Lula ou Bolsonaro: como será o futuro político de Valdemar Costa Neto?
Numa eleição que pode ser definida na margem de erro das pesquisas eleitorais, entre os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), sobra uma pergunta para os observadores políticos da cidade: qual será o futuro de Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL, em caso de vitória de um lado ou […]
30/10/2022 09h07, Atualizado há 45 meses
Numa eleição que pode ser definida na margem de erro das pesquisas eleitorais, entre os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), sobra uma pergunta para os observadores políticos da cidade: qual será o futuro de Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL, em caso de vitória de um lado ou de outro?
Para os mais simplistas, o “camaleão” Valdemar poderá se adaptar a qualquer dos lados que se sair vencedor.
Na verdade, o político aqui da cidade terá de mostrar, mais uma vez, que é bom de articulação, independente de quem vença e das imprevisíveis reações ao resultado do pleito.
No caso de vitória de Bolsonaro, o político habituado ao comando de sua dinastia dentro do PL, terá de se virar nos 30 para conter os avanços do eleito para lhe tirar tamanho poder de comandar sozinho a maioria dos deputados e senadores do Congresso Nacional.
Essa disputa interna irá passar, obrigatoriamente, pelas escolhas dos futuros presidentes da Câmara e do Senado, dos quais dependem muito as condições ideais para a governabilidade.
Valdemar tem se equilibrado entre um possível apoio ao atual presidente da Câmara, Arthur Lira e o lançamento de um nome de seu próprio partido. Prefere deixar tudo mais ou menos no ar para ser decidido mais tarde, depois das eleições e da proclamação dos resultados.
Outro foco de problemas futuros para Valdemar, no caso da vitória de Bolsonaro, será a escolha do presidente do Senado. O liberal quer um nome de sua confiança para enfrentar o presidente Rodrigo Pacheco, enquanto Bolsonaro desejará alguém com cacife e disposição para encaminhar o processo de impeachment contra o presidente do STF, Alexandre de Moraes.
Valdemar, dizem observadores de Brasília, não é adepto de “virar o barco” e, por isso, brigará por nomes mais comedidos de seu partido para comandar o Senado.
De qualquer maneira, terá de articular – e muito – para não perder o controle de seu partido e manter as rédeas dessas sucessões.
Mas, e se Lula vencer? Apesar de ter levado o Bolsonaro para seu partido, o que lhe deu, nos últimos tempos, um poder de barganha avassalador, o presidente do PL sabe que terá facilidade para negociar com o PT. Afinal, foi ele quem entregou ao partido o empresário José Alencar, vice de Lula em sua primeira eleição para presidente.
Valdemar tem trânsito junto ao PT e Lula. Além disso, a maleabilidade do político e do Centrão tende a facilitar futuros acordos, sempre “em nome de governabilidade”.
Em caso de vitória de Lula, Valdemar fará valer a maioria que seu partido tem dentro do Senado e da Câmara para futuras negociações. Sem contar que o presidente do PL estará de posse de uma das maiores fatias dos fundos eleitoral e partidário para as eleições municipais.
No jogo da política, isso também conta. E muito…