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Livro de Mello Freire aponta lição de honestidade na Prefeitura de Mogi

Manoel Mello Freire, 2º tabelião de Mogi das Cruzes, cujo cartório se localizava na rua Paulo Frontin, figura muito conhecida e respeitada na cidade dos anos 1940 e 1950, era também escritor. Foi de sua autoria o livro Histórias da História de Mogi das Cruzes, editado no ano de 1958, onde a coluna foi buscar […]

Por O Diário
10/04/2022 13h15, Atualizado há 52 meses

Manoel Mello Freire, 2º tabelião de Mogi das Cruzes, cujo cartório se localizava na rua Paulo Frontin, figura muito conhecida e respeitada na cidade dos anos 1940 e 1950, era também escritor.

Foi de sua autoria o livro Histórias da História de Mogi das Cruzes, editado no ano de 1958, onde a coluna foi buscar o exemplar episódio ocorrido na cidade, do período compreendido entre 1911 e 1915, época em que o município era administrado pelo então prefeito Manuel Alves dos Anjos.

“Ele era formidável -contou o escritor -, referindo-se ao fato de o prefeito ter comprado e abastecido, às suas próprias custas, um automóvel, que o próprio Manuel fazia questão de dirigir, para evitar gastos extras para a Prefeitura da época. 

A Mogi daqueles tempos era uma cidade pequena, quase um povoado, muito, mas muito mesmo, distante dos dias atuais. A arrecadação, portanto, era baixa, mas nem por isso o Manuel Alves dos Anjos aumentou impostos, nem admitiu afilhados nos cargos públicos, nomeando somente aqueles que iriam preencher “os cargos criados por lei”.

Este prefeito foi o personagem do fato que se segue, conforme a narrativa do próprio Manoel Mello Freire, em seu livro:

“Quando foi feito o jardim da praça Oswaldo Cruz, aberta concorrência pública, o prefeito aceitou, por ser a mais vantajosa, a proposta de João Dierberger, pela quantia de seis contos de réis. Terminado o serviço, o prefeito Manuel Alves dos Anjos autorizou o pagamento relativo ao total do contrato. O jardim deveria ser, como foi, inaugurado em 1º de janeiro de 1913”.

“Eu era secretário – relembrou Mello Freire – e fui levar a João Dierberger aquela quantia. Este, declarando que tinha por praxe conceder, nos contratos que fazia, 10% a quem os dava, retirou 600 contos de réis para serem entregues ao prefeito. Manuel Alves dos Anjos, imediatamente, determinou o recolhimento desse desconto aos cofres municipais, porque, dizia ele, a qualquer redução de preço, somente o município é quem tinha direito. Na escrita municipal da época, claramente consta este fato. Assim foram os administradores daquele tempo”, conclui.

A propósito 

Lembram os mogianos mais antigos que Manoel Mello Freire não gostava de ser chamado de Manecão, apelido pelo qual era conhecido entre os mais próximos de sua tradicional família Contam que certo dia, um amigo foi bater à porta de sua casa e, ao ser atendido pela mulher, indagou:
“O Manecão está?”

Ao que ela, irritada com a petulância do interlocutor, respondeu: “O cão está no quintal, já o Maneco saiu alguns minutos atrás”. 

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