Não é Paschoal Carlos Magno. É Vasques!
Que ninguém ouse duvidar. Mogi é uma cidade que preza suas tradições, principalmente aquelas expressas por meio de denominações de ruas ou outros espaços públicos. Basta mexer num deles para se criar confusão, a curto, médio ou longo prazos. Há histórias interessantes que comprovam tudo isso. O teatro municipal é um desses exemplos. Nascido como […]
28/05/2021 18h38, Atualizado há 63 meses
Que ninguém ouse duvidar. Mogi é uma cidade que preza suas tradições, principalmente aquelas expressas por meio de denominações de ruas ou outros espaços públicos. Basta mexer num deles para se criar confusão, a curto, médio ou longo prazos. Há histórias interessantes que comprovam tudo isso.
O teatro municipal é um desses exemplos. Nascido como Teatro Vasques, em homenagem a um ator cômico do século XIX, um gênio da espiritualidade – reconhecido até pelo imperador dom Pedro II -, a casa de espetáculos sobreviveu ao Estado Novo, em 1902, passando a servir como sede da Câmara Municipal, em 1948. Com a denominação gravada no frontispício de sua sede, o velho teatro ficou abandonado e fechado por muito tempo, até que durante a segunda administração do prefeito Waldemar Costa Filho, entre 1976 e 1982, o local passou por uma ampla reforma. Como faltava dinheiro, a solução encontrada pelo prefeito foi buscar ajuda do governador da época, Paulo Maluf, seu companheiro de partido. Maluf ajudou, mas cobrou caro por isso. Com a obra pronta, disse a Waldemar que gostaria de dar o nome do teatro a alguém de uma família muito próxima dele.
O prefeito topou e, no lugar de Vasques, a casa de espetáculo de Mogi passou a se chamar, a partir de 1980, Teatro Paschoal Carlos Magno, outra figura também ligada às artes. Feita a vontade de Maluf, logo no início do governo de Junji Abe, em 2002, uma movimentação de integrantes do setor cultural mais tradicional da cidade tratou de devolver à casa de espetáculos o seu antigo nome, que lá está até hoje: Teatro Vasques. Da mesma forma que não vingou a tentativa de dar a uma antiga praça do centro o nome de João Pessoa. Junto com o teatro, os mogianos também resgataram seu antigo nome: Largo do Rosário, como ficou conhecida quando ali perto ainda existia a Igreja do Rosário, demolida para dar lugar a um hotel, que lá continua até os dias atuais. Outro nome que, definitivamente, não pegou foi a denominação de praça da Bíblia dada ao espaço localizado nas proximidades do Edifício Isidoro Boucault, no centro.
O nome pode até ter sido oficializado por conta da influência dos religiosos na Câmara Munipal. Mas o espaço continua sendo chamado, até agora, de praça das Bandeiras, como ficou conhecido desde o século passado. E não será surpresa se qualquer dia desses, alguém decidir oficializar a antiga denominação, como aconteceu com o Teatro Vasques e Largo do Rosário.
Da mesma forma que poucos mogianos sabem que a conhecida estrada do Pavan, ligação entre a Mogi-Dutra e a via Perimetral, no início da estrada da Volta Fria, foi oficializada pela Câmara, décadas atrás, como estrada do Evangelho Pleno. Também não pegou. A tradição falou mais alto e, pelos menos entre a maioria dos mogianos, a estrada que recebe os caminhões que descem a rodovia Mogi-Dutra continua sendo conhecida como estrada do Pavan.
O busto de sabin
No ano de 1991, o cientista Albert Sabin visitou o Brasil para comemorar a erradicação da paralisia infantil, alcançada graças à imunização em massa com a vacina Sabin, por ele desenvolvida. O chanceler da UMC, Manoel Bezerra de Melo, lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, que ele recebeu durante visita ao campus da instituição, em Mogi.
Waldemar era prefeito e Melo o convenceu a fazer um busto de Sabin para ser inaugurado durante a visita. O dito cujo, entretanto, não ficou pronto a tempo e acabou indo parar, esquecido, num barracão da Prefeitura. Quando Junji Abe chegou à Prefeitura, seu secretário de Saúde, Aroldo Saraiva, descobriu o busto de Sabin e resolveu lhe dar serventia. E está até hoje, ao lado da entrada do Pró-Criança, no bairro do Mogilar.
“Esta rua é minha”
Tomando por base uma lei municipal que proíbe dar nomes de ruas ou outros espaços públicos a pessoas ainda vivas, o então vereador Luiz Alves Teixeira acabou comprando uma das muitas brigas de sua carreira como político, marcada sempre por muitas polêmicas. Certo dia, o vereador propôs na Câmara a mudança do nome da rua Duarte de Freitas, conhecida, principalmente por sediar o Clube de Campo de Mogi das Cruzes. Teixeira alegava que Duarte de Freitas estava vivo e que, portanto, a denominação era ilegal. Ele só não contava com a reação do próprio Duarte, que veio a este jornal e botou a boca no mundo. Reagiu à altura, com o devido apoio dos vizinhos.Teixeira recuou ao notar o desgaste político que poderia sofrer. De lembrança do episódio, uma reportagem em O Diário com uma foto de Duarte de Freitas, braços cruzados, no meio da rua com seu nome, e a legenda:“Esta rua é minha!” E continuou sendo.
Avenida, estádio, largo…
Ainda a propósito de denominações em locais públicos em Mogi das Cruzes, dificilmente alguém irá superar o prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, que ainda estava no cargo quando faleceu, em maio de 1994. Chico Nogueira, como era conhecido, dá nome à avenida que liga o centro da cidade à Mogi-Bertioga; à rodovia entre Mogi e Taiaçupeba, além do estádio municipal de futebol, localizado na Vila Industrial que, como não poderia deixar de ser, logo se transformou em “Nogueirão”, na boca dos torcedores mogianos. Não bastasse tudo isso, Chico Nogueira ainda empresta o seu nome ao antigo Largo Primeiro de Setembro, que também é conhecido como Largo da Feira. Para marcar a denominação, a praça bem próxima do centro da cidade ainda ganhou um busto em bronze de seu homenageado.