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Biritiba Mirim já teve um “semáforo da discórdia” em sua história

Na recém-emancipada Biritiba Mirim do início dos anos 1970, o segundo prefeito eleito, Joaquim Ribeiro Coelho, o Joaquim Padeiro, comemorava sua recente conquista: a colocação, na saída da cidade, do primeiro semáforo do município. Afixado entre dois postes, o sinal, um presente do prefeito de Mogi das Cruzes da época, exigiu até a mudança da […]

Por O Diário
06/11/2022 08h51, Atualizado há 45 meses

Na recém-emancipada Biritiba Mirim do início dos anos 1970, o segundo prefeito eleito, Joaquim Ribeiro Coelho, o Joaquim Padeiro, comemorava sua recente conquista: a colocação, na saída da cidade, do primeiro semáforo do município.
Afixado entre dois postes, o sinal, um presente do prefeito de Mogi das Cruzes da época, exigiu até a mudança da mão de direção da rua onde foi instalado.
Empolgado com a novidade, que mostrava a modernidade chegando, finalmente, ao pouco movimentado trânsito da Biritiba Mirim da época, o prefeito esqueceu-se de avisar aos proprietários de veículos da cidade sobre a contramão em que se transformara o tradicional caminho de saída da cidade, que os motoristas de lá conheciam até de olhos fechados.
Entre eles, estava o senhor Oscar Monteiro Pinho, dono da única padaria da cidade, que todas as manhãs, por volta de 4h30, ainda escuro, saía com sua Kombi para entregar encomendas, como pães, biscoitos e outros quitutes que produzia, para comerciantes dos bairros do Sogo, Irohy, Sertãozinho e outros, distantes da área central de Biritiba Mirim.
Oscar  fazia sempre o mesmo trajeto, passando pelas duas únicas ruas que circundavam  o jardim, defronte a igreja principal da cidade, todos com o nome santo padroeiro de Biritiba, São Benedito e seguindo depois para a saída da cidade.
Apesar de madrugada, havia algum movimento de pedestres que se caminhavam  rumo a pontos de ônibus, em busca de condução que os levaria para o trabalho, em Mogi das Cruzes e outras cidades da região, já que o incipiente município não dispunha, à época, muitas opções de emprego para as famílias ali residentes.
Afinal, até 1964, Biritiba era apenas um bairro próximo de Mogi das Cruzes, que só então  conquistara a sua emancipação político-administrativa, alcançando o status de cidade, ainda em fase de instalação.
Mas voltemos ao senhor Oscar Monteiro Pinho que, naquele dia, como fazia habitualmente, partiu para as entregas, ao lado de seu funcionário, Ranulfo, que sempre o acompanhava  no trabalho das madrugadas. 
Oscar fazia sempre o mesmo trajeto, passando justamente pela rua onde a mão de direção havia sido alterada, sem que a maioria dos motoristas locais soubesse.  
Sem saber que seu trajeto passara a ser proibido, ele avançou pela rua afora e acabou batendo de frente com um outro veículo, que vinha na mão de direção correta, obedecendo ao semáforo que Oscar desconhecia.
“Foi um acidente grave que feriu os ocupantes dos dois veículos”, como lembra o ex-vereador Elias Tomé da Silva Pires.
Tão grave que ao prefeito Joaquim Padeiro restou determinar a retirada do semáforo e a manutenção da antiga mão de direção da via.
Biritiba, onde todos os moradores se conheciam, ainda não estava preparada para o sinal de trânsito, verdadeira “extravagância” que, aliás, inexiste até os dias de hoje, segundo atesta Elias Tomé da Silva Pires, antigo morador daquela cidade, hoje em Mogi das Cruzes.

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