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Mogi pode chegar a 524 mil habitantes em 2030 e tem muitos desafios pela frente

Os dados estimados da população mogiana (veja mais abaixo) e a recente confirmação de projetos públicos planejados pela gestão do prefeito Caio Cunha (PODE) compõem terreno para discutir como Mogi das Cruzes dotará a cidade de serviços públicos para atender todos os seus moradores. Hoje, já somos 455 mil mogianos. Com uma potente envergadura garantida […]

Por O Diário
04/09/2021 08h08, Atualizado há 57 meses

Os dados estimados da população mogiana (veja mais abaixo) e a recente confirmação de projetos públicos planejados pela gestão do prefeito Caio Cunha (PODE) compõem terreno para discutir como Mogi das Cruzes dotará a cidade de serviços públicos para atender todos os seus moradores. Hoje, já somos 455 mil mogianos.

Com uma potente envergadura garantida pelo primeiro financiamento internacional obtido pela Prefeitura de Mogi das Cruzes e a abrangência de sua espinha dorsal – saneamento básico, mobilidade urbana e os equipamentos de lazer e entretenimento, quanto for totalmente entregue, Viva Mogi! (o antigo +Mogi Ecotietê) concederá uma visível qualificação à região leste, onde estão o distrito de César de Souza e parte do núcleo mais centralizado da 13ª cidade mais antiga do país, que acaba de fazer 461 anos. Na oferta de serviços e composição urbana, Mogi terá dado passo considerável, sabendo dos desafios e “crateras” abertas durante a construção de seu território com índice de qualidade de vida distinto o bastante para mantê-la em destaque no mapa geoeconômico brasileiro.
Os desafios ao governo municipal e da sociedade organizada estão aos olhos de todos os mogianos que circulam pela cidade. 
Uniformizar a cidade, com atenção ao trânsito, moradia, transporte público, educação, saúde, esporte, segurança pública, em municípios antigos, crescidos a partir de um ponto central e sem o planejamento exigido para dar sustentabilidade ao eixo econômico e social, custa caro, leva tempo.

Falemos do saneamento básico. Mesmo com investimentos na despoluição do rio Tietê e ampliação das redes de esgoto e água, com a cidade em adensamento, e as construções em velocidade tocada pelo humor da economia, a projeção é de se levar décadas para ajudar o setor.

O engenheiro Nelton Bettoi Batalha, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mogi das Cruzes (AEAMC), circula entre os bairros da cidade por força da profissão e lança um desabafo sobre o tamanho do desafio, citando dois pontos, considerados por ele, como nevrálgicos:  transporte público e trânsito, além do saneamento básico inexistente em áreas periféricas.
“Quando a cidade criou os loteamentos, na década de 1940, a ocupação feita sem água e sem esgoto, continuou acontecendo. Temos ruas de um mesmo bairro com rede de esgoto e outras, ao lado, sem”, comenta.

Para ele, entre as barreiras a serem enfrentadas hoje e no futuro estão a busca de projetos de execução mais rápida para tratar do saneamento básico e mobilidade. “Precisamos levar esse trem até César de Souza ou adotar algum outro esquema de transporte, com melhores ônibus e itinerários, para combater o trânsito parado na região do Nova Mogilar e César. Eu pego o ônibus, de vez em quando, e sinto a dificuldade de quem não tem carro para circular”.

Nesse corredor citado por ele, até César, as obras viárias do Viva Mogi! foram programadas para reduzir a lentidão e o congestionamento dos únicos corredores de acesso, e ainda favorecer o transporte individual, por meio da bicicleta, nas avenidas João XXIII e Francisco Rodrigues Filho. Há projeção de um terminal de ônibus para o distrito.

Bettoi aponta a descontinuidade dos planos, como sendo um inibidor para as soluções para o trânsito e o crescimento desordenado. Os prefeitos do passado, lembrou, começaram alguns projetos inconclusos.

