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Discussão entre dois funcionários termina com tiros, em Prefeitura

 Francisco Quadra Andrez, o conhecido Ticão, era um gozador de primeira e um contador de histórias melhor ainda. Funcionário de carreira da Prefeitura de Suzano, ele precisou escrever um livro para imortalizar suas memórias. Uma delas acabou em tiros de garrucha dentro da Prefeitura, como ele conta no livro “Suzano, a história que você não […]

Por O Diário
17/04/2022 08h17, Atualizado há 52 meses

 Francisco Quadra Andrez, o conhecido Ticão, era um gozador de primeira e um contador de histórias melhor ainda. Funcionário de carreira da Prefeitura de Suzano, ele precisou escrever um livro para imortalizar suas memórias.
Uma delas acabou em tiros de garrucha dentro da Prefeitura, como ele conta no livro “Suzano, a história que você não leu”: “A briga que eu tive com o saudoso Leonardo Pinto Mendonça, chefe da Receita da Prefeitura, foi a mais séria. Discutimos na minha sala por uma questão idiota, trocamos insultos e quase chegamos às vias de fato. A discussão só terminou quando decidimos acertar as contas no final do expediente, no meio da rua. A ‘turma do deixa disso’ entrou em cena, tentando evitar o confronto, conversando com os dois lados, mas não teve jeito. No meio da tarde, eu fui até o Bar do Alvarenga comer um sanduíche e, no caminho, encontrei com o Leonardo. Nos encaramos, fizemos algumas provocações e, por fim, resolvermos ir juntos para o bar, onde decidimos que não era o momento de brigas. Nossa velha amizade não iria terminar assim. Mas decidimos também manter a promessa de briga no retorno para o serviço. 
Na volta para a Prefeitura, passamos na casa dele, que era ali perto e, numa pequena carpintaria de seu pai, nos fundos, eu encontrei uma velha garrucha prateada, de dois canos.
‘Leonardo, eu disse, hoje você vai me matar’.
‘Boa ideia’, respondeu ele, olhando a garrucha na minha mão. Feito o acordo, pegamos um alicate, prendemos uma bala da garrucha na morsa, tiramos o chumbo e só deixamos a pólvora e a espoleta. Fizemos o mesmo com a segunda bala.
‘Eu vou na frente, pra minha sala, você entra, grita comigo e eu respondo. Aí você aponta a arma e mete bala. E eu caio morto, tá?’
Voltei à Prefeitura e não precisei fazer muito para preparar a cena. Todos estavam preocupados com a nossa briga. Sentei e logo todos estavam em pé ao lado da mesa, o Dito Martins, Magary Takabatake, Mayr de Souza e Issao Nishikawa. Nesse momento, entra o Leonardo, me chamando para briga.
‘Você é um idiota’, desdenhei. E ele: ‘Idiota é você que vai ter que me engolir’. Ato contínuo puxou a enorme garrucha prateada e apontou na minha direção. A gritaria foi geral. ‘Atira se for homem’, desafiei.
E ele, apontando para o meu peito, mandou bala. Dentro da sala, o tiro fez um barulhão. Coloquei a mão no peito, grunhi alguma coisa e desabei atrás da mesa. Magary em pânico, Mayr desmaiou e Issao pedia calma para o Leonardo, que fingindo estar mais louco ainda, apontou a garrucha no peito dele e disparou o segundo tiro.
Issao contava, por muito tempo, que sentiu a bala entrando no seu corpo. Mesmo depois de me verem em pé, a confusão continuou. Quando fui socorrer a Mayr, ela gritava apavorada que eu estava morto e que tinha visto sangue na minha camisa.
Já o pobre Issao tivemos que levá-lo embora para trocar as calças, completamente molhadas”, concluiu Ticão.

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