Noite Poética do Colégio Brasilis põe em foco a arte do jovem mogiano
A ‘Noite Poética’ do Colégio Brasilis mostrou, nesta quarta (16), que a arte não deve ser esquecida durante a pandemia do novo coronavírus. Mais do que um concurso de poesias, tanto quem foi ao Teatro Vasques como quem acompanhou o evento de casa, pelas redes sociais, pôde observar no palco os sentimentos do jovem mogiano. […]
17/06/2021 19h13, Atualizado há 60 meses
A ‘Noite Poética’ do Colégio Brasilis mostrou, nesta quarta (16), que a arte não deve ser esquecida durante a pandemia do novo coronavírus. Mais do que um concurso de poesias, tanto quem foi ao Teatro Vasques como quem acompanhou o evento de casa, pelas redes sociais, pôde observar no palco os sentimentos do jovem mogiano.
Assim como acontece há 18 anos, participaram da competição estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. As produções se basearam nos temas “Objetos do Cotidiano”, “A Mulher e o Cotidiano” e “A Infância e o Cotidiano”.
Mais do que poesias, a noite foi de homenagens, como para a poetisa Adélia Brado, nascida em 1935 e ainda ativa, aos 85 anos. Entre outras conquistas, ela, que pode ser classificada como uma escritora da literatura contemporânea, já que costuma adotar a perspectiva da mulher em seus poemas, recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura, com o livro ‘Coração Disparado’, de 1978.
Adélia foi a inspiração para a produção poética, mas no palco, o tributo foi além. Houve um momento emocionante, dedicado a um dos muitos personagens que deixam saudade no cenário literário da cidade: o oficial de Justiça aposentado e ex-presidente da Associação Mogiana Oficina dos Aprendizes (Amoa), Gedeão Alves, que não participou esse ano, diferente do que se costumava ver.
Nas outras edições, olhos atentos sempre puderam o perceber na primeira fileira de cadeiras do Teatro Vasques. Mas, infelizmente, no último mês de abril se tornou vítima da Covid-19, aos 66 anos.
Em 2019, aliás, Gedeão protagonizou um momento belo, ao lado do filho, Lenício. Na ocasião, juntos declamaram e cantaram. Em 2021, Lenício estava lá, novamente. E em memória do pai, interpretou uma poesia por ele escrita. “Quero compartilhar um pouco da pequena obra que ele nos deixou”, disse, emocionado.
Muitas emoções também marcaram a apresentação de todas as três categorias de crianças e adolescentes: I – alunos do 6º e 7º anos; II – alunos do 8º e 9º anos; e III – alunos do Ensino Médio. Todas as faixas etárias surpreenderam ao expressar, nos versos e rimas, suas opiniões, crenças e até mesmo inocências e saudades.
Jurados convidados, como este repórter e também a jornalista Janaina Rodrigues e o diretor de operações Renato Cocenza, ambos da TV Diário, avaliaram a performance dos alunos a partir de formulários digitais. Para os textos, foram considerados os seguintes critérios: mensagem (adequação ao gênero/adequação discursiva); unidade rítmica (adequação ao gênero/adequação linguística; criatividade (marcas de autoria); e vocabulário (convenção escrita).
Já a avaliação para as performances cênicas levaram em conta a entonação, a fluência, a dicção, a expressão corporal e a emoção.
Confira a lista de vencedores, que neste ano foi dominada pelas meninas, e também as poesias ganhadoras de cada categoria:
CATEGORIA I
Melhor intérprete: Natalia Correa Rodrigues Coelho (pela poesia ‘Um dia de Criança’)
Terceiro lugar: Larissa Almeida Gomes de Souza (autora da poesia ‘Inocência’)
Segundo lugar: Beatriz Oliveira de Almeira (autora da poesia ‘Dia de Cotidiano à Mesa’)
Primeiro lugar: Samya Ana Mallozze Shahzad (autora da poesia ‘Minha Família’)
Minha família
Quando morava em Guararema
Era muito pequena
Casa grande e cheiro de infância
Família reunida com tal importância.
Cada final de semana muita alegria
Passarinho, cachorro e galinha
Quando a chuva ameaçava
Era hora de juntar a criançada
Gato mia, esconde-esconde
Pula-pula, pega-pega
Polícia e ladrão
Sem esquecer o escorrega
Vovó no comando da cozinha
Mamãe bolo fazia
Torta por conta da tia
E a gente só comia.
CATEGORIA II
Melhor intérprete: Marina de Oliveira Issa Sayão (pela poesia ‘Ser mulher’)
Terceiro Lugar: Sofia Avona Ribeiro (autora da poesia ‘Livros’)
Segundo lugar: Letícia Sanchez Godoy e Silva (autora da poesia ‘Sonhos de Uma Jovem Mulher’)
Primeiro lugar: Fernanda Pereira Sassati (autora da poesia ‘Sou eu, a infância’)
Sou eu, a infância
Eu sou aquela que tem o dom de voar.
Eu sou fada, sou anjo, sou bruxa.
Eu sou quem eu desejar.
Pequenas coisas dão felicidade
Como bagunçar e não arrumar.
Conhecer alguém da minha idade
Ou meu prato preferido degustar.
Sem preocupações eu salvo o mundo.
O futuro da nação está em mim.
Sou eu, a esperança, lá no fundo
Tudo depende de mim.
Sou ingenuidade, sou inocência.
Sou a melhor fase da vida.
Enxergo que cada coisa
Tem sua essência divina.
Sou como um vento forte.
Deixo saudade em qualquer circunstância.
Sou feliz, mas passageira.
Sou eu, a infância.
CATEGORIA III
Melhor intérprete: Luiza Pereira Sassati (pela poesia ‘Lembrança’)
Terceiro lugar: Carolina de Campos Pereira Abbondanza (autora da poesia ‘Infância’)
Segundo lugar: Estela Yukari Nisiyama (autora da poesia ‘Lembrança’)
Primeiro lugar: Felipe Calabria Cortez Navas (autor da poesia ‘Saudade’)
Saudade
A saudade é grande do meu tempo de criança:
a diversão era imensa e eu sempre estava em festa.
Com meus amigos e brinquedos, eu fazia lambança,
mas o tempo passou e a idade me roubou a peça.
Sinto saudade das minhas poucas preocupações,
dos meus brinquedos e diversões,
de me sentar na sala e esperar o programa favorito,
jogar mil jogos diferentes em um mundo mágico e infinito.
Eu me perco nas lembranças e me encho de emoção,
a saudade aperta e eu sempre peço bis.
A vontade é de voltar e seguir o meu coração,
mas amadurecer e continuar o caminho da vida é o que a razão me diz.
Ainda não sou adulto, mas não me chamam mais de criança.
Encontro-me perdido em um turbilhão de emoções,
mas ainda cultivo dentro de mim a esperança.
Esperança de que dias melhores virão
e que a alegria e a doçura da infância persistirão.