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Redes pública e particular perdem alunos: 2,4 mil deixaram o Ensino Médio em Mogi

Reflexo da pandemia, do manejo de estudantes entre as três opções de ensino e até na tábua de natalidade, os números das redes municipal e estadual assinalam um decréscimo de alunos matriculados na comparação entre 2019 e 2021. Na educação privada, também houve ligeira baixa nos ciclos Fundamental e Médio, mas a redução é mais […]

Por O Diário
20/06/2021 02h29, Atualizado há 62 meses

Reflexo da pandemia, do manejo de estudantes entre as três opções de ensino e até na tábua de natalidade, os números das redes municipal e estadual assinalam um decréscimo de alunos matriculados na comparação entre 2019 e 2021. Na educação privada, também houve ligeira baixa nos ciclos Fundamental e Médio, mas a redução é mais equilibraba, inclusive com aumento do contingente que está terminando a educação intermediária com alta de 171 jovens.

O inverso ocorre no Ensino Médio público, quando em 2019 havia 16.026 matriculados, e neste ano são 13.580, uma diferença de 2.467 mogianos a menos em formação.

Nos números totais, o Estado perdeu 967 alunos porque houve um ingresso maior no Ensino Fundamental (EF), com um superávit de 540 vagas ocupadas. Já na rede particular, antes da pandemia, eram 14.162 estudantes, e hoje são 14.276.
No braço municipal também se revela uma pequena redução do quadro, com 47.316 assistidos em 2019, e 47.140 (veja explicações da Prefeitura ao lado).

Entender esses números e buscar quem ficou fora do ensino são os desafios da educação brasileira.

Porém, quando se conhece a situação local, da própria cidade, essa meta é mais flagrante porqueda qualidade da aprendizagem e do acesso ao Ensino Superior dependem o perfil futuro socioeconômico e a equidade no município.

À frente da Diretoria Regional de Ensino, Estela Cruz deduz que a redução do número de matrículas se deve à excepcionalidade criada pela pandemia, e aposta em projetos, como o do ensino integral, e a busca ativa pelos estudantes, sobretudo do EM, para aplacar a retração na formação dessa nova geração.

Ainda não há dados concretos sobre a evasão escolar entre 2020 e 2021, que serão conhecidos apenas quando esse ciclo de dois anos terminar. Em 2019, esse índice no EM foi de 2,7%. Estela admite, no entanto, prejuízos que serão sentidos mesmo entre os alunos que permaneceram acompanhando as aulas neste 2021. Entre os motivos estão questões como a dificuldade que uma parte dos estudantes relata para acompanhar o conteúdo, sem a presença física do professor e a inexistência, inclusive, de sinal de internet em algumas áreas das cidades.

Alguns diagnósticos, comentou a profissional, apontam para uma “paralisia” nos índices de aprendizagem. “Infelizmente, diante dessa crise mundial, nós estamos em um país que precisaria investir muito mais na educação, e um dos reflexos na formação dos estudantes poderá ser uma mão de obra ainda mais barata e frágil em comparação com a mão de obra dos pais desses jovens”, preocupa-se, defendendo programas que visam qualificar o cidadão, como o de ensino integral, e que estão encontrando resistência em algumas comunidades.
Outra questão foi a dificuldade do acesso à internet. Estela não tem dados hoje sobre quantos alunos não tinham sequer o sinal de internet em Mogi, Biritiba Mirim e Salesópolis. Para quem relatou esse problema, garantiu, foi dada a prioridade na volta presencial, assim como aos alunos com dificuldade de aprendizagem.

Nesse retorno, diz ela, as salas recebem uma média entre 8 e 10 alunos, total questionado por entidades como o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial, a Apeoesp. Segundo o Estado, o número de professores que estão na ativa, infectados com o coronavírus, reduziu em comparação com 202). “Houve o reforço dos protocolos de segurança”.

No ensino municipal

Explicações para a redução do total de alunos no ensino municipal são dadas pela Prefeitura de Mogi, por meio de nota, sobre o enxugamento do contingente atendido pelo município. São elas: a queda de 7% nos índices de mogianos nascidos vivos entre 2020 e 2021, segundo números da Secretaria Municipal de Saúde, e o fato de as creches terem permanecido fechadas durante praticamente os últimos 15 meses.

A queda mais dramática ocorreu no ensino infantil privado, que saiu de 1.213 bebês e crianças em 2020 para 603, em 2021. Esse setor praticamente paralisou desde março do ano passado, e ensaia a reativação de unidades agora, com a chegada de mais vacinas.

Já os números totais da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação de Ensino Especial reve um enxugamento de apenas 176 matrículas entre 2019 e 2021, com, respectivamente, 47.317 matriculados, e 47.140. Quando comparado 2020 com 2021, a baixa é de 754 vagas, porque em 2020, quando três novas creches foram entregues, a expectativa era de receber 47.894 alunos – o que não foi concretizado por causa do fechamento das creches desde março passado.

No EJA, apesar de um setor sensível, a diminuição das vagas municipais foi de apenas 36 alunos.

Futuro

A aplicação da vacina contra a Covid-19 em todos os profissionais da Educação – acelerada na útima quinzena em São Paulo – embala a expectativa do Governo do Estado de retomar as aulas em agosto, após o recesso do meio de ano, que também será cumprido pelas redes particular e estadual em Mogi e nas demais cidades paulistas. 

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