Monumento da Mogi-Bertioga tem mesmo o “Jota de Jamil Hallage”?
Prestes a inaugurar a ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Bertioga, em maio de 1982, o então prefeito de Mogi e responsável pela construção da estrada, Waldemar Costa Filho, chamou ao seu gabinete o engenheiro Jamil Hallage e lhe disse que a obra precisava de um monumento que marcasse, em definitivo, todo empenho e trabalho do município […]
27/11/2022 05h41, Atualizado há 44 meses
Prestes a inaugurar a ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Bertioga, em maio de 1982, o então prefeito de Mogi e responsável pela construção da estrada, Waldemar Costa Filho, chamou ao seu gabinete o engenheiro Jamil Hallage e lhe disse que a obra precisava de um monumento que marcasse, em definitivo, todo empenho e trabalho do município em sua execução.
Afinal, tinham sido quase seis anos de um mandato, prorrogado por obra e graça do governo militar da época, para vencer as dificuldades impostas pelo terreno acidentado e chuvas intensas daquela região da Serra do Mar.
Waldemar já havia construído a Mogi-Dutra e nas pesquisas que antecederam a campanha para sua segunda eleição, em 1976, a principal reivindicação da população era uma ligação direta entre Mogi e as praias de Bertioga, à época ainda um distrito de Santos.
Waldemar prometeu a obra e decidiu cumprir, iniciando uma verdadeira aventura de “encaixar” uma estrada na estrutura rochosa da Serra.
Tudo à base de toneladas de dinamite, máquinas, e muito suor de um grupo de empregados contratados pela empreiteira Almeida & Filho, vencedora da concorrência para a execução da obra.
Realmente era preciso marcar o final da verdadeira epopeia. E ninguém melhor para isso que Jamil Hallage, o engenheiro que havia fiscalizado metro por metro da obra para assegurar a qualidade dos serviços, em especial do asfalto nela colocado.
Mas Waldemar avisou ao seu colaborador de absoluta confiança: o monumento não poderia significar gastos acima dos limites do que ainda restava nos já esvaziados cofres municipais.
Sempre eficiente, Jamil Hallage foi bater à porta de Aldemy Gomes de Oliveira, criativo arquiteto da equipe de governo e lhe transferiu a encomenda.
Em algumas horas, o projeto estava pronto e aprovado pelo chefe-mór.
A surpresa, no entanto, viria depois do monumento já pronto. A estrutura lembrava uma letra que logo passou a ser tratada pelos colegas como o “Jota de Jamil”.
O monumento ainda continua lá para ser conferido.
Esta história é lembrada por conta de uma data muito especial: Jamil Hallage, o jovem engenheiro que chegou a Mogi para trabalhar na antiga Mineração Geral do Brasil, trazido por integrantes da família Jafet, e que permanece até hoje na cidade, está completando 97 anos de uma vida dedicada a Mogi.
Funcionário, por muitos anos, da Prefeitura mogiana, Jamil conhece, como poucos, os meandros de ruas, córregos, subsolo, e de todas as obras realizadas durante as últimas décadas na cidade. Uma memória privilegiadíssima o torna, até os dias atuais, uma fonte absolutamente confiável quando o assunto é Mogi, a cidade que ele ama e até hoje defende com unhas e dentes.
Atributos que, entre tantos outros, fazem dele uma pessoa especial e que merece ser lembrada numa data igualmente importante.
Jamil merece!