Começa em Suzano a circulação de peça infantil inspirada em Manoel de Barros
A Cia. de Achadouros apresenta o espetáculo infantil Os Lavadores de Histórias, no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré, em Suzano (SP), no próximo dia 14, sábado, às 16 horas, com ingressos gratuitos. O enredo fala sobre memórias da infância esquecidas, guardadas em objetos abandonados. Inspirada na poesia do cuiabano Manoel de Barros, a montagem – dirigida por Tereza Gontijo com dramaturgia de Silvia Camossa, […]
04/05/2022 14h42, Atualizado há 49 meses
A Cia. de Achadouros apresenta o espetáculo infantil Os Lavadores de Histórias, no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré, em Suzano (SP), no próximo dia 14, sábado, às 16 horas, com ingressos gratuitos. O enredo fala sobre memórias da infância esquecidas, guardadas em objetos abandonados.
Inspirada na poesia do cuiabano Manoel de Barros, a montagem – dirigida por Tereza Gontijo com dramaturgia de Silvia Camossa, em processo colaborativo com o grupo – foi indicada ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem nas categorias Direção Revelação e Trilha Musical Adaptada.
Os Lavadores de Histórias são Urucum, Tom Tom e Jatobá, interpretados pelos atores palhaços Emiliano Favacho, Mariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. Durante a noite, visitam quintais para lavar objetos esquecidos ou abandonados, como brinquedos e roupas, e reviver momentos da infância. Eles carregam consigo o Rio da Memória. Nas águas desse rio vão lavando os objetos, revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Eles ficam tocados, mas também se divertem muito com os segredos revelados. Por meio de cenas cômicas e circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e o da imaginação, lançado um olhar lúdico e poético sobre a infância.
A apresentação em Suzano inaugura a circulação por sete cidades do interior paulista, banhadas pelo Rio Tietê, numa referência ao Rio da Memória presente no enredo da peça. O Rio Tietê, que nasce em Salesópolis (Serra do Mar), percorre praticamente todo o estado de São Paulo e deságua no Rio Paraná. A circulação segue o trajeto do rio em direção a Mato Grosso, onde nasceu Manoel de Barros.
Na sequência, a companhia segue para as seguintes cidades: Salesópolis (19/5, quinta, às 15h, na ONG Contagie, na 20ª Semana Nacional de Museus); Santana de Parnaíba (21/05, sábado, às 16h, no Teatro da Arena de Eventos), Pirapora do Bom Jesus (27/05, sexta, às 15h, no Cine Teatro Antônio dos Santos Brito); Pereira Barreto (25/06, sábado, às 16h, na Casa da Cultura Maestro Aristeu Custódio Moreira); Botucatu (30/07, sábado, às 16h, no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci, no Festival de Inverno de Botucatu); e Ilha Solteira (13/08, sábado, às 19h, na Casa da Cultura Rachel Dossi, integrando a Mostra de Teatro de Ilha Solteira).
Três ações completam a programação em cada cidade: Varal de Memórias, uma instalação cenográfica interativa, na qual o público poderá pendurar suas histórias e lembranças da infância; distribuição de Programa Lúdico, contendo jogos divertidos e brincadeiras para as crianças com temas relacionados ao enredo da peça; produção de Mini Documentário com depoimentos e relatos de espectadores sobre a relação com o rio da sua cidade, registros da circulação e bastidores, que será disponibilizado no YouTube da Cia. de Achadouros.
A encenação
Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia Manoel de Barros (1916-2014, Cuiabá/MT), Os Lavadores de Histórias valoriza as pequenas coisas, a beleza contida nas sutilezas, a graça do imaginar, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. Os atores fizeram uma imersão na obra do poeta e foram para as ruas do bairro São Mateus, em São Paulo, em busca de histórias reais da memória afetiva de moradores antigos e crianças. “Um dos poemas de Manoel de Barros que mais nos inspirou foi Desobjeto, que fala sobre usar a imaginação para dar novos sentidos e funções a um objeto, transformá-lo em outra coisa na hora de brincar”, comenta Felipe Michelini. Os protagonistas revelam que lembranças de suas próprias infâncias e de outras pessoas envolvidas na produção também estão no enredo.
A diretora Tereza Gontijo – mineira de Belo Horizonte, que também é palhaça, integrante dos Doutores da Alegria e da Cia. Vagalum Tum Tum – enfatiza que o espetáculo foi concebido para a família. “Enquanto a palhaçaria é diversão garantida para as crianças, o tom lírico e poético da peça toca os adultos ao acionar o dispositivo das lembranças da infância”. Ela afirma que o processo junto à Cia. de Achadouros teve como estímulo o prazer do jogo de palhaços no trabalho de criar para o público infantil.
Urucum, Tom Tom e Jatobá sabem que as coisas esquecidas nos quintas guardam muitas histórias de meninos e meninas que cresceram e não lembram mais das brincadeiras e dos sonhos. As histórias surgem à medida que objetos e brinquedos são lavados e revelados. Entre as cenas está O menino que queria voar: um lençol manchado revela o garoto que queria viajar pelo mundo. Às vezes, fazia xixi enquanto dormia e se escondia embaixo da cama, sonhando em voar e unir os quatro continentes. Tem também A menina triste que descobre o que a faz feliz: um lenço colorido traz a história da menina que vivia triste até conhecer um garoto mágico (inspirada em conversas com a sambista Tia Cida, moradora da região de São Mateus). Ela o encontra quando vai buscar lenha e o acompanha até o acampamento cigano, descobrindo ali o seu amor pela música. Em O menino que vai para a lua com o amigo imaginário, um sapato velho se transforma em interfone secreto para anunciar a missão da primeira criança a pisar na lua (história do ator Felipe). Em A menina que encantava os passarinhos, uma velha escova de cabelos traz para a cena a história de uma rádio de passarinhos (memória da atriz Mariá). Muitas aves participam da programação: a andorinha dá receita de bolinho de chuva (chuva mesmo!); o tico-tico, que voa alto, faz a previsão do tempo; no futebol, os jogadores são pássaros; e a radionovela dramatiza a história do menino que ficou chateado porque ia ganhar uma irmãzinha, não um “irmãozinho para brincar”, mas descobre a alegria dessa nova relação (história de Emiliano).
Para o grupo, Os Lavadores de Histórias quer fazer o público lembrar coisas que não deveriam ser esquecidas, lembrar que brincar junto é fundamental, e quebrar as amarras dos adultos pela memória afetiva para que pais e filhos revivam a magia do brincar.
Serviço / Maio de 2022
Espetáculo: Os Lavadores de Histórias
Com: Cia. de Achadouros
Duração: 50 min. Livre para todos os públicos (recomendação: a partir de 4 anos).
Todas as sessões são gratuitas.
Suzano/SP – 14 de maio. Sábado, às 16h
Teatro Municipal Dr. Armando de Ré
Rua Gal. Francisco Glicério, 1354 – Centro. Tel: (11) 4759-1801
Salesópolis/SP – 19 de maio. Quinta, às 15h
ONG Contagie | 20ª Semana Nacional de Museus
Rua João Miguel, esquina com Av. Osaka, 545 – Jardim Nídia. Tel: (11) 98397-4375.