O dia em que Quércia desagradou Biritiba e Salesópolis
No mês de maio de 1988, a inauguração de um radar meteorológico da região da Barragem de Ponte Nova colocou em pé de guerra os moradores e políticos de Biritiba Mirim e Salesópolis. Cada um querendo que o equipamento ficasse em seu território. Queriam ver o nome da cidade na tevê a cada previsão do […]
08/07/2021 18h02, Atualizado há 61 meses
No mês de maio de 1988, a inauguração de um radar meteorológico da região da Barragem de Ponte Nova colocou em pé de guerra os moradores e políticos de Biritiba Mirim e Salesópolis. Cada um querendo que o equipamento ficasse em seu território. Queriam ver o nome da cidade na tevê a cada previsão do tempo.
O bate-boca entre prefeitos se estendeu até o dia da inauguração, quando o então governador Orestes Quércia, sabedor dos desencontros entre os representantes das duas cidades, salomonicamente, decidiu: “O radar pertence ao povo de todo o Estado”. E tentando agradar a gregos e troianos, deu ao equipamento o nome de “Radar Meteorológico de Ponte Nova”.
Acabou desagradando a todos.
Coice de mula
O craque do folclore político, jornalista Sebastião Nery, é quem conta: José Machado, gordíssimo, beirando os 150 quilos, era fazendeiro e chefe político em Macaé, quando o Rio de Janeiro era uma cidade maravilhosa e sede do governo federal.
Só tinha um problema: não entrava em carro de jeito algum. Tinha medo.
Terminada a Revolução de 30, ainda mais fortalecido no poder, o presidente Getúlio Vargas foi visitar a cidade de Campos, próximo de Macaé, e mandou chamar José Machado, que chegou montado numa mula catrava, de estimação.
Getúlio, populista como tantos, saudou o chefe político bom de votos com a maior intimidade possível:
“Coronel Machado, o que é que o senhor está achando do meu governo?”.
A resposta justificou a fama de matuto do coronel: “O caçador é bom, doutor Getúlio. A cachorrada é que não presta”.
Debaixo da batina do padre
O consultor Gaudêncio Torquato tem contado boas histórias do folclore político que ele capta em suas andanças e nas campanhas que coordena pelo País afora.
Ele lembra que o padre Aneiko, deputado estadual pelo PDC,vinha do Paraguai e, na fronteira de Foz do Iguaçu, encontrou duas amigas que lhe pediram para passar uns perfumes de contrabando.
O solícito religioso logo os escondeu no cinturão, debaixo da batina.
Quando chegou na alfândega, o fiscal notou algo de estranho no ar e decidiu inquirir justamente o sacerdote:
“Alguma mercadoria, padre?”
E ele: “Não!”
O fiscal: “E embaixo da batina?”
O padre: “O que tem aqui embaixo é dessas moças. O senhor quer ver?”
O fiscal não quis.