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Comerciantes de Mogi lamentam o curto prazo para se adequar à fase vermelha

Pego de surpresa pela decisão da Prefeitura de Mogi, que colocará a cidade em fase vermelha a partir desta quarta (3) até a próxima segunda-feira (8), o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) diz ter publicado um ofício pedindo o adiamento das medidas restritivas à administração municipal. A solicitação é […]

Por O Diário
02/03/2021 19h38, Atualizado há 65 meses

Pego de surpresa pela decisão da Prefeitura de Mogi, que colocará a cidade em fase vermelha a partir desta quarta (3) até a próxima segunda-feira (8), o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) diz ter publicado um ofício pedindo o adiamento das medidas restritivas à administração municipal. A solicitação é baseada na queixa de que não houve um comunicado prévio para que o setor pudesse se “organizar de maneira clara e objetiva”. Porém a reportagem apurou que “até o fim do expediente, a prefeitura não havia sido notificada”, segundo disse a assessoria. 

Apenas 12 horas separam a informação sobre as novas regras, mais restritivas, que permitem somente o funcionamento de serviços essenciais, e o prazo para que elas passem a valer, já que o anúncio foi feito no Diário TV 1ª Edição, e o início está previsto para a meia-noite.

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Além deste curto prazo, o Sincomércio reclama da demora para publicação do decreto municipal nº 19.916, que de fato define as normas. O documento, que pode ser acessado na íntegra no Portal Municipal de Transparência, só foi disponibilizado por volta das 18 horas.

O Diário mostrou, nesta tarde, que a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) publicou um comunicado apontando a falta de diálogo entre poder público e o comércio. Valterli Martinez, presidente do Sincomércio, concorda com esta afirmação.

Como já imaginava que o Governo do Estado pudesse, a qualquer momento, reclassificar a região para a fase vermelha do Plano SP, ele diz que tinha um “combinado” com a prefeitura. “O prefeito avaliaria como seria realizado, para que houvesse um protocolo. Nesse diálogo, uma das indicações é que nenhuma mudança fosse feita sem nos comunicar, para que pudéssemos nos planejar”, diz ele, que viu o exato oposto nesta terça-feira (2).

“Da forma como foi feito não concordamos, tanto que já pedimos antes ao governo estadual que desse tempo para nos adaptarmos. Entendemos a situação da Covid-19 e somos bem claros com isso, mas houve tempo suficiente de fazer um planejamento mais organizado”, critica.

Quando conversou com a reportagem, Valterli não tinha ainda acesso ao decreto. Ele revelou que estava “cobrando” o envio deste documento com urgência, afinal, sem ele, não seria possível saber como operar a partir de quarta-feira (3). Mais tarde, já com o texto em mãos, disse, em entrevista à TV Diário, já ter repassado a orientação que todos os associados devem seguir as novas normas, e prometeu apresentar as dúvidas e anseios da categoria ao poder público.

Além de um ofício enviado à Prefeitura de Mogi, que pede o adiamento da “fase vermelha” para a quinta-feira (4), o Sincomércio diz ter solicitado uma “reunião de emergência” com o Sindicato dos Empregados no Comércio “para criar alguma alternativa de sustentação aos comerciantes”, já que a categoria “não terá o apoio do Governo do Estado”.

“Com o decreto saindo tarde, como o comerciante vai ser organizar para amanhã (quarta)? E os restaurantes? Vão jogar os alimentos fora? Quem vai pagar o custo das perdas?”, questiona Valterli, que “independentemente de aceitar ou não a decisão” sempre é “a favor de respeitar a lei”. Ele, porém, aponta que são os empresários e empreendedores que “pagarão a conta mais uma vez”, mesmo “sem ter saldo para isso”.

Contudo, o presidente do sindicato acredita que nesta quarta (3) haverá comércios abertos, pois não há “mais fôlego”, como havia há quase um ano, quando do início da pandemia de Covid-19. “O pequeno e o médio comerciante não consegue atingir meta de venda através de aplicativo e internet. Isso é impossível no momento”.

A previsão de Valterli é que, caso na avaliação da próxima segunda-feira (8) a administração municipal defina a continuidade da “fase vermelha”, entre 30 a 40% das “lojas pequenas” devem fechar na cidade, por falta de recursos para manter as portas abertas.

Os dados do Sincomércio mostram que em Mogi das Cruzes, mais de 1,5 mil comércios já encerraram as atividades devido as dificuldades impostas pela pandemia. São “três mil empregos diretos e indiretos”, como lamenta Valterli. Ao todo, há entre  e 6,5 mil empresas ativas em território mogiano. 

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