Projeto leva o grafite a mil alunos de Mogi e Salesópolis
Mil alunos entre 12 e 18 anos de idade e matriculados em sete escolas estaduais de Mogi das Cruzes e uma Salesópolis vivem uma experiência diferente da rotina da sala de aula. Desde o último dia 13 e até o próximo dia 31, eles participam do projeto Grafite & Cultura, do Instituto Eco Ambiental, realizado […]
25/03/2023 08h04, Atualizado há 38 meses
Mil alunos entre 12 e 18 anos de idade e matriculados em sete escolas estaduais de Mogi das Cruzes e uma Salesópolis vivem uma experiência diferente da rotina da sala de aula. Desde o último dia 13 e até o próximo dia 31, eles participam do projeto Grafite & Cultura, do Instituto Eco Ambiental, realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A ação cultural consiste na grafitagem de muros destas oito escolas da rede estadual, com objetivo de ensinar arte e promover entretenimento artístico aos jovens, que retratam obras de arte de autoria do artista plástico Alexandre Fillage (leia mais na página ao lado), ao ar livre, com desenhos e pinturas gigantes, inspirados na fauna brasileira. A ideia é que as unidades escolares se tornem referência artística, destacando a importância do grafite em centros urbanos.
Os alunos participam de oficinas gratuitas, com duração entre dois e quatro dias – de acordo com a extensão do muro que será grafitado – ministradas por Fillage. A atividade é dividida em aulas teóricas e práticas, que resultam em grandes obras de arte – em extensão e formato – ao ar livre, que dão novo visual aos muros escolares.
Assim, os estudantes grafitam junto com Fillage e conhecem sobre a história desta arte, os principais artistas de cada época, além de aprenderem a diferenciar grafite de pichação.
A experiência tem sido prazerosa, segundo Lorena Gomes de Sousa Leite, 14 anos, da escola estadual Iracema Brasil de Siqueira, uma das que recebe o projeto na cidade. “É a primeira vez que mexo com grafite e está sendo muito divertido, porque aprendemos o que é grafite e sobre as artes modernas e futuristas, com bastante colorido”, destaca.
A avaliação é compartilhada por Rodrigo Rocha Barbosa Moura., 15. “Dá uma nova cor para a escola, tira o cinza, e deixa o ambiente mais colorido e alegre. Eu sempre gostei de pintar e agora estou aprendendo a diferença entre o grafite e a pichação”, aponta
Segundo Ana Cristina dos Santos Siqueira, professora especialista em currículo do Núcleo Pedagógico da Diretoria Regional de Ensino (DRE), de Mogi das Cruzes, o projeto envolve alunos, professores, a comunidade escolar, o tema meio ambiente e a técnica do mural. “O grafite faz parte do currículo e está no repertório cultural destes estudantes por conta da idade. Então, unimos a pintura com o assunto meio ambiente e, além do além de todo o processo pedagógico envolvido nesta ação, existe o processo de pertencimento neste movimento que envolve a comunidade do entorno. Por intermédio desta participação, o muro da escola se torna proativo, bonito e vivo”, considera.
Ela frisa, ainda, que a atividade faz parte da cultura contemporânea e envolve o respeito ao próximo e aos elementos da arte. “É o desenvolvimento daquilo que é diferente, que convive com o aluno no mesmo ambiente, mas que não compartilha com ele muitas vezes as mesmas ideias. Nós, da Diretoria de Ensino, fizemos essa mediação do projeto, mapeamos as diferentes regiões, escolas que apresentam vulnerabilidade e que têm esse público inserido nesta cultura do Brasil, no sentido que o projeto pode dar esse pertencimento à região, ao bairro, para que as pessoas possam olhar esta arte e saber que as mãos dos estudantes daquela escola ajudaram a construi-la”, explica.
Na avaliação de Bruna Caroline Lucas, colaboradora do Instituto Eco Ambiental, o projeto veio para criar um ambiente nas escolas, com objetivo de quebrar a monotonia das grandes cidades e trazer um pouco mais de cor e de alegria. “É um projeto muito importante para as escolas, pois pode trazer um pouco mais de conhecimento sobre arte e cultura, além de trabalhar a conscientização dos alunos sobre a diferenciação entre pichação e grafite”, acrescenta.
Bruna lembra que a receptividade ao projeto, que depois de contemplar as duas cidades da região do Alto Tietê, terá como próximo destino o município de Sumaré, no Interior do Estado de São Paulo. “Está sendo impactante, principalmente para os alunos, que fazem o grafite, acompanhados pelo artista, que trouxe a eles esta responsabilidade de se sentirem parte do trabalho. Além disso, pode despertar a identificação com a arte e incentivar o desejo de quem quer trabalhar com o grafite”, aponta.
Realizado pelo Instituto Eco Ambiental, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Instituto Eco Ambiental e Social, o projeto conta com o patrocínio da NGK do Brasil, apoio da Secretaria de Estado da Educação, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Fauna inspira o artista
As obras retratadas nos muros das escolas participantes do projeto Grafite & Cultura são de autoria do artista plástico Alexandre Fillage, reconhecido por retratar a fauna brasileira em seus trabalhos e que faz a grafitagem com auxílio dos alunos, que conhecem técnicas tradicionais, como spray, a aplicar a distância e a velocidade no seu uso, que tipo de tinta utilizar, se a óleo ou acrílica, uso de estêncil, aerógrafo, giz de cera, giz pastel, giz oleoso e de que forma podem obter uma visão de profundidade em suas obras.
Fillage destaca que o projeto leva às escolas um novo visual, que muda a fachada e o aspecto externo. “Com muitas cores e a temática da Mata Atlântica, os alunos fazem toda a parte colorida da flora, e eu faço, depois, os animais realistas, normalmente cinco em cada escola, característicos desse bioma criando um mural com bastante apelo visual, dando não só a escola, mas também ao entorno, uma nova ‘paisagem’. Além do aspecto visual à escola, a oficina proporciona aos alunos uma experiência única e muito rica. Como eles fizeram parte da execução da pintura, a sensação de pertencimento e satisfação é grande e realmente vivem uma experiência rica e emocionante. Não tem nenhum aluno que não tenha gostado de participar, até os menores, com mais dificuldade com o spray, porque precisam um pouco de força para apertar o bico, não querem sair do muro”, conta.
Ele destaca que se sente gratificado por fazer parte do projeto. “Especialmente por ver como eles ficam extremamente focados no processo. Raras vezes tivemos problemas com indisciplina ou outros. Algo que me tocou muito desse contato foi ouvir de vários alunos, que comentavam, não para mim, mas entre si, que pintar com o spray era como uma terapia. Ouvi a mesma coisa também de algumas professoras que eventualmente pintavam um pouco”, revela o artista.