Ocupação em cemitério? Confirma essa e outras do folclore político
O suzanense Francisco Quadra Andrez, o conhecido “Ticão”, sempre foi o que se pode chamar de “homem dos sete instrumentos”. Ator, autor de peças teatrais, colunista de jornal, diretor de cinema, ex-vereador e ocupante das mais diferentes secretarias na Prefeitura de Suzano – de Cultura a Finanças – “Ticão” é também autor do divertido livro […]
20/08/2021 13h33, Atualizado há 60 meses
O suzanense Francisco Quadra Andrez, o conhecido “Ticão”, sempre foi o que se pode chamar de “homem dos sete instrumentos”. Ator, autor de peças teatrais, colunista de jornal, diretor de cinema, ex-vereador e ocupante das mais diferentes secretarias na Prefeitura de Suzano – de Cultura a Finanças – “Ticão” é também autor do divertido livro “Suzano – A história que você não leu”, editado em 2005, com histórias saborosíssimas de personagens daquela cidade.
Numa homenagem ao “Ticão”, relembramos algumas das histórias por ele contadas:À medida que o Cemitério São Sebastião ia crescendo, a procura por túmulos também ia aumentando. O valor do terreno subiu assustadoramente e os espaços de compra desapareceram. Mas apesar da carência, sempre havia alguém disposto a vender um cantinho no cemitério. Foi o que aconteceu com o meu amigo Bernardo, chegado numa cachaça.
“Ticão, preciso vender o túmulo da minha família”.
Ao perguntar por que, recebi a seguinte resposta:“A gente não está usando e, temos lá, seis gavetas, todas vazias.
Falei para o Bernardo que não me interessava mas, dependendo do lugar no cemitério e do preço, poderia ver com alguém. Ele disse que estava precisando de dinheiro e que venderia pela metade do preço o terreno situado no centro do cemitério. Deu-me até o número e a quadra do lugar. Não foi difícil encontrar um comprador. O Alcides, um amigo que mora no prédio onde eu moro, se interessou. Entrou em contato com o Bernardo e, no dia em que ia entregar o cheque, foi até o cemitério para verificar a papelada e a situação do túmulo.
Logo que chegou e pediu as informações, o administrador, procurou no livro de registros – àquela época ainda não havia computador – e, por fim, pediu ao Alcides que o acompanhasse até o local especificado.
Chegando até a quadra e números citados no papel que Alcides trazia consigo, o administrador parou bem em frente à caixa de cimento, suspirou profundamente, e disse:
“Seu Alcides , nesta campa existem três pessoas já enterradas.”
Alcides ficou fulo da vida por estar sendo enganado. Deixou o cemitério e foi direto procurar o vendedor, Bernardo, em sua casa.
Lá, ele não se encontrava, mas lhe informaram que, certamente, deveria estar num bar que costumava frequentar, a menos de dois quarteirões dali.
Logo que chegou ao bar, Alcides encontrou Bernardo, já tombando de chapado. Irritado, foi direto ao assunto:
“Bernardo, como você me explica isso? O túmulo ainda tem três defuntos enterrados. Quem são eles?
Bernardo, para se equilibrar, apoiou a mão direita sobre o ombro de Alcides, abriu as pernas, olhou para o chão, levantou a cabeça e balbuciou:
“Alcides, com certeza são invasores…”