É o caso do Anel Viário, que circundaria o eixo central, unindo as alças de acesso das rodovias Mogi-Dutra, Mogi-Bertioga, Mogi-Biritiba e Salesópolis e Mogi-Guararema, desafogando as rotas centrais. Uma parte da via perimetral foi entregue. Porém, Mogi das Cruzes continuou crescendo e já se falou, inclusive, da relevância de um segundo anel viário caso a ocupação e o uso da cidade não se transforme radicalmente como sugere o último Plano Diretor, que prevê uma cidade mais compacta, com o morador trabalhando, estudando, comprando, usando os serviços de esporte e saúde próximo de casa.

“Eu ainda não tenho resposta, não sei se falta empenho político, recurso financeiro, mas a cidade teria de estar mais à frente. Noto que temos faculdades de engenharia e arquitetura, temos bons profissionais que poderiam ser utilizados em iniciativas para melhorar esses e outros problemas”, admite.

Outro ponto é o adensamento urbano divorciado do planejamento para as terras ainda desocupadas, mas com limitações ambientais desconsideradas ou violadas por ocupações irregulares. Preocupam as ocupações no interior da Serra do Itapeti e do Mar, e proximidades das barragens mogianas, em pontos como Taiaçupeba, e as ocupações ilegais, não somente como a mais recente, na Vila São Francisco, envolvendo centenas de pessoas, mas também as que são flagradas aos poucos, com algumas famílias buscando teto na cidade.

Aumento de moradores muda perfil de bairros

Entre as regiões com maior número dos novos moradores estão César de Souza e Jundiapeba (que recebeu milhares de moradias populares), além de glebas mais afastadas, e com preço de terra mais baixo, nas áreas de divisa com Suzano, Arujá, Itaquá e Guararema.

Os vetores do crescimento populacional, no entanto, seguem sendo César e Jundiapeba, e áreas de Braz Cubas.
Desde 2000, o aumento populacional destes locais é sentido pela radical mudança no trânsito.

Por isso, a urgência defendida por lideranças politicas e sociais para se melhorar o transporte ferroviário dentro da própria cidade, com a extensão da linha que para, hoje, em Estudantes, até César de Souza.

A estimativa populacional, que foi projetada sem a inclusão de dados sobre a natalidade e mortalidade resultantes da pandemia, será confirmada em 2022, com dois anos de distância da data esperada para o Censo Populacional, que não foi realizado pelo governo federal. 

Ainda por fazer

Mogiano, professor universitário, arquiteto e autor de ideias para grandes e pequenos dramas urbanos, Paulo Sérgio Pinhal elenca três projetos descontinuados, que, na opinião dele, valeriam ser retomados.

1 – As propostas dos coletivos de ciclistas para melhorar as ciclovias, “que vão de um lugar para lugar nenhum” e reduziriam a dependência e o uso do carro, melhorando o trânsito.

2 – O fechamento do Anel Viário, com a conclusão da via perimetral, entre a Mogi-Bertioga, Mogi-Salesópolis e Mogi-Guararema. “Ajudaria no fluxo diametral e combateria os congestionamentos na região central”.

3 – Construir a Marginal do Dr. Jamil Hallage, em uma área pública, da Prefeitura, que margeia o eixo leste-oeste, entre as estações Estudantes e Jundiapeba, no lado direito, de quem está no sentido Braz Cubas. “Ao longo do tempo, houve ocupações nesta região, mas a área é pública e municipal”. Atendendo a um plano de Jamil, o ex-prefeito Waldemar Costa Filho (1923-2001) reservou essa faixa para a construção de uma via marginal. 

Mogi cada vez maior

O resultado Censo Populacional prometido pelo governo federal para ser realizado no ano que vem poderá chegar ao número de 460.598 habitantes em Mogi das Cruzes, levando-se em conta os índices de crescimento alcançados desde a última contagem oficial, em 2010. 

