Candidato perde a eleição, mas não compra os votos que precisava
Candidato a vereador por insistência de Waldemar Costa Filho, o mogiano Toninho Andari, de saudosa memória, estava confiante nos resultados de sua campanha, feita junto a seus incontáveis amigos, em especial os frequentadores do Centro Espírita Caminheiros, onde ele costumava servir sopa para carentes, uma vez a cada semana. Toninho tinha plena confiança no seu […]
26/06/2022 08h50, Atualizado há 50 meses
Candidato a vereador por insistência de Waldemar Costa Filho, o mogiano Toninho Andari, de saudosa memória, estava confiante nos resultados de sua campanha, feita junto a seus incontáveis amigos, em especial os frequentadores do Centro Espírita Caminheiros, onde ele costumava servir sopa para carentes, uma vez a cada semana.
Toninho tinha plena confiança no seu trabalho e, por isso mesmo, não gostou nem um pouco quando o amigo Waldemar Costa Filho, já na reta final da campanha, chegou até ele e disse:
“Precisamos comprar uns 200 votos para você se eleger.
O candidato se irritou:
“Vou ganhar esta eleição unicamente pela força do meu trabalho”, retrucou Toninho.
Contados os votos, ele perdeu a eleição por pouco mais de 150 voto.
E aprendeu a dura lição da política doméstica.
Uma briga entre “excelências”
José Roberto Kachel, ex-engenheiro do DAEE e crítico feroz de algumas obras do governo estadual, foi quem contou a história para esta coluna:
Lá pelos tempos d’antanho, a sessão na Câmara de Biritiba Mirim corria modorrenta, quando, de repente, o pau cantou.
Desentenderam-se os vereadores Zé Maria e Joaquim Padeiro.
Zé Maria -lembrou Kachel- abriu a caixinha de ferramentas e passou a desancar Joaquim com impropérios inimagináveis.
Joaquim ouviu, impassível, as palavras de seu desafeto, até ele encerrar o virulento discurso, acompanhado com absoluta atenção e em silêncio pelos demais.
“Vossa Excelência acabou?” – perguntou;
“Sim” – respondeu Zé Maria.
“Pois fique sabendo que Vossa Excelência está ofendendo Minha Excelência”, arrematou Padeiro.
A sessão terminou ali.
Uma questão de postura
Falecido há algum tempo, José Elias Habice Filho foi um austero juiz de Direito, em Mogi das Cruzes, antes de se tornar desembargador do Tribunal de Justiça da Capital, onde se aposentou.
No Fórum local, ele costumava ler o jornal enquanto aguardava o início das audiências.
A certa altura, olhando por cima da publicação, viu a pessoa que iria interrogar toda desleixada, quase enterrada na cadeira à sua frente.
Passou-lhe uma sonora carraspana, exigindo que se recompusesse, em respeito à autoridade. “Doutor, bem que eu gostaria”, gemeu a testemunha.
Só então o juiz notou que o cidadão estava engessado, desde o pescoço até as pernas.
Habice voltou rapidinho para trás do jornal, tentando conter o riso.