“Espero que ele fique preso”, diz Pedro sobre guarda acusado de racismo em Mogi
Internado no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, após ser baleado pelo guarda municipal José Carlos de Oliveira, preso na noite de terça-feira (29), Pedro Azpilicueta está voltando nesta quarta-feira (30) para a casa onde mantém um serviço de tosa e banho de pets, na avenida Ricieri José Marcatto, em César de […]
30/11/2022 09h51, Atualizado há 44 meses
Internado no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, após ser baleado pelo guarda municipal José Carlos de Oliveira, preso na noite de terça-feira (29), Pedro Azpilicueta está voltando nesta quarta-feira (30) para a casa onde mantém um serviço de tosa e banho de pets, na avenida Ricieri José Marcatto, em César de Souza, em Mogi das Cruzes.
Ele recebeu a notícia sobre a apresentação à Polícia do agente público que desferiu três tiros contra ele, no último dia 23. “Espero que ele fique muito tempo preso, para eu seguir com a minha vida”, contou Pedro, a O Diário.
Azpilicueta comemorou outra boa notícia nesta quarta-feira: a alta médica dada pela equipe do Luzia enquanto conversava por telefone com a reportagem.
O Diário prepara uma reportagem especial sobre o desfecho de uma série de agressões registradas em “dois ou três boletins” de ocorrência contra o guarda municipal, desde 2015, quando ele se mudou para a vizinhança da família que reside na avenida Ricieri José Marcatto.
As ameaças e xingamentos proferidas pelo agressor, segundo a vitima, ocorriam com frequência até o registro do pior dos momentos quando o guarda municipal, depois de tentar bater em Pedro, retornou para a casa, pegou uma arma e atirou contra ele – foram três tiros disparados, como mostram as imagens de câmera interna e externa da casa da família. Dois atingiram o rapaz no rosto (de raspão) e nas costas.
Ao ver o sangue, Pedro pediu ao pai: “me leve logo para o hospital”.
O guarda municipal foi afastado e está preso desde a noite de ontem (saiba mais).
Vítima de outros atos de preconceito desde a infância, “na escola, em batidas policiais, em vários locais”, Pedro, que é “preto, pretinho mesmo” afirma que o vizinho também já havia apontado a arma para o pai dele, Jefferson. “Denunciamos e nada foi feito, até que o pior aconteceu”, comenta ele.
No dia da tentativa de homicídio, Pedro estava chegando em casa de um jogo de futebol quando, segundo ele, começaram os xingamentos que, não têm o áudio captado pela câmera de monitoramento. “Eu estava calmo, fui pegar o meu celular para ter o áudio. Ele chegou a me bater e voltou para a casa, para buscar a arma”, lembra-se.
Além dos ataques racistas – integrantes da família eram chamados de pretos, sujos, fedidos, entre outros nomes, e as cascas de banana eram jogadas na calçada da casa, um símbolo do preconceito racial. O rapaz também conta que houve registros de atos obscenos e xingamentos à mãe dele. “Não era nada novo, era frequente, e outros vizinhos e amigos testemunhavam, ouviam as palavras racistas”.
Jogador de futebol, compositor de rap e dono de um serviço pet de banho e tosa, Pedro Azpilicueta quer paz: “Eu espero que ele fique bastante tempo preso e a eu possa seguir a vida, cuidar dos cachorros, seguir a minha vida”.
Na cirurgia realizada logo depois de receber o primeiro atendimento na UPA do Rodeio e seguir para o hospital estadual, no Mogilar, parte do intestino do paciente teve de ser retirada.
Uma das balas entrou pelas costas e saiu pela barriga, atingindo o sistema digestivo. Apesar disso, segundo os médicos, a vida dele seguirá sem sequelas após o período de recuperação da cirurgia.