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Folclore Político (CLXVII) O caso das cestas

Vale recordar aqui neste espaço uma das histórias mais mirabolantes da política local, ocorrida durante a campanha daquele que viria a ser o terceiro mandato de Waldemar Costa Filho à frente da Prefeitura de Mogi. Aquela prometia ser uma das mais difíceis para o já experiente político, já que do outro lado da disputa estavam […]

Por O Diário
11/12/2020 16h06, Atualizado há 68 meses

Vale recordar aqui neste espaço uma das histórias mais mirabolantes da política local, ocorrida durante a campanha daquele que viria a ser o terceiro mandato de Waldemar Costa Filho à frente da Prefeitura de Mogi. Aquela prometia ser uma das mais difíceis para o já experiente político, já que do outro lado da disputa estavam candidatos do peso político de um Mauricio Najar, que tinha entre os seus assessores, o conhecido Januário Figueira Filho, o Nêga, filho de tradicional comerciante português, que se notabilizou pelo trabalho em padarias de diferentes pontos da cidade. Nêga era um adepto de medidas, digamos, pouco ortodoxas, quando se tratava de campanhas eleitorais. E foi com esse espírito  que ele e alguns amigos percorreram  a periferia mais pobre de Mogi, num final de noite, entregando supostos vales que, se entregues no comitê do adversário Waldemar, daria direito a uma cesta básica. No dia seguinte, logo pela manhã, a fila já dobrava o quarteirão da rua Coronel Souza Franco, a partir do escritório, aonde hoje é a sede do Diretório do PL. Eram centenas de pessoas à espera das tais cestas. Waldemar foi avisado do que acontecia. E, por volta de 8 horas, desceu do carro, bolsa preta pesada em uma das mãos, e foi para o interior da casa que se servia de escritório político e comitê . Lá fora, a cena fervilhava. Waldemar foi para uma sala, chamou alguns assessores e mandou que entrassem , um a um, todos os que estivessem na fila. E, pacientemente, explicou a cada uma das pessoas que não fora ele quem  distribuíra os vales e que tudo não passava de um golpe baixo, uma armação de seus adversários políticos. E, em seguida, entrava a astúcia do velho cacique político mogiano: para compensar a perda de tempo de todos eles, o candidato  enfiava a mão na bolsa preta, lotada de dinheiro, e entregava a cada morador uma certa quantia, dizendo que era pagar o ônibus de volta para casa. Só que o o valor extrapolava – e muito – o preço de uma passagem e até mesmo o valor de uma cesta básica da época.  Foi assim durante quase duas horas. E todos da fila “entenderam  muito bem” o que havia acontecido. Naquela manhã, o candidato a prefeito Waldemar Costa Filho não só ganhou um punhado de votos, como ainda conseguiu vestir uma verdadeira “saia justa” em seus adversários, que saíram como os grandes vilões daquele dia. Pelo menos daquela vez, a estratégia de Nêga não deu certo e, de novo, Waldemar chegaria, com folga e fama, à Prefeitura de Mogi para cumprir aquele que viria a ser o seu penúltimo mandato.

QUESTÃO DE ‘EXCELÊNCIAS’

Esta foi contada à coluna pelo engenheiro José Roberto Kachel, ex-DAEE: Lá pelos d’antanho, a  sessão da Câmara Municipal de Biritiba Mirim corria modorrenta, com algumas indicações e outros trabalhinhos nada interessantes. De repente, o pau cantou. Desentenderam-se os edis Zé Maria e Joaquim Padeiro. O primeiro abriu a caixinha de ferramentase passou a desancar Joaquim com impropérios inimagináveis. Joaquim ouvia tudo, impassíavel. Até que a certa altura, indagou: “Vossa Excelência já acabou?” – questionou ele. “Sim!”, respondeu, lacônico, o Zé Maria.  Os demais vereadores já esperavam pelo pior, quando Joaquim voltou à carga: “Pois fique sabendo  que Vossa Excelência está ofendendo Minha Excelência!”, arrematou o padeiro. Nem é preciso dizer que a sessão terminou por ali mesmo.

ALERTAS SILENCIOSOS

O deputado federal mogiano, Marco Bertaiolli, herdou de Waldemar Costa Filho  um quadro com a frase atribuída ao presidente  norte-americano, John Kennedy, que servia como alerta aos incautos , na parte superior de seu gabinete, com os seguintes dizeres: “O segredo do fracasso é querer contentar a todos”. Servia – e ainda deve servir, pois Bertaiolli a mantém em seu atual escritório político -como uma espécie de “espanta favores”. Já no Rio de Janeiro, o ex-governador Chagas Freitas  fazia questão de deixar bem à vista, no interior de seu gabinete, no Palácio Guanabara  ( o das Laranjeiras é a residência oficial do governador), um mosaico português com a frase, lema e farol: “Não peço a Deus que me dê, mas que me ponha onde haja”.

CURRÍCULO DO JOÃO

Nos tempos do AI-5 e de fechamento dos legislativos veio a ordem de Brasília para que todos os parlamentares fizessem uma declaração de bens  dos dez anos anteriores. Sebastião Nery, o jornalista que mais sabe do folclore político deste País, conta que João Batista Botelho, conhecido na Assembleia de São Paulo como “João Cuiabano”, preparou o seu dossiê e quando ia enviá-lo, alguém o advertiu que precisaria dar a “eles” também o seu currículo. Homem de poucas letras, o Cuiabano virou uma fera: “Isso eu não vou dar de jeito nenhum. Só conseguirão, se passarem  sobre o meu cadáver”. 

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