Aumento de furtos e roubos preocupa moradores de Mogi
Os casos de furtos e roubos aumentaram em Mogi das Cruzes. Isso vem acontecendo em toda a cidade, motivo de pânico entre os moradores. São ocorrências diversas, que envolvem especialmente danos ao patrimônio. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado apontaram crescimento destes crimes na cidade nos primeiros dez meses deste ano em […]
19/12/2021 08h06, Atualizado há 56 meses
Os casos de furtos e roubos aumentaram em Mogi das Cruzes. Isso vem acontecendo em toda a cidade, motivo de pânico entre os moradores. São ocorrências diversas, que envolvem especialmente danos ao patrimônio. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado apontaram crescimento destes crimes na cidade nos primeiros dez meses deste ano em relação ao mesmo período de 2020.
Os números mostram que no período de janeiro a outubro de 2021 ocorreram 2.843 furtos na cidade, uma diferença de 674 a mais do que os 2.169 registrados em 2020, o que representa aumento de 31% em relação ao ano anterior. O total de roubos no período foi 932 em 2021: 127 a mais do que em 2020, período em que foram notificados 805 casos. Isso significa aumento de 15,7% desse tipo de ação nos primeiros dez meses do ano.
Os dados são contabilizados com base nos boletins de ocorrências registrados nos distritos policias do município, mas na realidade a quantidade é bem maior, especialmente no que se refere aos pequenos furtos. Por se tratar de materiais de pouco valor, muita gente desiste de fazer o B.O., apesar da insistência da Polícia Militar para que as pessoas delatem todos os tipos de casos para que a corporação possa identificar os locais de maior incidência e traçar estratégia de ação.
As ocorrências mais frequentes são pequenos furtos em residências nos bairros. Os suspeitos levam principalmente os materiais que ficam na parte externa da casa. Eles arrancam lixeira, fiação, portões, ferramentas, vap, botijão de gás, tampa de caixa de energia elétrica, roupas e tudo o que estiver acessível.
Na Vila Oliveira, por exemplo, há muitos relatos de furtos de lixeiras de metal instaladas em frente às casas. Os moradores do Mogi Moderno também vivem inseguros preocupados com o aumento dos furtos. Até puxadores de portão e torneiras são arrancados das casas, como relatam moradores da rua Ferdinando Morroni. Eles alegam que houve aumento desse tipo de situação nos últimos seis meses. Uma mulher diz que suspeitos levaram a fiação de energia elétrica, deixando a casa sem energia.
Acima dos objetos que são levados, as famílias contam que temem pela vida. Muitas vítimas preferem não se expor para relatar as experiências, com medo de se identificarem. “Normalmente são pessoas que não se intimidam com as câmeras. Já levaram lixeira, botijão de gás, bicicleta, ferramentas e outros objetos. Não são coisas de alto valor, mas o que a gente tem medo é que em uma situação, a pessoa entre armada e acabe acontecendo uma tragédia”, comenta um desses residentes do Mogi Moderno.
Um morador da Vila Oliveira conta que a casa dele já foi invadida sete vezes nos últimos anos. Ele disse que em uma delas, levaram roupas. “Teve uma ocasião que os marginais estavam fugindo da polícia, pularam o muro da residência e se esconderam no banheiro”, conta. Ele disse que a situação, no entanto, melhorou muito com a adesão do bairro ao programa de Vizinhança Solidária.
Moradores do Mogi Moderno, Socorro, Alto Santana e diversos outros bairros da cidade estão aderindo ao programa, formando grupos em aplicativos nas redes sociais para compartilhar informações.
Casos recentes em Mogi
Há diversos exemplos recentes deste tipo de ocorrência de furtos e roubos na cidade noticiados pela mídia. Em vários grupos de aplicativos, moradores compartilham as imagens mostrando a ação dos suspeitos. A maioria é homem e age sozinho de madrugada. Muitos são dependentes químicos e levam os objetos para trocar por drogas.
Na última semana, foram levadas diversas tampas de registros de luz na avenida Dom Paulo Rolim Loureiro. Os moradores contam que os suspeitos conseguiram arrancar várias lixeiras de metal. As imagens de suspeitos rondando as casas são encaminhadas à Polícia Militar.
Um vídeo feito no Mogi Moderno, publicado no mês passado em reportagem da TV Diário, mostra um homem suspeito caminhando tranquilamente pela rua do bairro com uma sacola. Ele vai em direção a uma casa, começa a forçar o portão, arranca o puxador de alumínio, coloca o material na sacola e vai andando pela rua prestando atenção ao movimento. Quando tem certeza que ninguém está vendo, arranca a lixeira de outra casa.
