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Boliviano morre e dois imigrantes são agredidos a marteladas em Itaquá

A comunidade boliviana de Itaquaquecetuba está chocada com a morte brutal de um imigrante de 39 anos agredido a marteladas na madrugada do último domingo (14), no Jardim Viviane. O morador era comerciante e estava com a mulher, que também foi vítima dos agressores, e de um outro imigrante, que permanece hospitalizado, segundo apurou O […]

Por O Diário
15/08/2022 13h46, Atualizado há 48 meses

A comunidade boliviana de Itaquaquecetuba está chocada com a morte brutal de um imigrante de 39 anos agredido a marteladas na madrugada do último domingo (14), no Jardim Viviane. O morador era comerciante e estava com a mulher, que também foi vítima dos agressores, e de um outro imigrante, que permanece hospitalizado, segundo apurou O Diário. O enterro foi realizado por familiares na manhã desta terça-feira (16).

Desde os anos 1990, diversos bairros de Itaquaquecetuba passaram a receber imigrantes, que atuam majoritariamente no mercado ligado a confecções como oficinas de costura, venda e revenda de roupas.

Uma reunião entre os cerca de 15 integrantes de associações que representam os cerca de 14 mil bolivianos que vivem na cidade deverá discutir ações que serão tomadas para solicitar a apuração do crime, segundo contou David Canavari Salinas, que reside no município há 16 anos (no Brasil, há 23 anos).

Os três bolivianos tinham participado de uma festa em homenagem à Urkupiña, padroeira dos comerciantes, cujo dia é comemorado nesta segunda-feira (15), e estavam voltando para casa, segundo as primeiras informações.

Ainda não se sabe o que teria motivado o crime – a vítima que não resistiu aos ferimentos foi encontrada com pertences como celular, documentos e dinheiro em espécie. O Diário não conseguiu confirmar se os três residiam na cidade, ou estavam lá, para participar de uma confraternização que costuma reunir familiares que residem em outros pontos da Região Metropolitana de São Paulo.

A mulher da vítima fatal foi hospitalizada e liberada para acompanhar o funeral do marido. Já o outro rapaz segue internado.

Segundo o boletim de ocorrência, as três vítimas teriam sido agredidas a marteladas. Em depoimento à Polícia, segundo um familiar dos agredidos, eles não teriam desavenças e nem dívidas, o que poderia indicar uma motivação por acerto de contas para o crime.

O crime ocorreu na avenida Rochedo de Minas, no Jd. Viviane, por volta da 1 hora de domingo (14).

Comunidade

Desde os anos 1990, Itaquaquecetuba passou a receber as primeiras levas de bolivianos que se espalharam por diversos bairros como a Vila Niceia e o Jardim Viviane I e II. Com o passar do tempo e a chegada de mais imigrantes, a organização em associações tem dado visibilidade à comunidade que, no último dia 6 de agosto, realizou uma grande festa dedicada à divulgação da cultura, dança e culinária boliviano.

David Salinas, de 43 anos, afirma que a vinda de imigrantes já foi mais consistente, em períodos de dificuldades econômica e política na Bolívia. Porém, hoje, analisa ele, há uma maior estabilidade no país vizinho, onde o salário mínimo é quase o dobro do pago no Brasil – o problema, no entanto, é o alto custo de vida, o que ainda é fator de decisão para a mudança para estados brasileiros, como São Paulo, que possui uma das maiores comunidades de bolivianos.

A presença da comunidade em Itaquaquecetuba é tão forte que uma lei municipal aprovou, na cidade, o Dia da Bolívia, comemorado pela primeira vez no último dia 6 de agosto. A data marca a Independência na Bolívia, também chamado Dia da Pátria, conquista em 1825.

Segundo estimam lideranças desta comunidade, entre 13 e 14 mil imigrantes residem atualmente na cidade. 

Sobre a agressão aos bolivianos, David Salinas, que representa a associação União de Imigranças Bolivianos, que atua na defesa dos interesses da comunidade, ponderou que os imigrantes são vítimas de assaltos e outros crimes, “como todos os outros moradores de qualquer cidade brasileira”, e que, o caso do final de semana  é atípico. Ele comentou ainda que busca mais informações sobre essa ocorrência policial

Passado

Um dos últimos crimes de repercussão entre a comunidade aconteceu em 2019, antes da pandemia, quando um casal e o filho de 8 anos foi morto e encontrados, alguns dias depois, com os corpos esquartejados, na casa onde residiam, também em Itaquaquecetuba.

(Matéria atualizada em 15 de agosto).

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