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Deputado fica sem carro, pega carona e ainda não dá gorjeta

Mauricio Nagib Najar foi um dos grandes deputados que Mogi já elegeu para representá-la na Assembleia Legislativa.  Advogado criminalista que fazia de sua oratória um espetáculo à parte, nos tribunais da Justiça ou nas tribunas da política, era um personagem à frente de seu tempo, capaz de se preocupar com questões ecológicas, como a preservação […]

Por O Diário
23/10/2022 07h27, Atualizado há 46 meses

Mauricio Nagib Najar foi um dos grandes deputados que Mogi já elegeu para representá-la na Assembleia Legislativa. 

Advogado criminalista que fazia de sua oratória um espetáculo à parte, nos tribunais da Justiça ou nas tribunas da política, era um personagem à frente de seu tempo, capaz de se preocupar com questões ecológicas, como a preservação da Serra do Itapeti, quando isso ainda interessava a poucos; com a merenda escolar para estudantes de cursos noturnos e até com a liberação de praias por condomínios que as cercavam com enormes correntes, impedindo o livre acesso público.

Todos esses assuntos foram alvos de alguns dos muitos projetos apresentados por ele e que viraram lei entre os anos de 1979 e 1991, em que esteve na Assembleia de São Paulo.

A todos esses atributos, o deputado juntava mais um: a fama de mão fechada, que ele próprio dizia ter herdado de seus antepassados libaneses. 

Ou seja, era um pão-duro assumido, o que pode ser comprovado com a história a seguir.

Certa tarde, Najar e os assessores Josias de Almeida e Elias Martins, voltavam de uma viagem a Santos, quando o carro oficial, dirigido pelo fiel Francisco Claret Ribeiro, apresentou problemas mecânicos e parou em plena rodovia Anchieta.

Os passageiros desceram em busca de uma condução para levá-los até a Assembleia, onde seria providenciado um novo veículo para substituir aquele avariado, no alto da Serra do Mar. 

E não foi preciso esperar muito tempo. Um táxi que fizera uma corrida até a Baixada Santista retornava vazio para São Paulo e o motorista, gentilmente, se ofereceu para dar uma carona àquele grupo de engravatados senhores.

Durante o trajeto, todos se apresentaram e o taxista não conseguia esconder o orgulho de ter em seu carro um deputado estadual e seus dois assessores, já que Claret havia permanecido no carro para aguardar o socorro.

Político bom de prosa, acompanhado do mineiro Josias, que também não ficava atrás, os dois abreviaram o tempo de viagem contando histórias que deixavam o motorista cada vez mais empolgado com tudo o que ouvia do grupo.

E foi assim que o táxi acabou parando diante da  principal rampa de acesso à Assembleia Legislativa, no Ibirapuera, em São Paulo.
“Pronto, os senhores estão em casa!”, disse o solícito condutor, imaginando, quem sabe, receber no mínimo uma gorjeta, por haver trazido o grupo com segurança e rapidez ao seu destino.

E foi, então, que Mauricio tomou a iniciativa:

“Eu não vou nem perguntar quanto é o seu serviço porque você nos tratou com tanta gentileza, que temo até ofendê-lo com tal pergunta. E eu não quero te desrespeitar de forma alguma.”

Todos deixaram o carro e o motorista ainda agradeceu, ao partir com seu táxi.

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