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Divergências internas no PL opõem Bolsonaro e Costa Neto

O script previsto para a difícil convivência entre Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro dentro do PL começa a se confirmar plenamente, antes mesmo do primeiro turno das eleições deste ano. No dia seguinte à visita amistosa de Costa Neto ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, onde afirmou que seu partido […]

Por O Diário
30/09/2022 07h06, Atualizado há 46 meses

O script previsto para a difícil convivência entre Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro dentro do PL começa a se confirmar plenamente, antes mesmo do primeiro turno das eleições deste ano.

No dia seguinte à visita amistosa de Costa Neto ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, onde afirmou que seu partido acreditava na eficiência das urnas eletrônicas e chegou a visitar a “sala secreta”, local onde é feita a totalização dos votos de todo o País, na sede do TSE, o candidato Bolsonaro acabou por utilizar o nome do PL para divulgar um documento em que são levantadas suspeitas – sem provas, vale dizer – sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Tal medida levou o ministro Moraes a determinar uma investigação sobre integrantes do partido pela divulgação de informações “falsas e mentirosas”, numa “clara tentativa de embaraçar e tumultuar o curso natural do processo eleitoral”.

Enquanto o texto que traz o carimbo do PL passou a integrar o inquérito da fake news, as divergências entre Costa Neto e Bolsonaro vão se tornando cada dia mais evidentes.

Informações de Brasília dão conta de que a declaração do presidente do PL de que não haveria mais “sala secreta”, após ter visitado pessoalmente o local, provocou forte reação de Bolsonaro que insiste em colocar dúvidas sobre o processo eleitoral, como caminho para deslegitimar o resultado das urnas. 

Obviamente, ele não gostou do que disse Costa Neto. Os dois teriam discutido feio.

Em resumo, a divulgação do documento em nome do PL praticamente impôs a Costa Neto uma situação no mínimo constrangedora, após ele ter se encontrado pessoalmente com o presidente Moraes. 

Foi como se tivesse sido desautorizado por Bolsonaro, ao usar o partido sem autorização de seu presidente e autoridade maior da estrutura.

A ida de Costa Neto ao TSE, por sua vez, também soou muito mal às visitas dos bolsonaristas mais radicais, que consideraram a iniciativa uma espécie de “traição” à linha de ação do candidato à reeleição, a quem somente o confronto com aquela Corte interessa.

Enquanto bombeiros de Brasília tentam apagar o incêndio entre os presidentes do partido e da nação, pode-se dizer que tal confronto já era mais que esperado, como ressaltou esta coluna no momento em que Bolsonaro assinava a ficha de filiação e ingressava de vez no PL.

Para Costa Neto, a possibilidade de seu partido ter a primeira ou segunda maior bancada no Congresso é algo que ele sempre sonhou para o PL e, por isso mesmo, o confronto com Bolsonaro não lhe interessa nem um pouco.

Por outro lado, a ingerência de Bolsonaro, tomando medidas em nome do partido, é algo que fere frontalmente a autoridade do presidente do PL, que sempre comandou com mão de ferro, deu as cartas e jogou de mão dentro da agremiação, jamais permitindo ingerências externas, ainda mais à sua revelia.

É evidente que agora resta aguardar o resultado do primeiro turno para se avaliar de que maneira ele será interpretado dentro do PL de Costa Neto e do grupo de Bolsonaro.

O que poderá ocorrer, a partir daí, ainda é uma interrogação, mas é certo que em águas serenas, o barco liberal dificilmente voltará a navegar.

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