h10, Atualizado há 67 meses
As medidas restritivas anunciadas para controlar a Covid-19 no Estado neste período de final de ano, quando muitas empresas começam a passar por um período de recuperação econômica, preocupam o setor industrial de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê. A mudança da fase verde para a vermelha nesse período de Natal e Ano-Novo deve impactar no consumo, mesmo que a região permaneça na faixa amarela do Plano São Paulo de Retomada Econômica a partir de janeiro.
Neste momento, todas as regiões estão em alerta, por determinação de autoridades do governo e médicos do Centro de Contingência, por causa da evolução de casos de internações e mortes em decorrência da Covid-19. O retorno à fase vermelha do Plano São Paulo acontece em caráter temporário, entre os dias 25 e 27 de dezembro e 1 e 3 de janeiro no Estado. Além de regredir à etapa mais restritiva de controle da pandemia, nenhum município paulista deverá retornar à fase verde durante o mês de janeiro.
O agravamento do quadro da pandemia justamente no momento em que área industrial começa a dar sinais de recuperação econômica, sem as reservas de recursos utilizados para suportar a primeira onda, é visto com apreensão por José Francisco Caseiro, diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê. “Se de fato o pior cenário ocorrer, os prejuízos serão enormes para todo o Alto Tietê”, avalia ele.
O diretor alega que desde o início, o isolamento social se tornou “um grande obstáculo” para a realização de atividades do setor. “Infelizmente, muitas empresas encerraram suas atividades, demitiram colaboradores e uma grande fatia permanece com salários reduzidos. Dentro desta situação delicada, uma nova paralisação seria desastrosa. Principalmente porque com os setores produtivos ainda tentando se reerguer, não há sobra financeira para suportar restrições mais severas”, avalia Caseiro.
Ele observa que nesse momento, a indústria ainda que de certa maneira aquecida, já enfrenta os problemas no abastecimento e na compra de matéria-prima, o que têm dificultado uma recuperação mais efetiva. “Imagina com o acréscimo de restrições mais severas?”, questiona.
Além da indústria, existe a preocupação com a “fragilidade do comércio”, que é a ponta da produção industrial e demora para reagir. Caseiro acredita que a volta de medidas para evitar a aglomeração de pessoas deve atingir em cheio o setor com a redução no horário de atendimento e na circulação de consumidores, justamente às vésperas do Natal, período tão importante para recuperar as perdas provocadas durante praticamente todo o ano.
“Sou adepto da esperança, mas esse conjunto de senões na reta final do ano despeja um balde de água fria nas perspectivas de um 2021 favorável. Sem vacina, com inflação em alta e prefeitos novos chegando na maioria das nossas cidades, os quais terão de reforçar o setor da saúde e driblar a falta de recursos, pelo menos no primeiro trimestre deveremos continuar à mercê do coronavírus e a enfrentar muitas dificuldades”, conclui.