Caio Cunha entra na polêmica sobre feriado da Consciência Negra
A proposta de criação, em Mogi das Cruzes, do feriado do Dia da Consciência Negra, atualmente tramitando junto à Câmara Municipal, continua provocando um interessante debate entre os mogianos. Questionado sobre a possível criação do feriado de 20 de novembro, o prefeito Caio Cunha (PODE) – que chegou a se posicionar contrário à ideia quando […]
15/09/2021 16h08, Atualizado há 59 meses
A proposta de criação, em Mogi das Cruzes, do feriado do Dia da Consciência Negra, atualmente tramitando junto à Câmara Municipal, continua provocando um interessante debate entre os mogianos.
Questionado sobre a possível criação do feriado de 20 de novembro, o prefeito Caio Cunha (PODE) – que chegou a se posicionar contrário à ideia quando era vereador -, disse o seguinte a esta coluna:
“Se o projeto for aprovado, eu não irei vetar, pois considero que a Câmara possui representatividade para tomar tal medida”, garantiu ele, relembrando que havia sido contrário a uma proposta semelhante que chegou a ser apresentada em outra oportunidade no Legislativo.
“Acho que, infelizmente, um feriado como esse não faz refletir sobre coisa alguma. As pessoas querem apenas desfrutar o descanso e não sabem sequer por que aquele feriado existe”, garantiu o prefeito, assegurando ainda que “não é um feriado que irá conscientizar as pessoas sobre as lutas dos negros”.
Na opinião de Caio Cunha, a criação de um novo feriado no mês de novembro trará prejuízos evidentes para a economia da cidade, já que outros dois feriados daquele mês já estão oficialmente incorporados ao calendário de Mogi: o do dia 2, que lembra Finados, numa homenagem aos mortos; e o do dia 15, que comemora a Proclamação da República, ocorrida no ano de 1889 (no ano seguinte à assinatura da Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no País, promulgada em 13 de maio de 1888).
O prefeito volta a comentar o assunto para dizer que haverá determinados anos em que ocorrerá a chamada “emenda de feriados”, praticamente inviabilizando o mês de novembro quase inteiro. “Será emenda atrás de emenda. Por exemplo, quando o feriado do dia 15 cair numa quinta-feira, o do dia 20 cairá numa terça-feira, uma paralisação de praticamente uma semana, se contarmos as inevitáveis emendas. É muito prejuízo para a economia de uma cidade”, diz o prefeito, que sugere manter a comemoração do Dia da Consciência Negra, fixa, num domingo qualquer de novembro. “Se o objetivo é buscar a conscientização, a Prefeitura está preparando atividades que provoquem reflexão sobre o povo negro, sua história, discriminação racial e outros temas”, diz ele, concluindo:
“Não vejo efetividade no feriado, mas repito: se a Câmara Municipal de Mogi aprovar o projeto, não sou eu quem vai vetar. A Câmara tem sua autonomia e representatividade. Não veto de jeito nenhum”.