Chuva atrapalha, mas ciclistas pedem segurança e respeito no trânsito de Mogi
A forte chuva que caiu na cidade na noite desta segunda-feira (02), no horário marcado para a manifestação contra o aumento do número de acidentes envolvendo os ciclistas da cidade, acabou desarticulando o movimento. Os organizadores decidiram manter o protesto, realizado às 19 horas, em frente à Universidade de Mogi das Cruzes, porém, a participação […]
03/05/2022 05h58, Atualizado há 52 meses
A forte chuva que caiu na cidade na noite desta segunda-feira (02), no horário marcado para a manifestação contra o aumento do número de acidentes envolvendo os ciclistas da cidade, acabou desarticulando o movimento. Os organizadores decidiram manter o protesto, realizado às 19 horas, em frente à Universidade de Mogi das Cruzes, porém, a participação de pessoas ficou abaixo das expectativas.
Mesmo assim, os organizadores acreditam que conseguiram mandar um recado e cobrar providências à Prefeitura de Mogi para que sejam ampliadas a quantidade de ciclovias e ciclofaixas no município, além de reforçar a sinalização de trânsito em alguns pontos estratégicos.
Mogi das Cruzes está se tornando uma cidade “muito perigosa para os ciclistas”, na avaliação de um dos organizadores da manifestação, o ciclista Daniel Roberto Soares, que cita os três acidentes com mortes em menos de 30 dias O primeiro foi em frente à Estação de Estudantes, na Avenida Álvaro Pavan, que provoucou a morte de Jair Monteiro de Morais. Após uma semana e meia aconteceu o atropelamento de James Rodigues dos Santos, na Via Perimetral, no Rodeio. Ontem ocorreu mais um caso na estrada de Varinhas, que provocou a morte do minissionário Peter Vitek, da Associação São Lourenço.
Segundo ele, a manifestação estava sendo organizada desde o início do mês. A situação dos ciclistas se tornou dramática. Anda acontecendo muitos acidentes e estamos “É muito assustador a gente estar organizado uma manifestação para um ciclista (Jair), e durante a organização acontecer outros dois óbitos. É espantoso e assustador.
E o poder público não se deu conta disso. Triste demais, estamos cantando a bola já muito tempo e o poder público não ter feito nada Estamos muito revoltados com a falta de atitude do poder público em promover melhorias na situação cicloviária da cidade. Mogi das Cruzes tem número imenso de bicicleta, muito acima da curva em comparação a qualquer outras cidade da região. É muito grande o número de mogianos que utiliza tem bicicleta. Somando isso ao crescimento habitacional da cidade e ao grande êxodo de pessoas vindas de outras regiões, se não for feito nada agora, a situação deve piorar muito em pouco tempo”, avalia.
Daniel cita as propostas que diversos coletivos de ciclistas da cidade já encaminharam à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, entre elas a ampliação de ciclofaixa na Avenida Álvaro Pavan, onde ocorreu o atropelamento de Jair.
Providências
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, que lançou nesta segunda-feira a campanha Maio Amarelo, ‘Juntos Salvamos Vidas’, que prevê uma série de ações de prevenção do trânsito, esclarece que já iniciou a produção de faixas e placas específicas para ciclistas e motoristas, alertando para a conscientização.
De acordo com a pasta uma das principais atividades acontecerá no próximo dia 14/05, pela manhã: um Workshop sobre a segurança dos ciclistas, no Polo Digital, com participação de técnicos da pasta, Ecopistas, Corpo de Bombeiros e Polícias Rodoviária e Militar; a atividade é aberta para a população.
Em nota encaminhada à O Diário, a gestão alega que a conscientização no trânsito é muito importante, porque a falha humana acaba sendo a maior causa de acidentes. “Assim, por mais que a sinalização e as condições das vias estejam em ordem, de nada estes elementos vão adiantar para salvar vidas se houver imprudência no trânsito”, observa.
Sobre os protestos realizados por ciclistas da cidade, a Administração Municipal afirma que respeita todas as manifestações e se solidariza com os parentes e amigos das vítimas dos acidentes. “A Secretaria de Mobilidade Urbana segue, como sempre, à disposição para o diálogo, esclarecimentos e orientações”, acrescnta.
Projetos
Mogi das Cruzes, como esclarece a Prefeitura, conta atualmente com 32,38 quilômetros de vias cicláveis, o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, localizadas em diversas regiões da cidade: os distritos de Jundiapeba, Braz Cubas e Cezar de Souza e bairros como Vila Nova Mogilar, Rodeio, Jardim Armênia, Socorro, Conjunto Cocuera, Jardim Santista, Vila Industrial, Vila São Francisco e Centro. O índice é o maior de toda a região do Alto Tietê.
Para ampliar este índice, a gestão informa que está sendo implantada uma nova ciclovia entre o bairro do Socorro e o distrito de César de Souza, passando pelas avenidas João XXIII e Vereador Narciso Yague Guimarães. Além disso, observa que estão sendo realizados estudos para a implantação de mais 30 quilômetros de ciclovias, dentro dos projetos de mobilidade urbana para o desenvolvimento da região leste da cidade, o projeto Viva Mogi.
As estruturas, previstas para ser implementadas durante as obras e os projetos de intervenções para mobilidade urbana, como enfatiza a gestão, deverão passar por novos estudos a serem realizados por empresa especializada com o objetivo de maximizar a eficiência das estruturas com base nas necessidades do município.
A Mobilidade Urbana detalha que Mogi das Cruzes busca recursos federais para a revisão do Plano de Mobilidade Urbana, que traz diretrizes para toda a mobilidade do município, e para a elaboração do Plano Cicloviário do município. Este estudo será específico para o transporte cicloviário e deverá trazer informações e subsídios para que possam ser adotadas novas medidas e intervenções, garantindo a funcionalidade do sistema e melhores condições para o trânsito com bicicletas.
Conscientização
A gestão municipal lembra ainda que qualquer ação voltada à segurança viária somente terá eficácia com a conscientização de todos sobre a necessidade de convivência harmoniosa no trânsito. Este é o tema do Maio Amarelo deste ano (“Juntos Salvamos Vidas”).
Para isso, observa que a pasta de Mobilidade vem desenvolvendo, durante todo o ano, uma série de ações voltadas à Educação para o Trânsito, que envolvem distribuição de materiais informativos, palestras e ações com grupos específicos (inclusive motoristas do transporte coletivo e ciclistas) e atividades com crianças, como a Escola Mirim de Trânsito e concurso voltado aos alunos das redes pública e particular. “O tema deste ano, aliás, é “Vá de Bike com Segurança”, que aborda questões voltadas à segurança dos ciclistas com estudantes das redes municipal, estadual e particular”, reforça.