A partir de 2000, o total de mogianos saltou 17,42%  até 2010, e 16,25%, dali até 2020. O jornalista Castro Alves, especialista em estatística e pesquisa, afirma que neste período, uma média anual de 6,3 mil novos moradores passaram a residir na cidade, sendo que neste 2021, segundo a população estimada pelo Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística (IBGE), o CEP da cidade é endereço de 455.587 pessoas, boa parte deles, “filhos” recentes da cidade. Desde 2010, a cidade ganhou 67,8 mil habitantes.
A taxa de crescimento entre 2020 e 2021, foi de 1,07%, maior do que a média nacional, que atingiu 0,7%. Castro lança aposta de que o ritmo pode acelerar um pouco mais até 2022, com um aumento de 1,1% da população. Com isso, os mogianos serão 460 mil.
Já para a próxima década, que fecha em 2030, pelo comportamento da série de previsões e confirmações do IBGE, o jornalista acredita que esse teto deverá chegar a 524 mil habitantes, com o aumento de 73 mil residentes.

Os números mais recentes do IBGE serão confirmados mesmo apenas após o Censo 2022, que terá dois anos de atraso, e poderá incluir o que a estimativa populacional deixou de fora: as mudanças das taxas de natalidade e de mortalidade durante o período da pandemia. Já se sabe que menos pessoas nasceram e mais brasileiros morreram. 

Consultor e professor aposentado de Filosofia, Afonso Pola, que lecionou na Universidade Braz Cubas durante 20 anos, confere o pulo populacional da cidade e mudanças na conciliação que as cidades (assim como as pessoas) posuem entre as suas virtudes e os seus vícios.

Os desafios das cidades brasileira serão lapidados pelo cenário econômico e político. No futuro próximo, pela inflação e o alto desemprego. “As cidades estão arrecadando menos, gerando menos emprego qualificado, salários estão menores”, pontua.
Parte desse contingentechega a Mogi pressionado pelo alto custo ou a falta moradia na Região Metropolitana ou em suas regiões de origem.

“Uma cidade com menos recursos para oferecer serviços públicos, tem mais dificuldade para acolher os novos moradores”, assinala. Ele destaca, no entanto, o fato de Mogi vir conseguindo controlar o orçamento público, inclusive com a realização de obras para solucionar parte dos seus “vícios”, como o trânsito e a rede de saúde. 

Para ele, Mogi deixa de ser uma cidade pequena e passa a enfrentar as pressões de uma cidade grande. Como exemplo, cita as invasões irregulares e as construções em mananciais, nem sempre feitas pela população de baixíssima renda. Esses são os efeitos, segundo o professor, da incompetência do poder público, que “é mau gestor e não dá continuidade às políticas públicas de planejamento, geração de emprego e renda, educação, e outras”.

Cidadão participa

A Prefeitura criou uma plataforma para dar continuidade à participação popular na tomada de decisões sobre a cosntrução de Mogi das Cruzes.

Participa Mogi é o programa  já usado na elaboração, por meio online do Plano Plurianual (PPA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Para o PPA foram recebidas 332 contribuições ao processo que já encerrou o recebimento das sugestões.

Já para a LDO, com o tema “Para onde vai nosso dinheiro em 2022?”,  o cidadão pode participar até  dia 12 de outubro.
Já são 485 cadastros de munícipes na plataforma, com assuntos como Assistência Social (13)
Meio Ambiente  (14), Saneamento (21), Segurança (21) Urbanismo (27)Educação  (30) Transporte (33) Zeladoria (asfalto, árvore, lixo)  (34) e Saúde (35).  Foram 76 manifestações categorizadas como elogios; 70 como reclamações, 52 como solicitações de serviços e 184 como sugestões de projetos/ideias.

O retorno das demandas será público e poderá ser acompanhado pelo no site do Participa Mogi (https://participa.mogidascruzes.sp.gov.br/#/), com notificações por e-mail.

Além disso, o Participa Mogi definiu um conjunto de oficinas temáticas, que acontecerão durante todo o mês de setembro, na Escola de Empreendedorismo (rua Senador Dantas, 326 – Centro). 

As reuniões abordarão temas como educação, gestão oficiente, cidade inteligente, habitação, infraestrutura, saneamento ambiental, mobilidade urbana, saúde, cultura, segurança, emprego e renda. Para participar e saber mais sobre a plataforma, acesse o endereço participa.mogidascruzes.sp.gov.br

 

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