Uma ocorrência que chamou atenção há algumas semanas foi a prisão de uma dupla por suspeita de furtar casa e tentar fugir pelo telhado na Vila Natal. Segundo a SSP, na fuga, o suspeito caiu do telhado e atingiu um carro de outros moradores.
No Mogilar, no último mês, dois suspeitos conseguiram entrar em um apartamento de um condomínio com segurança reforçada se passando por moradores, mas foram surpreendidos e acabaram detidos em flagrante.
Nos distritos policiais da cidade há ainda inúmeros registros envolvendo roubos de celular, um dos objetos muito visados por ladrões.
PM aponta aumento de prisões
Mogi das Cruzes não é uma cidade violenta se comparada com diversos outros municípios da região Leste da Grande São Paulo, como avalia o comandante da 1ª Companhia do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPMM), o capitão Mauricio Magalhães, ao destacar números que mostram os resultados positivos para contrabalançar a elevação de furtos e roubos.
Ele observa que nos últimos meses, houve aumento no número de prisões e redução dos casos de homicídios. As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado confirmam que as prisões passaram de 1.008 em 2020 para 1.145 nos primeiros dez meses do ano, o que na opinião dele “demonstra uma efetividade maior da PM”. Os roubos de carros caíram de 206 no ano passado para 182 no período de janeiro a outubro de 2021. Os furtos de veículos passaram de 538 para 431; e os homicídios diminuíram de 22 para 15 neste ano.
Segundo ele, um dos fatores que tem contribuído para dar mais agilidade na ação policial é o programa Vizinhança Solidária, uma experiência que ele considera uma das mais positivas de integração entre a polícia e a população, unindo forças para ampliar a segurança, o que também beneficia o convívio social.
O capitão explica que a troca de informações permite que a PM intensifique ações e consiga deter o suspeito antes dele agir. Na semana passada, ele teve um encontro com cerca de 30 moradores da rua Dom Paulo Rolim Loureiro, para falar sobre a segurança e pedir a colaboração de todos com informações sobre suspeitos em atitude duvidosa, tráfico de drogas e ou qualquer outra situação de perigo, acionando o 190 ou o grupo Vizinhança Solidária. Também reforçou a importância de registrar o BO.
O delegado de Polícia, Francisco Del Poente, chama atenção para o aumento de roubos de celulares, produto cobiçado pelos ladrões pelo fato de o aparelho ter valor comercial e permitir o acesso aos dados bancários das pessoas. Ele alerta que a tendência é aumentar as ocorrências nesta época do ano, quando mais pessoas saem às ruas para fazer compras. A orientação é para redobrar os cuidados, evitar ficar com celular na mão, não descuidar da bolsa e manter atenção às atitudes suspeitas.
Vizinhança Solidária une famílias
Mesmo que os números apontem aumento dos casos de furtos e roubos, os moradores acreditam que a Vizinhança Solidária contribui para aumentar a sensação de segurança nos bairros que adotaram o programa, como é o caso da Vila Oliveira, Mogi Moderno, Alto Santana, entre diversas outras regiões, inclusive áreas como o distrito industrial do Taboão, que também aderiu ao projeto.
O programa, que envolve a troca de informações de moradores de um bairro, é desenvolvido em parceria com a Polícia Militar, que designa um agente para atender e interagir com uma determinada comunidade, organizada em grupos de aplicativos, como o WhatsApp e Telegram, para compartilhar as imagens e, se algo suspeito acontecer, todos ficam alertas.
O contato direto com a PM é feito pelo administrador indicado pelos moradores do bairro. O tutor do grupo da Vila Oliveira – que é orientado a não se identificar para evitar problemas com a segurança pessoal, especialmente por envolver denúncias de suspeitas de tráfico de drogas -, explica que o monitoramento é feito por câmeras de segurança e quando há qualquer movimento diferente, a PM é alertada.
“Isso tem ajudado, mas mesmo assim não impede a ação dos marginais, especialmente no que se refere a pequenos furtos”, observa. O bom é que, além aproximar a comunidade e a Polícia Militar, que é alertada quando há qualquer indício, o programa tem uma função social importante, que é a de promover uma maior integração entre os moradores. “Muitos vizinhos que antes nem se conheciam, passaram a conversar, trocar informações e se ajudar”, comenta o tutor do grupo integrado por mais de 100 moradores.
Sobre a questão da segurança, a presidente da Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacência, Jane Roldan, observa que a Vizinhança Solidária, adotada no bairro em 2018, “ajuda bastante, mas é importante destacar que a segurança pública é responsabilidade compartilhada entre o Estado e os governos estadual e municipal, não pode ser transferida ao cidadão”.