Komura: “Meu partido acabou”. PSDB ameaça implodir em Mogi
A fragorosa derrota do candidato a governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, nas eleições de domingo passado; as péssimas performances de tucanos tradicionais como José Aníbal, que perdeu a disputa pelo Senado, e José Serra, que não se elegeu sequer deputado federal; a saída de Geraldo Alckmin para se candidatar a vice na chapa de […]
06/10/2022 07h05, Atualizado há 46 meses
A fragorosa derrota do candidato a governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, nas eleições de domingo passado; as péssimas performances de tucanos tradicionais como José Aníbal, que perdeu a disputa pelo Senado, e José Serra, que não se elegeu sequer deputado federal; a saída de Geraldo Alckmin para se candidatar a vice na chapa de Lula; e o desgaste produzido pelos rachas internos do partido em níveis estadual e federal, poderão resultar numa implosão gigantesca do PSDB em todo o País, em especial em Mogi das Cruzes, onde alguns integrantes já falam abertamente em trocar o partido por outras legendas.
“Meu partido acabou”, sacramentou o decano Pedro Komura, vereador mais antigo da Câmara Municipal, que não esconde sua insatisfação com a situação atual do partido, a começar pela cidade, onde, segundo ele, o presidente Marcus Melo “não fez nada” para modificar tal situação.
Marcus Melo, por sua vez, não adianta qualquer tentativa para tentar unir o partido e nem mesmo uma reunião para avaliar os resultados da eleição está programada.
Pessoalmente, Melo diz que irá votar em Jair Bolsonaro (PL) para presidente e em Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador no segundo turno. Quanto a permanecer ou não no PSDB, o presidente garante que “será uma questão de avaliação.
Já Pedro Komura promete se reunir com integrantes de seu grupo político e também com vereadores da bancada tucana na Câmara para decidir até mesmo o seu futuro na política.
“Não vou ficar aqui (no PSDB). Não tem futuro. Depois de 28, 30 anos de governo em São Paulo, acho muito difícil segurar as lideranças. O João Doria acabou com o partido. Conseguiu tirar o Geraldo Alckmin e descontentou muita gente”, disse o vereador, que tem forte influência na Câmara e até mesmo dentro de sua bancada.
Komura ainda não conversou com seus companheiros de Câmara, mas é bem provável que após apoiar abertamente as candidaturas à reeleição dos candidatos a deputado de Guararema, Márcio Alvino e André do Prado, o futuro de José Luiz Furtado seja o PL de Valdemar Costa Neto.
Marcelo Brás do Sacolão, o vereador mais votado no pleito passado na cidade, mas que não ultrapassou os 8.993 votos como candidato a deputado federal, ainda é uma incógnita, assim como Maurinho do Despachante. Uma coisa, no entanto, é certa: o futuro do partido e de cada um deles, como virtuais candidatos à reeleição nas eleições de 2024, preocupa a todos.
Pedro Komura, no entanto, é taxativo: “O partido está minguando e não sei o que vou fazer. Talvez tudo isso possa ser um indício de que é hora de parar com a política”, afirma, deixando a decisão para a reunião de seu grupo, onde serão avaliados os resultados das eleições.
“É preciso interpretar o recado das urnas”, afirma o decano, o que não significa, de maneira taxativa, que ele vá buscar abrigo no PL de Costa Neto, Tarcísio e Bolsonaro. “Não sei, vamos pensar”, diz.
A conversa com os aliados e companheiros de partido deve definir os rumos de Komura.
O futuro do PSDB nunca esteve tão incerto em Mogi e no resto do País.