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Mogiano troca um ministério por carta de agradecimento

Benedicto Ferreira Lopes, membro de tradicional família ligada à política de Mogi das Cruzes, foi campanheiro de Jânio da Silva Quadros quando frequentaram as aulas do austero Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. Uma amizade que não se perdeu, mesmo quando o mogiano foi estudar Engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e […]

Por O Diário
23/07/2021 18h11, Atualizado há 61 meses

Benedicto Ferreira Lopes, membro de tradicional família ligada à política de Mogi das Cruzes, foi campanheiro de Jânio da Silva Quadros quando frequentaram as aulas do austero Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo.
Uma amizade que não se perdeu, mesmo quando o mogiano foi estudar Engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e seu amigo mato-grossense optou pelo Direito, na mesma USP. E se fortaleceu ainda mais quando Dito voltou a Mogi para cuidar de mineradoras da família e Jânio enveredou pelos caminhos da política, onde engatou uma meteórica carreira iniciada no cargo de suplente de vereador paulistano, vereador, prefeito e governador, até chegar ao ápice, como presidente da República
Ao longo dessa trajetória, pôde contar sempre com a amizade e o apoio financeiro do amigo mogiano que ganhava muito dinheiro explorando jazidas minerais do município. 
Dito nem pestanejava em ajudar o antigo colega de escola, nas campanhas ou períodos de necessidade, com polpudas somas, geralmente disfarçadas em modestas folhas de cheque, que eram devidamente descontadas logo que chegavam às mãos do destinatário. 
Com gosto pela polêmica  e sempre cultuando uma imagem popularesca, que incluía cabelos desgrenhados e caspas sobre as ombreiras do paletó, além de sanduíches de mortadela devorados em público, Jânio chegou a presidente da República. E ao contrário do que muitos poderiam imaginar, o presidente eleito não se esqueceu dos velhos amigos. 
Na hora de dividir os cargos do futuro governo, mandou chamar Dito Lopes, em Mogi das Cruzes.
O mogiano seguiu para São Paulo e, tempos depois, se encontrava em meio a outros convidados presentes à residência de Jânio, na Vila Maria, em São Paulo.
Era chegada a hora de se definir os futuros ministros. E, depois de observar atentamente o grupo à sua frente, o presidente olhou firmemente para o amigo mogiano e  indagou:
“E você, Benedicto?”
Questionou carregando na pronúncia do “c”, antes de lhe oferecer o Ministério das Minas e Energia e a presidência da Caixa Econômica Federal.
Jânio só não esperava a resposta que viria do velho colega de tantas jornadas conjuntas.
Modesto, o amigo Dito Lopes limitou- se a responder:
“Não quero nada. Apenas uma carta de próprio punho agradecendo a votação obtida na região de Mogi das Cruzes”. 
Ao voltar para casa, Dito quase foi trucidado por amigos e familiares, em especial o sobrinho Jacob Cardoso Lopes, que àquela altura, já sonhava com altos voos e um futuro na política.

 

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