Com saída de Naufel, governo Caio tem quatro baixas em quatro meses
Em janeiro, o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (PODE), nomeou Reinaldo Barreiros como secretário-adjunto para o setor de Esportes. Após muitas polêmicas, o técnico pediu o desligamento da gestão pública. Em fevereiro, houve a refutação de outro nome, Francisco Cochi, da Secretaria de Governo. Em março, foi a vez da secretária de Educação, […]
12/04/2021 18h11, Atualizado há 61 meses
Em janeiro, o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (PODE), nomeou Reinaldo Barreiros como secretário-adjunto para o setor de Esportes. Após muitas polêmicas, o técnico pediu o desligamento da gestão pública. Em fevereiro, houve a refutação de outro nome, Francisco Cochi, da Secretaria de Governo. Em março, foi a vez da secretária de Educação, Rose Tonete, que deixou o cargo, e também saiu da função Bruno Renzi, até então coordenador de Comunicação. E agora em abril, mais um braço da gestão foi cortado. Por pressão do Ministério Público, o responsável pela Saúde, Henrique Naufel foi exonerado nesta segunda-feira (12). Relembre o que levou ao desligamento de quatro pessoas em apenas quatro meses com novos rostos à frente do Executivo mogiano.
Aos seis dias de governo veio a primeira nomeação frustrada, de Reinaldo Barreiros, o gerou revolta nas redes sociais. Além de ser “um dos 12 denunciados pelo esquema de rachadinha no Núcleo de Avaliação Estratégica (NAE) da Alesp”, como aponta o UOL em uma reportagem publicada pelo jornalista Demétrio Vecchioli em julho de 2020, foram compartilhadas fotos dele com armas na mão e com mensagens favoráveis à ditadura militar, com falas semelhantes as do presidente Jair Bolsonaro.
Caio Cunha chegou a dizer que “nada consta” na certidão negativa do gestor, mas não teve jeito. A pressão foi tanta, ganhando o apoio de grupos como a Frente Popular pela Cultura, que no dia 13 de janeiro a prefeitura divulgou uma nota esclarecendo que Reinaldo teria comunicado o desligamento do governo. Danilo Luque ficou interinamente no cargo, mas Quem o substituiu, apenas a partir de 9 março, foi Ewerton Komatsubara.
Mais tarde, no dia 9 de fevereiro, o secretário de Governo de Mogi, Francisco Cardoso de Camargo Filho, o Cochi, foi convocado à Câmara Municipal para esclarecer a condenação por improbidade administrativa que recebeu quando trabalhava no Governo de Santa Catarina. O motivo? Um pedido de cassação contra o mandato de Caio Cunha (PODE), justamente por nomear alguém condenado.
Dois dias depois, a Câmara decidiu arquivar o pedido de cassação do prefeito, alegando não ter sido apontado dispositivo que proíbe a contratação de Cochi, já que sua sentença judicial não o proíbe de exercer cargo público. O gestor segue no cargo, mas permanece a mancha desta polêmica.
No mês seguinte, quando novas situações não eram esperadas, Rosemeire Tonete comunicou, no dia 9 de março, que deixaria o posto de Secretária da Educação. Neste momento, não estava claro o motivo da exoneração, mas O Diário conversou com ela, que justificou a decisão como sendo “pessoal”. Segundo ela, o fluxo e as atribuições da função, por ser muito administrativa, foge do seu perfil, mais voltado as questões pedagógicas da rede de ensino.
Ainda não foi anunciado o nome do substituto(a) oficial de Rose. Desde sua saída a pasta é ocupada interinamente pelo secretário adjunto Caio Callegari.
Em 19 de janeiro, no Facebook o prefeito divulgou como “o novo Coordenador de Comunicação da Prefeitura de Mogi” o publicitário Bruno Renzi, que foi desligado da função ao final de março. Ele, que tinha o “compromisso de divulgar todas as informações com transparência, agilidade e fácil acesso à população mogiana” saiu do grupo que atende a imprensa via WhatsApp no dia 31, sem explicações. Quem o substitui é o também publicitário Severino Netto.
E a última baixa é a do Secretário Municipal de Saúde, Henrique Naufel. Tido por muitos – como por Olavo Câmara Arruda, articulista de O Diário – como “uma ótima escolha”, Naufel foi um dos nomes mantidos da gestão anterior, de Marcus Melo (PSDB). Médico e idoso que trabalha dentro do Hospital Municipal de Braz Cubas, onde funciona o Centro de Referência do Coronavírus, o gestor foi um dos 10 primeiros a receber a vacina contra a Covid-19 na cidade, no dia 20 de janeiro.
Procurado pela sociedade civil para apurar o caso, o Ministério Público entendeu que Naufel “furou a fila” da imunização. A exoneração do secretário foi recomendada a Caio Cunha (PODE), que teve até último dia 8 para demiti-lo e evitar o risco de providências cabíveis nas esferas criminal e da improbidade administrativa.
Nesta data, porém, Cunha não o exonerou. A promotoria de Justiça de Saúde Pública de Mogi das Cruzes concedeu prazo improrrogável de 15 dias para que o prefeito Caio Cunha se manifestasse.
Ainda dentro do novo período, porém, a administração municipal comunicou nesta segunda-feira (12) a saída de Naufel, sob a promessa de que “uma comissão interna” assumiria temporariamente a pasta. Pela manhã, não havia um novo nome para chefiar a Saúde, e à tarde o prefeito esteve reunido com diretores do setor para decidir os próximos passos.
Entre eles está o possível desligamento de Tatiana Melo, que vinha respondendo pela direção da Rede Básica de Saúde, responsável pelos postos de saúde, e a gestão de unidades e programas, como as Upas e o Médico de Família.
Desde as primeiras horas de hoje, tão logo O Diário divulgou com exclusividade a saída de Naufel, começaram as apostas sobre quem deverá substituí-lo no comando da pasta. Entre os nomes cotados estão os dos médicos Gondim Teixeira, Otto Rezende Flores (presidente da Câmara) e Abdul Kader.
A Prefeitura ainda deverá se manifestar sobre a reunão que acontece na Secretaria e a substituição de Naufel.