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Padre Casado foi visitar um afilhado e acabou ingressando na política

Joaquim Casado Castanho já não era mais o padre que ajudou a dar forma à primeira paróquia do distrito de Braz Cubas, onde atuaria, durante décadas, como sacerdote. Distante da batina, por uma opção pessoal, após o Concílio Vaticano II, ele estava em casa, tempos depois, quando decidiu fazer uma visita ao amigo e vereador, […]

Por O Diário
06/08/2021 15h57, Atualizado há 60 meses

Joaquim Casado Castanho já não era mais o padre que ajudou a dar forma à primeira paróquia do distrito de Braz Cubas, onde atuaria, durante décadas, como sacerdote.
Distante da batina, por uma opção pessoal, após o Concílio Vaticano II, ele estava em casa, tempos depois, quando decidiu fazer uma visita ao amigo e vereador, Antonio Lino da Silva, já eleito presidente da Câmara Municipal, que enfrentava uma grave crise provocada por pedras nos rins. Lino era seu afilhado de casamento  e ele decidiu lhe presentear com uma garrafa de vinho, antes da posse. Ao vê-lo chegar na casa de seu pai, onde estava, de cama, Lino exultou: “Foi bom o senhor aparecer aqui. Vou precisar de sua ajuda na presidência da Câmara. Vá lá com seus documentos, na segunda-feira, para  começar o trabalho”. E foi assim, de surpresa que Casado foi para a Câmara, onde, certo dia, Lino recebeu um telefonema do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, à época secretário de Abastecimento de Paulo Maluf, na Capital, convidando-o para uma visita, em São Paulo, mas com uma exigência: teria de levar o seu assessor. Chegando lá, o próprio Waldemar foi recebê-los na saída do elevador e já disparou: “Não pense que eu vim receber o presidente da Câmara de Mogi; vim receber o meu grande amigo”, teria dito o secretário, provocando Lino. Passado algum tempo, Waldemar voltou à Prefeitura de Mogi como prefeito e decidiu levar o ex-padre para trabalhar com ele na área de Promoção Social. Joaquim Casado passou a cuidar da Casa do Menor, ao lado da titular da pasta, a ex-vereadora petista, Sônia Sampaio. Ambos tratavam da criação do embrionário Conselho Tutelar. Sônia, bem a seu estilo, exigiu que Waldemar assegurasse um salário para os conselheiros, algo que o prefeito, mão fechada ao extremo, negou. O impasse persistiu e, aliado à incompatibilidade de gênios e de ideologias  de Waldemar e Sônia, acabou resultando na saída da ex-vereadora e cabendo a Casado concluir o projeto do Conselho, sem a ajuda de custo para os conselheiros. A remuneração obrigatória só viria, anos mais tarde, durante o governo de Junji Abe.
Após o trabalho com Waldemar, o Padre Casado – como ainda é chamado – foi assessorar Cuco Pereira na presidência da Câmara e seguiu com ele para a Prefeitura, durante os oito anos em que passou como vice do prefeito Marco Bertaiolli.
E foi assim que o religioso originário da província de Zamora, na Espanha, hoje com 86 anos, ingressou na política, depois de haver percorrido várias cidades do interior paulista como missionário da Ordem de Santo Agostinho, chegou em Mogi na busca de uma paróquia operária para trabalhar mais diretamente com a periferia, foi parar em Braz Cubas, deixou a batina, lecionou nas primeiras escolas de Padre Manoel Bezerra de Melo, que deram origem à UMC, e chegou até mesmo ser dono de três livrarias (duas delas na Capital).
Casado faz as contas e conclui: foram perto de 25 anos de trabalho entre Prefeitura e Câmara, iniciados, de maneira inesperada, durante a visita ao afilhado, Antonio Lino, para lhe desejar felicidades na posse como presidente.  O que viria depois, ele nunca havia sequer  imaginado.

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